Janaina Cruz
Palestrantes discutem novos rumos do Judiciário brasileiro em Aracaju
Os trabalhos do VI Encontro Nacional do Poder Judiciário, que acontece em Aracaju, começaram na manhã desta terça-feira, dia 6, com a exposição de Ministros dos Tribunais Superiores. A abertura foi feita pelo Presidente do STF e do CNJ, Ministro Carlos Ayres Britto, que apresentou os palestrantes e disse que o Poder Judiciário brasileiro vive um novo tempo, assumindo-se como eminentemente republicano, ético e democrático.
“Estamos vivendo um momento novo, com mais um plus no Judiciário brasileiro. Não estamos mudando só de comportamento, mas também de mentalidade”, enfatizou Carlos Britto. Já o Presidente do Superior Tribunal Militar, Ministro Álvaro Luiz Pinto, fez um balanço das metas estabelecidas para 2011 e 2012 e disse que a Justiça Militar vem perseguindo as metas que ainda não foram alcançadas. “Estamos empreendendo um grande processo de modernização”, contou.
O Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ministro João Oreste Dalazen, informou que a Justiça do Trabalho poderá ser o primeiro segmento do Poder Judiciário a dispor de um sistema de processo eletrônico único nacional. Ainda segundo Dalazen, o planejamento estratégico é uma ferramenta de gestão que já integra a cultura do Poder Judiciário brasileiro.
Já o Ministro Castro Meira representou o Presidente do Superior Tribunal de Justiça e disse que cada um dos 33 Ministros do STJ julgou, de janeiro a setembro deste ano, quase sete mil processos. “Fora distribuídos, este ano, 295.102 processos e cerca de 230 mil já foram julgados. É uma produtividade de 70%”, informou Meira, lembrando que a implantação do processo eletrônico trouxe inúmeros resultados positivos.
O olhar da sociedade
“Gestão do Poder Judiciário: o olhar da sociedade” foi o primeiro painel da manhã de hoje. A jornalista Eliane Cantanhêde lembrou que o Poder Judiciário era chamado de caixa preta. “Todo mundo viveu com essa expressão por décadas. Mas a sociedade brasileira avançou e as instituições também. O encontro de hoje é reflexo desse processo de cidadania”, analisou a jornalista.
Ela citou vários exemplos de abertura do Poder Judiciário, como a TV e Rádio Justiça e a mudança de linguagem no site do STF. “Há uma interlocução do Judiciário com a sociedade. Os Ministros do Supremo conversam com os jornalistas”, acrescentou Eliana, dizendo que o julgamento do ‘mensalão’ é um grande momento do Judiciário e, consequentemente, do país. “Você liga a TV e vê a argumentação de cada Ministro. A linguagem é acessível. O Juiz não fala para ele, mas para toda a sociedade”, analisou.
O advogado e professor da UERJ, Gustavo Binenbojm, também elogiou a abertura do Judiciário. “Vivemos um momento indiscutível de afirmação do Poder Judiciário como um Poder da República. O julgamento de ex-ocupantes de cargos públicos está sendo televisionado ao vivo, sem cortes e sem censura”, observou o advogado. Ele disse ainda que cabe ao Judiciário ouvir e entender os anseios da sociedade.
O olhar do administrador
O painel que encerrou as atividades da manhã teve como tema "Gestão do Poder Judiciário: o olhar do administrador". O empresário Jorge Gerdau falou sobre os aspectos da visão técnica de gestão. Formado em Ciências Jurídicas pela UFRS, em 1961, ele disse que o curso o ajudou a ter uma visão mais humanística dos fatos. Durante a apresentação, ele disse que a globalização exige qualidade, produtividade, inovação e sustentabilidade.
“No meu aprendizado, o capítulo que considero o mais complexo é a governança, que define o rumo e procura estimular as correções”, enfatizou o empresário, dizendo que o Conselho Nacional de Justiça tem a dimensão de governança. Ao final da palestra, Gerdau fez um desafio à plateia: “que nenhum processo leve mais do que dois anos para ser julgado, por mais complexo que seja. Não há democracia estruturada se não houver um Judiciário célere. É um sonho, mas a gente vai, por etapas, realizando os sonhos”.
Coletiva
Ao final dos trabalhos da manhã, o Ministro Carlos Britto concedeu uma entrevista coletiva à imprensa. Ele disse que, possivelmente, a última sessão que participará antes da sua aposentadoria será no dia 14 de novembro, a não ser que haja uma extraordinária no dia 16. “Saio feliz. Acho que passei pelo STF e não perdi a viagem. Dei o melhor de mim. Conheci bons companheiros de trabalho e fui ajudado por todos”, comentou.
Questionado sobre o julgamento do ‘mensalão’ – AP 470, como o Ministro prefere chamar a ação – ele disse que a grande decisão do Supremo foi coloca-la em julgamento porque era necessário. “Não havia motivo para não julgar o processo. Estamos terminando esse julgamento, em mais umas quatro, cinco sessões será concluído. Seguindo uma metodologia de começo, meio e fim foi uma sistemática de julgamento que se revelou acertada a partir do fatiamento dos temas constantes na denúncia”.
O Presidente do CNJ também confirmou aos jornalistas que se reuniu, hoje pela manhã, com o Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo para tratar sobre a onda de violência naquele Estado. “Vamos ver o que o CNJ pode fazer no sentido de ajudar o Poder Judiciário a coadministrar, já que a questão central é do Poder Executivo, esse problema nos estabelecimentos penitenciários de São Paulo. As estratégias de trabalho ainda se mantém em sigilo. Vamos conversar ainda hoje nessa tentativa de somar esforços”, informou.
Esmese recebe visita de representante da Escola Nacional de Formação de Magistrados
O Diretor da Escola Superior da Magistratura do Estado de Sergipe (Esmese), Desembargador Cezário Siqueira Neto, recebeu, na tarde desta segunda-feira, dia 5 de novembro de 2012, o Juiz Auxiliar da Presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ricardo Cunha Chimenti, que também tem atuado auxiliando a Diretoria-Geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), comandada pela Ministra do STJ Eliana Calmon. A eficiência e o destaque do Tribunal de Justiça de Sergipe no cenário nacional foi uma das razões da reunião realizada na sede da Esmese.
Para o Desembargador Cezário Siqueira, a presença de Ricardo Chimenti é uma demonstração da preocupação da Enfam para com as Escolas Judiciais no intuito de interagir para que haja troca de informações, de pleitos, inclusive, e de sugestões. "Para isso, a Esmese tem muito a contribuir. Nossa equipe é pequena, enxuta, mas muito inteirada sobre o seu objetivo, sobre seu mister. Foi uma visita importante, até mesmo histórica, para que nós possamos, cada dia mais, melhorar a nossa escola, aperfeiçoando o magistrado, trazendo a prestação jurisdicional que o povo deseja", comentou.
De acordo com o representante da Enfam, a visita faz parte de uma orientação da ministra para que a Escola Nacional conheça um grande número de escolas, sobretudo as que fazem parte de tribunais com destaque em eficiência, "que é o caso de Sergipe", enfatizou. "A ideia é que a gente possa colher os bons frutos que podem ser multiplicados para as demais escolas do país e também para que a gente compreenda as dificuldades que as escolas estão encontrando quando necessitam de alguma interação com a Enfam ou mesmo com outras escolas", apontou Chimenti.
Segundo ele, a proposta é que a Enfam seja em elo de integração nacional, um facilitador dos contatos entre as escolas, uma multiplicadora das experiências que estão dando certo e, consequentemente, sirva como um forte auxílio para o desenvolvimento de cada escola, seja ela estadual ou federal.
"Nós percebemos que há dificuldade em relação ao sistema informatizado da Enfam, mas este problema deve ser superado em breve. Estamos trabalhando intensamente para que seja o primeiro obstáculo a ser retirado dos nossos caminhos e contamos com o apoio e a parceria de cada uma das escolas para que a gente possa acertar o passo e realmente ter a eficiência que se espera de uma Escola Nacional da Magistratura", anunciou.
Ricardo Cunha Chimenti também participa, em Aracaju, do VI Encontro Nacional do Judiciário, realizado nesta segunda-feira, dia 5, e terça-feira, dia 6 de novembro de 2012. No evento, como representante da Enfam, ele tem a missão de colher as propostas futuras e as metas que se quer buscar para o aprimoramento das Escolas da Magistratura.
"Entendemos que as escolas têm participação extremamente importante para que estas metas, de fato, possam ser alcançadas. Aquilo que se tem hoje como um projeto, lá na frente, vai depender de toda uma construção. E esta edificação será feita pelos juízes que são treinados pelas escolas. Então, a escola tem um papel fundamental para que as metas hoje propostas sejam efetivamente atingidas futuramente", finalizou.
Da reunião na sede da Esmese, também participaram os Subdiretores de Cursos da Escola Angelo Ernesto Ehl Barbosa e Renata Mascarenhas de Freitas Aragão, e o Juiz de Direito José Pereira Neto.
Ministro Carlos Britto abre Encontro Nacional do Judiciário em Aracaju
“O CNJ vem para um encontro como este dizer que está a serviço do Poder Judiciário brasileiro”, disse o Ministro Carlos Britto durante seu discurso. Além de falar da importância do CNJ, ele enfatizou as características que um juiz deve ter. “Um juiz tem que ser atualizado, competente, corajoso, democrático e simples. É inconcebível um desvio ético no âmbito da magistratura”, enfatizou o Ministro.
Ainda durante o discurso, o Presidente do STF disse que a Constituição de 88 veio superar uma época de represamento de direitos. “Com ela, os cidadãos correram para o Judiciário com a esperança de uma resposta célere e justa para seus problemas”, analisou o Ministro, lembrando que, atualmente, existem 90 milhões de processos em andamento. Em entrevista à imprensa, Britto disse que o Judiciário deve priorizar o combate à corrupção em sua pauta de julgamento. “A prioridade no combate à corrupção é da própria Constituição, no artigo 37, parágrafo 4º, que combate aqueles que causam prejuízo ao erário por motivo de improbidade ou no campo penal por motivo de corrupção”.
O Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Desembargador Osório de Araújo Ramos Filho, também ressaltou a importância dos temas que serão discutidos amanhã. “Vamos discutir temas que são importantes para o Judiciário e que, inclusive, despertam a atenção de todo o Brasil, como corrupção e improbidade administrativa. Temas que exigem dos Tribunais soluções e respostas. Este encontro vai servir para que os Tribunais tomem uma posição coerente, a fim de que esses julgamentos sejam levados à comunidade brasileira”, disse à imprensa.
Durante o discurso de abertura do evento, o Presidente do TJSE fez uma homenagem ao Ministro Carlos Britto. “Quero demonstrar, de público, o respeito e o carinho que o povo de Sergipe dedica a esse propriaense que alcançou, por seu próprio mérito, a mais alta Corte”, elogiou o Desembargador Osório. Em entrevista à imprensa, ele disse ser uma honra sediar o encontro nacional. “É o primeiro encontro realizado no Nordeste e o Estado de Sergipe foi escolhido não só porque o Presidente do STF e CNJ é sergipano, mas sim pelo mérito do Tribunal de Justiça de Sergipe em cumprir as metas previstas”, ressaltou.
O Secretário Geral do CNJ, o Juiz Francisco Alves Júnior, confirmou o motivo da escolha. “É muito importante para Aracaju receber este evento porque é um reconhecimento, por parte do CNJ, ao trabalho que o Tribunal de Justiça e todo o Judiciário sediado em Sergipe vem fazendo, com zelo e dedicação”, reforçou. Ele disse ainda que a pauta do encontro é interessante porque envolve comunicação, gestão, planejamento e combate à corrupção. “Acho que vai ser muito produtivo. O ganho imediato é a percepção da sociedade de que o Poder Judiciário vem se esforçando para cumprir bem o seu papel”, completou.
Para Jorge Hélio Chaves, Conselheiro do CNJ, a expectativa é que, cada vez mais, os diversos segmentos da Justiça, que até pouco tempo atrás não se comunicavam, agora se aproximem. “Esse encontro é o símbolo anual de uma nova mentalidade do Judiciário, que tem segmentos que se complementam, visando cumprir a função de dar Justiça a quem precisa”, opinou. Para ele, discutir improbidade administrativa é uma novidade. “Por que a ação de improbidade administrativa é tão lenta e não tem prioridade? Um ato de improbidade administrativa não é um ato contra uma pessoa, é um ato que lesa o patrimônio, a ética e a nação. E nós precisamos combater a corrupção”, enfatizou.
O evento
O VI Encontro Nacional do Poder Judiciário reúne os presidentes dos 91 Tribunais do país e os conselheiros do CNJ, com o objetivo de definir ações prioritárias para aprimorar a gestão nos Tribunais e garantir melhor atendimento aos cidadãos. Realizado anualmente sob a coordenação do CNJ, os encontros nacionais do Judiciário buscam avaliar a Estratégia Nacional estabelecida para a Justiça e divulgar o desempenho dos Tribunais no cumprimento de projetos e metas nacionais.
Em sua sexta edição, as reuniões setoriais – divididas por ramo da Justiça (Estadual, Federal, do Trabalho, Eleitoral e Militar) – são uma das inovações do evento. Nelas, os dirigentes do Judiciário poderão discutir questões específicas enfrentadas em cada segmento. Os conselheiros do CNJ participarão da coordenação desses grupos. Todas as propostas aprovadas nas discussões setoriais serão levadas à plenária final, quando os presidentes vão definir as metas a serem perseguidas pelo Judiciário nos próximos anos.
Programação
O VI Encontro Nacional do Poder JUdiciário prossegue nessa terça-feira, dia 6/11, nos hotéis Radisson e Mercure, na Orla da Atalaia. Confira a programação:
9h - Abertura dos trabalhos
•Ministro Ayres Britto, Presidente do STF e do CNJ
•Pronunciamento dos Presidentes dos Tribunais Superiores
10h30 - Painel: "Gestão do Poder Judiciário: o olhar do administrador"
•Jorge Gerdau, Empresário
•Ricardo Paes de Barros, Secretário de Ações Estratégicas da Presidência da República
11h40 - Painel: "Gestão do Poder Judiciário: o olhar da sociedade"
•Eliane Cantanhêde, Jornalista
•Gustavo Binenbojm, Advogado e Professor da UERJ
12h30 às 14h - Intervalo para almoço
14h às 14h30 - Traslado (interno)
15h - Reuniões setoriais
•Grupo I – Corregedores. Coordenação: Corregedor Nacional de Justiça
•Grupo II – Justiça Federal. Coordenação: Conselheiros, Presidentes do STJ, do TRF5 e Diretor do Foro da Seção Judiciária local
•Grupo III – Justiça do Trabalho – Coordenação: Conselheiros, Presidentes do TST e do TRT da 20ª Região
•Grupo IV – Justiça Eleitoral – Coordenação: Conselheiros, Presidente do TRE-SE
•Grupo V – Justiça Militar – Coordenação: Conselheiros e Presidente do STM
•Grupo VI – Justiça Estadual – Coordenação: Conselheiros e Presidente do TJSE
16h30 - Coffee break
17h - Plenária final
Apresentação das conclusões dos grupos setoriais.
Corregedor Geral da Justiça recebe visita Cônsul Geral da França para o Nordeste
Empregado obrigado a se vestir de mulher será indenizado
O empregado foi contratado pela Brasil Telecom para exercer a função de tele consultor I, e tempos depois, afirmou que houve uma "demissão fictícia", e novo contrato foi estabelecido com a Teleperformance. Assim, continuou prestando serviços para as duas empresas.
Na ação trabalhista, afirmou que durante todo o contrato de trabalho sofria humilhações por parte de superiora hierárquica, uma mulher autoritária e exigente. Para atingir as metas, ela chamava a atenção dos funcionários e os colocava em situações vexatórias, pois inventava campanhas em que todos deviam se fantasiar de palhaços, e alguns empregados do sexo masculino eram obrigados a se vestir de mulher.
Com base em prova testemunhal, a sentença deferiu o pedido do empregado e condenou as empresas a pagar R$ 14 mil de indenização por dano moral, pois concluiu que as atitudes da superiora desrespeitaram o trabalhador e o reduziram à condição de objeto. "Esta contundente e explícita desvalorização do princípio da dignidade humana do trabalhador não se coaduna com um ambiente laboral saudável e harmônico, pelo qual o empregador tem o dever de zelar."
A Teleperformance recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) e afirmou que não ficou demonstrado abuso emocional ou exposição a situações vexatórias e constrangedoras, e que o tratamento para com os funcionários estava dentro do seu poder diretivo como empregador.
Após a análise do conjunto probatório, o Regional concluiu não ter ficado demonstrado de forma inequívoca o dano moral alegado. Assim, atendeu ao apelo da empresa e reformou a sentença. O Regional ainda negou o seguimento do recurso de revista do trabalhador ao TST, razão que o levou a interpor agravo de instrumento.
O relator, ministro Emanoel Pereira, deu provimento ao agravo para processar o recurso de revista. Em seu voto, ele explicou que o dano moral decorre de qualquer conduta abusiva que ofenda a dignidade e a integridade física ou psíquica do empregado, "ameaçando seu emprego e degradando deliberadamente o ambiente de trabalho". Para que o dano moral fique caracterizado, é preciso a demonstração do fato que gerou o prejuízo. "Não basta que ocorra qualquer dissabor ou contrariedade, pois esses são inerentes ao cotidiano", concluiu.
No caso, ficou notoriamente demonstrado que a preposta das empresas assediava o empregado e os outros funcionários reiteradamente, degradando as condições de trabalho e causando prejuízos práticos e emocionais, a fim de alcançar as metas. O ministro explicou que é dever do empregador proporcionar um ambiente de trabalho saudável, devendo "primar pela adoção de regras que incentivem o empregado de forma positiva, com premiações, jamais de forma negativa ou depreciativa, expondo o trabalhador a situações vexatórias, como no caso, onde o autor foi obrigado a se vestir de mulher". Assim, de acordo com o ministro, ficou evidente o caráter ilícito da conduta da preposta, "de modo que inafastável a condenação em dano moral".
A decisão foi unânime para restabelecer os comandos da sentença e determinar o retorno dos autos ao TRT-9 para que, superado o debate sobre a caracterização do dano moral sofrido, aprecie o pedido de redução do valor fixado.
Processo: RR - 1838400-38.2009.5.09.0003
Empresa condenada por uso indevido de imagem para divulgar aprovação em concurso
Em 2006, o autor foi aprovado para a Escola de Administração do Exército, em Santa Maria sem freqüentar qualquer curso preparatório. Porém, em novembro de 2007, durante a solenidade de formatura, o autor foi abordado pela parte ré no processo para registro de uma foto juntamente com outras formandas, sem que houvesse menção à finalidade da foto. No mês seguinte, sua fotografia foi publicada no jornal Zero Hora, vinculando sua imagem e nome ao curso Vigor, que buscava benificiar-se da aprovação conquistada, gerando publicidade positiva a fim de angariar novos alunos.
O autor então ingressou com ação de indenização por danos morais e materiais contra o Vigor Centro de Estudos para Concursos LTDA. e Beatriz Margarida Backes, sócia da empresa.
No 1º Grau a Juíza de Direito, Karla Aveline de Oliveira, da 4º Vara Cível do Foro de Santa Maria, determinou que as partes ré pagassem indenização por danos materiais no valor de R$ 500,00 além de R$ 5 mil, a título de indenização por danos morais. Também foi estabelecido que as partes rés publicassem anúncio publicitário esclarecendo que o autor jamais foi aluno do curso.
Apelação
O relator do processo, Desembargador Jorge Alberto Schreiner Pestana, reconheceu a ilegitimidade da sócia para figurar na ação, extinguindo o processo com relação a Beatriz Backes. Não pode a requerida, inexistindo abuso de poder, ser responsabilizada pessoalmente pelos atos da empresa corré, esclareceu o magistrado. A conduta da demandada reverteu em proveito da pessoa jurídica da qual é sócia, devendo esta responder pelos alegados danos morais e materiais sofridos pela parte autora.
No tocante à empresa, analisou que foi estampada a imagem do autor em anúncio publicitário veiculado em jornal, porém, em nenhum momento apresentou prova de que tenha sido autorizada a publicação.
O arbitramento do dano deve obedecer aos critérios de prudência, da moderação, das condições da ré em suportar a eqüidade do encargo e não aceitação do dano como fonte de riqueza. Da análise destas circunstâncias, tenho que o montante fixado em sentença (R$ 5 mil) deva ser reduzido para R$ 2.500,00, quantia adequada a compensar a parte autora pelo injusto sofrido.... por fim à ré que seja afastado o pedido de retratação, eis que só utilizado em caso de ofensa pessoal à parte, o que não vislumbrado ao caso em comento, afirmou o relator.
O magistrado manteve o valor do cachê (R$ 500,00), mas reduziu o valor da indenização por danos morais de R$ 5 mil para R$ 2,5 mil.
Também afastou a imposição de retratação, eis que só utilizado em caso de ofensa pessoal à parte, o que não vislumbrado no caso em comento.
Participaram do julgamento os Desembargadores Paulo Roberto Lessa Franz e Túlio Martins, votando com o relator.
Proc. nº 70043892389
Homem terá que indenizar a ex-noiva e ex-sogro por confusão em cerimônia
José Antônio Proença e Vanessa Cortez já estavam casados civilmente quando realizaram a cerimônia religiosa de seu casamento. Porém, no dia da celebração, o noivo chegou ao local embriagado e agressivo, insultando a noiva e sua família, além de constranger os convidados que chegavam.
Terminada a confusão, noivos e convidados seguiram para a festa organizada pelo pai da noiva, Edjalma Tonasse. Mas, ao chegarem, as difamações aos autores continuaram e, dessa vez, também se estenderam aos seus familiares.
“Independente dos motivos trazidos pelo apelante, restou comprovado que o mesmo agiu de forma ofensiva e provocou inegável repercussão psicológica e prejuízos materiais aos autores, por um episódio lamentável e humilhante na vida dos envolvidos”, afirmou a relatora do processo, desembargadora Nanci Mahfuz.
Nº do Processo: 0001652-90.2005.8.19.0028
Semana Nacional de Conciliação começa nessa quarta-feira
A campanha publicitária deste ano, com o slogan “Quem concilia sempre sai ganhando. Não importa de que lado você esteja. Um acordo justo é um acordo bom para todos”, fortalece a ideia de que a conciliação é sempre o melhor caminho. A campanha começou a ser veiculada em 19 de setembro e visou atingir todas as pessoas envolvidas em algum litígio no Judiciário.
Na edição de 2012, espera-se desempenho superior ao mutirão do ano passado, quando foram realizados 168 mil acordos em todo o Brasil. Os cinco dias de audiências de redução dos estoques de processos litigiosos e de promoção da cultura da paz movimentaram valores próximos a R$ 1 bilhão. Em Sergipe, na Semana Nacional de Conciliação de 2011, foram realizadas 1.466 audiências, 426 processos conciliados e um somatório de R$ 1 milhão em valores acordados.
Aviso à imprensa
A Juíza que está sob a coordenação da Semana Nacional de Conciliação em Sergipe, Iracy Mangueira, estará disponível para entrevista somente na quarta-feira, às 9 horas, no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania do TJSE, localizado no Fórum Gumersindo Bessa.
Encontro Nacional do Judiciário começa nesta segunda-feira, em Aracaju
Segundo ele, o estabelecimento de metas para o Poder Judiciário ajuda a construir um processo de mudança. “Queremos que a população perceba que há sim uma preocupação no Judiciário em desempenhar seu papel cada vez melhor, pois, como Poder da República, ele tem o dever de desenvolver bem suas atividades”, afirma o secretário. Esta será a primeira vez que o evento abordará uma visão externa sobre os problemas e desafios da Justiça brasileira. Veja os principais destaques da entrevista à Agência CNJ de Notícias.
Quais as expectativas para o VI Encontro Nacional do Judiciário, que vai reunir os presidentes de todos os tribunais do país nos próximos dias 5 e 6 em Aracaju?
Será um bom encontro entre o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, e a alta cúpula do Judiciário. Esse encontro será diferenciado, pois no último, realizado em Porto Alegre, foram estabelecidas metas nacionais a serem perseguidas pelos tribunais em 2012 e 2013. Este ano faremos um balanço, para ver se estamos no rumo certo. Será que é preciso revisar alguma meta ou estabelecer outras? Esse é o espírito da Resolução n. 70/2009 do CNJ, quando prevê um encontro anual para que juntos os presidentes estabeleçam ações e prioridades. É muito salutar que se pretenda fixar com antecedência de alguns anos as metas, para que o Judiciário possa se planejar e fazer uma reflexão constante, anual, para eventuais ajustes.
O que a sociedade pode esperar do VI Encontro Nacional?
No mundo moderno tendemos a querer tudo para ontem, mas tudo tem seu tempo. O estabelecimento de metas anuais pode parecer algo longe para o cidadão comum, mas isso é um processo de construção longo. O CNJ só tem sete anos e tanta coisa já mudou no Judiciário. Queremos que a população perceba que há sim uma preocupação no Judiciário em desempenhar seu papel cada vez melhor, pois, como Poder da República, ele tem o dever de desenvolver bem suas atividades. Estamos fazendo nossa parte para melhorar.
Por que a escolha de Sergipe para sediar o encontro deste ano?
A Resolução n. 70/2009 do CNJ, que dispõe sobre o planejamento e a gestão estratégica nos tribunais, prevê que haja um rodizio de tribunais para sediar evento. Como as regiões Norte e Nordeste nunca receberam o encontro, o presidente Ayres Britto decidiu levar a sexta edição para o Nordeste, deixando a escolha do estado para o Plenário do CNJ, à luz das propostas enviadas pelos tribunais. O Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) foi único a se candidatar. Por isso a escolha foi referendada pelo Plenário, também em deferência ao Tribunal que vem, com muito esforço, cumprindo as metas estabelecidas nos encontros nacionais. O TJSE tem se destacado pela eficiência, criatividade e organização.
Quais as principais inovações trazidas pelo VI Encontro Nacional?
Haverá este ano dois painéis com convidados que não são do Judiciário para falar sobre planejamento, gestão, política judiciária, trazendo um olhar de fora. A visão de um gestor privado será apresentada pelo conhecido e bem sucedido empresário Jorge Gerdau. Teremos ainda outro painel que vai tentar trazer um olhar crítico da sociedade sobre o Judiciário, com dois painelistas: o professor doutor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e advogado Gustavo Binenbojm, e a jornalista Eliane Cantanhêde da Folha de São Paulo. Pretendemos assim tornar o encontro permeável a olhares de fora, permitindo uma discussão mais abrangente.
Outra novidade trazida pelo evento deste ano são as reuniões setoriais, entre os presidentes de cada ramo da Justiça brasileira (Estadual, Federal, Trabalhista, Eleitoral e Militar) e entre os corregedores. Qual o objetivo?
As reuniões setoriais vão permitir aos presidentes discutirem temas específicos de cada segmento da Justiça. Nos encontros anteriores, as discussões e votações de metas eram feitas com todos juntos. Este ano separamos por ramo da Justiça, para fomentar a discussão de temas específicos que afetam cada segmento. Isso vai agilizar e qualificar o debate. Será uma oportunidade que os dirigentes de tribunais terão de trocar experiências, de dialogar entre si e com os conselheiros do CNJ, pois eles participarão da coordenação dessas reuniões. A plenária final será um anúncio do que foi decidido nas reuniões setoriais para a aprovação de metas específicas.
Nos anos anteriores, as metas de destaque foram aquelas voltadas à redução do estoque processual e ao julgamento mais célere das ações. Este ano os presidentes deverão debater a fixação de meta voltada ao combate à improbidade administrativa e à corrupção. Qual a importância desse novo passo?
A gestão do acervo processual talvez seja a principal tarefa do Judiciário, encontrar formas de melhor organizar, priorizar e julgar com qualidade as ações que a sociedade demanda. Por isso as metas anteriores tratavam desse tema. No entanto, um seminário realizado no primeiro semestre deste ano, por iniciativa do conselheiro do CNJ Gilberto Martins, em comemoração aos 20 anos da Lei de Improbidade, percebemos a necessidade de se acompanhar esse tipo de ação com cuidado. Há um grande interesse da sociedade no julgamento desse tipo de causa. Interesse este legítimo, porque, se há corrupção, significa que se está tirando a escola da criança, o alimento do mais pobre, o cuidado mais atento e qualificado à saúde. Por outro lado, também é importante que o acusado de corrupção ou improbidade tenha o seu processo julgado mais rapidamente, porque, se for inocente, o Judiciário precisa dar uma resposta ágil. As ações de combate à corrupção e à improbidade em geral são causas complexas que envolvem várias áreas de conhecimento. Percebemos que é necessário um maior apoio aos juízes para a análise e julgamento desses processos. É preciso que tentemos estruturar os tribunais para que haja esse apoio.
A definição de uma comunicação estratégica para o Judiciário é outro tema que estará no centro dos debates. De que forma isso afeta a vida do cidadão e a imagem da Justiça?
No Judiciário, que é composto por membros técnicos, não eleitos pelo povo, a comunicação não é instrumento de alcance de poder, mas de busca por maior legitimação perante a sociedade. É preciso que o Judiciário comunique melhor suas preocupações enquanto administração e escute a população, mas sem dar decisões submissas à opinião pública. A Justiça brasileira faz tantas coisas boas, mas geralmente só se comunica com a sociedade de forma reativa, para responder a denúncias ou notícias negativas. É preciso que o Judiciário tenha uma postura proativa em termo de comunicação e também seja mais permeável às expectativas da sociedade.
E em termos de comunicação interna, há algum desafio?
Empiricamente costuma-se falar que o Judiciário se comunica mal para fora, com a sociedade. No entanto, um estudo realizado pelo Departamento de Gestão Estratégica (DGE) do CNJ demonstrou que também há problemas de comunicação interna. A estratégia e o planejamento definidos pelos tribunais, só são comunicados de forma satisfatória dentro de um terço dos órgãos que compõem o Judiciário. Você não pode ter decisões políticas tomadas pela alta cúpula em termos de planejamento estratégico que não sejam comunicado às bases do sistema, pois isso compromete o alcance do resultado. É preciso haver uma comunicação de mão dupla, já que essa ponta do sistema também precisa ter condições de levar seus problemas e anseios para a alta cúpula. É preciso enxergar a máquina como um grande time, se não for assim, os resultados ficam comprometidos.
Na opinião do senhor, quais são os desafios, em termos de gestão, que o Judiciário deve enfrentar nos próximos anos?
Precisamos ter a percepção de que nem sempre dá para fazer mais do mesmo, é preciso ter criatividade. Há muitas questões que precisam ser enfrentadas e há muitas saídas que precisam ser estimuladas, como a conciliação, a mediação, alterações legislativas, respeito à autonomia dos tribunais, capacitação, treinamento de servidores, estímulos à magistratura. Tudo isso faz parte de um conjunto de desafios que devem ser enfrentados permanentemente pelo Judiciário.
Editora e autor de obra são condenados a indenizar mulher que teve história divulgada sem prévia autorização
O livro publicado em 1998 referia-se a uma questão familiar que tramitava em segredo de justiça e citava o nome completo da autora da ação e de suas filhas, na época, menores de idade. Segundo uma testemunha, a autora encontrou o livro no escritório de advocacia de um amigo, o que causou grande constrangimento.
No 1º Grau, o processo tramitou na 1ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre. Os réus foram condenados ao pagamento de cerca de R$ 6 mil, por danos morais.
Inconformadas, a editora e a autora da ação recorreram ao Tribunal de Justiça.
Apelação
A autora recorreu solicitando aumento do valor estabelecido pelo dano moral. Já a editora afirmou que a obra foi distribuída em 1998, sendo assim, o caso já prescreveu. Alega também que o conteúdo da publicação é de responsabilidade integral do autor.
O Desembargador relator do caso, Artur Arnildo Ludwig, em sua decisão, citou a Súmula 221 do STJ para explicar que são civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.
Para o magistrado, mesmo a obra tendo sido distribuída em 1998, a autora só teve conhecimento da publicação em 2004. Ele explica ainda que os réus deveriam ter agido com maior cuidado com o nome da autora da ação e suas filhas, principalmente se tratando de um processo que tramitava em segredo de justiça e sem qualquer autorização.
Em sua decisão, o Desembargador relator fixou a indenização no valor de R$ 10 mil com o objetivo de inibir futuras práticas semelhantes. A editora e o autor do livro deverão pagar, solidariamente, a quantia determinada.
Também participaram do julgamento os Desembargadores Luís Augusto Coelho Braga e Antônio Corrêa Palmeiro da Fontoura.
Apelação Cível nº 70046897963




