Janaina Cruz

Janaina Cruz

O Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), Desembargador Cezário Siqueira Neto, recebeu, na manhã de hoje, 10/03, uma visita de cortesia do Presidente do Tribunal de Contas do Estado, Conselheiro Clóvis Barbosa. “É sempre um prazer receber o Presidente do Tribunal de Contas, poder trocar ideias, desfrutar da sua inteligência e colocar o Poder Judiciário à disposição dessa instituição coirmã, de forma que a gente possa melhor prestar um serviço à sociedade sergipana”, enfatizou o Presidente do TJSE.

Policiais não têm o direito de vasculhar os telefones celulares das pessoas que prendem, sem autorização judicial. Quando o fazem, a "proatividade" custa caro: leva à anulação das provas encontradas, pois foram obtidas de maneira ilegal.

Assim, considerando que os responsáveis por prender quatro suspeitos de roubar talões de cheque e cartões de crédito não tinham autorização para invadir a intimidade dos detidos, o juiz federal Ali Mazloum negou o uso de parte do conteúdo obtido pelos policiais a partir das conversas de WhatsApp nos telefones dos acusados.

Dos detidos em flagrante, dois trabalhavam em uma agência dos Correios como jovens aprendizes. Eles seriam os responsáveis por separar as correspondências bancárias e entregá-las aos outros dois homens, que pagavam R$ 100 por cartão ou talão de cheque. Todos foram acusados por associação criminosa.

A dupla que atuava dentro da agência foi acusada ainda de peculato, enquanto os outros dois responderam também pelo crime de receptação.

Ao todo, os agentes mexeram em dois dos quatro celulares, e todos foram enviados posteriormente à perícia.

O juiz Ali Mazloum conta o que foi encontrado: “As conversas entre os acusados, registradas pelo WhatsApp, denotam planejamento, aspectos econômicos da empresa criminosa e muito mais. São, portanto, relevantes os elementos captados pela perícia”, destacou, questionando em seguida se “seriam lícitas tais provas colhidas pela Polícia sem prévia autorização judicial”.

Mas o juiz federal afirma que, segundo a Constituição, as provas são nulas. Ele explicou que os arquivos guardados na memória do celular, assim como conversas de WhatsApp, estão protegidos pelo sigilo de dados definido no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal.

"Em tempos de baixo comprometimento com a Constituição Federal, parece até mesmo politicamente incorreto falar em ilicitude de provas. Vigora atualmente uma espécie de vale-tudo para enfrentar-se a criminalidade. O chamado garantismo penal virou sinônimo de impunidade para a ‘opinião pública’”, criticou Mazloum, ao invalidar as provas.

Destacando o direito à privacidade e à intimidade, o magistrado também detalhou que o cenário analisado entra na reserva de jurisdição, o que dá ao juiz “a primeira e última palavra a respeito”. “Não poderia a autoridade policial requisitar diretamente o acesso aos aparelhos celulares regularmente apreendidos a teor do permissivo legal do artigo 6º do CPP”, complementou.

Mazloum ponderou que o policial poderiam acessar, durante um flagrante, os últimos registros telefônicos de celulares ou acompanhar no viva voz conversas da pessoa detida com comparsa, mas desde que o objetivo seja localizar outros criminosos que participaram do ato ou vítimas. Não mais que isso.

“Fora dessa situação emergencial, própria do estado de flagrância, o acesso a dados do celular exige prévia autorização judicial, sob pena de nulidade da prova [...] Diante da devassa realizada pela polícia em dados de arquivos dos celulares apreendidos em poder dos acusados, a prova assim obtida é nula, devendo ser oportunamente, desentranhada dos autos, porquanto são inadmissíveis as provas obtidas por meio ilícito”, finalizou Mazloum.

As provas encontradas nos celulares foram descartadas, mas, ao fim, todos os réus foram condenados a penas alternativas, incluídos serviços comunitários e multa de um salário mínimo a ser pago a uma entidade assistencial. Isso porque as outras provas do caso não tinham relação com as conversas de WhatsApp acessadas de forma ilegal.

Nos dias 25 e 26 de abril, a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) realizará o seminário 10 Anos da Lei de Drogas – resultados e perspectivas em uma visão multidisciplinar, no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As inscrições podem ser feitas até o dia 23 de abril. A coordenação científica do evento está a cargo do ministro do STJ Rogerio Schietti Cruz.

O seminário tem por objetivo discutir a questão das drogas no contexto nacional, de forma interdisciplinar, estimulando reflexões sobre o panorama vivenciado no Brasil após dez anos de vigência da Lei 11.343/06. Dados apresentados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, revelam um aumento exponencial do número de indivíduos encarcerados por tráfico de drogas no Brasil.

Diante desse cenário, a coordenação científica do seminário objetiva apresentar e debater a política de drogas que vem sendo adotada no país e no mundo, as expectativas para uma nova abordagem do tema, as políticas públicas voltadas à assistência de dependentes químicos, o uso medicinal de substâncias proscritas, questões relacionadas a encarceramento e gênero, bem como aspectos penais e processuais na judicialização dos crimes previstos na Lei de Drogas.

A expectativa da coordenação científica é que o seminário “possa contribuir para o balanço crítico do tema. Para tanto, foram convidados juristas, antropólogos, médicos, cientistas sociais, políticos e outros profissionais de áreas diversas do saber, de modo a trazer ao debate propostas de melhoria do sistema de segurança e saúde pública e do sistema de Justiça criminal e penitenciário”.

Painelistas

Entre outros especialistas, o seminário contará com a participação da diretora-geral da Enfam, ministra Maria Thereza de Assis Moura; do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso; do ministro Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF); da professora da Universidade de Brasília (UnB) Andrea Donatti Gallassi, ex-coordenadora nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde; da secretária de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Fernanda Bassani; do desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; do médico psiquiatra José Alexandre Crippa, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP); do ex-secretário Nacional de Políticas sobre Drogas Luiz Guilherme Paiva; da doutora em toxicologia Sílvia de Oliveira Santos Cazenave; do ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame.

Temas

O seminário será dividido em uma aula magna e seis painéis, a saber: Lei 11.343/2006: histórico, expectativas e realidade; Políticas públicas e assistência à dependência química após dez anos da lei; Uso medicinal de substâncias proscritas; Encarceramento e gênero; Critérios objetivos para a diferenciação entre uso e tráfico e entre as modalidades de tráfico;e Questões penais e processuais penais na judicialização dos crimes da Lei de Drogas.

O encerramento do seminário contará com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que falará sobre os dez anos da lei.

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Fortalecer a rede de combate à violência doméstica e familiar contra as mulheres: com esse objetivo, foi aprovada, no 10º Encontro Nacional do Poder Judiciário, em dezembro de 2016, uma meta que deve ser seguida pelos tribunais estaduais brasileiros este ano.

“Com a instituição da meta, o enfrentamento da violência contra a mulher passa a integrar oficialmente a agenda do Judiciário”, afirma o desembargador Alexandre Miguel, do Tribunal de Justiça de Rondônia e Coordenador do Comitê Gestor da Justiça Estadual na Rede de Governança Colaborativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Esse fortalecimento envolve a adequação das estruturas físicas das unidades judiciárias, assim como a criação/ampliação do número de varas especializadas e também aumento do número de magistrados especializados nesse tema.

“A violência contra mulheres constitui-se em uma das principais formas de violação dos direitos humanos, atingindo-as em seus direitos à vida, à saúde e à integridade física, e que o dia a dia tem mostrado que essa violação ocorre com maior constância do que podemos supor e em várias camadas sociais”, disse Alexandre Miguel.

Mudança no cenário – Até a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei n. 11340/2006), havia apenas seis varas especializadas em violência doméstica. Foi somente em 2007, com a edição da Recomendação n. 9 do CNJ, que esse cenário começou a mudar. Hoje, os tribunais brasileiros contam com 112 varas.

Com indicador de 4,8 assassinatos a cada 100 mulheres, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking de países em feminicídio, com média de 5 mil mortes anuais, média de 13 homicídios diários, segundo do Mapa da Violência 2015.

Protagonismo – O CNJ trabalha para divulgar e difundir a Lei Maria da Penha e facilitar o acesso à justiça a mulher que sofre com a violência. Para isso, realiza campanha contra a violência doméstica, que foca a importância da mudança cultural para a erradicação da violência contra as mulheres.

“Desabafei, tirei algo de dentro do meu coração. Espero que elas voltem para gente dar continuidade”, foi assim que a detenta S.A. definiu a participação dela no pré-círculo de construção de paz realizado na tarde de hoje, 09/03, no Presídio Feminino (Prefem). O encontro com dez detentas faz parte da programação da sétima edição da Semana da Justiça pela Paz em Casa, realizada pela Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe.

Segundo Célia Souza, uma das seis facilitadoras do círculo e psicóloga da 17a Vara Cível de Aracaju, onde a metodologia de círculos de construção de paz já é aplicada há um ano com adolescentes em conflito com a lei, o objetivo no Prefem, em um primeiro momento, é analisar as necessidades de cada detenta e depois fazer o círculo com o grupo. “No pré-círculo conhecemos a história de vida delas, conversamos sobre as expectativas para o futuro, relação com a família, estigmas da carceragem. Depois, vamos montar o círculo com base na necessidade maior do grupo, que a priori será o resgate da autoestima”, explicou Célia.

“A Coordenadoria da Mulher, há algum tempo, pretendia fazer um trabalho com as detentas, pensando na questão da violência doméstica e familiar contra a mulher. Com a parceria do Núcleo Técnico da 17a Vara Cível, que é uma aplicadora incansável dessa metodologia, decidimos focar no trabalho de autoestima, para que essas dez detentas, que já estão prestes a cumprir a pena, voltem para seus lares mais fortalecidas”, disse Sabrina Duarte, psicóloga da Coordenadoria da Mulher e também facilitadora do círculo.

A diretora do Prefem, Valéria Victor, informou que a iniciativa do Judiciário é inédita. “É algo que merece ser aplaudido. Não temos psicólogos, nossa equipe é que ouve a problemática de cada interna. Então, essa vinda do Tribunal de Justiça aqui é ótima por conta disso”, elogiou a diretora do presídio, lembrando que muitas detentas ao receberem a liberdade não têm uma orientação de como podem reorganizar a vida.

“Tenho um sonho de sair daqui porque presídio não é lugar para ninguém. Eu creio que Deus está providenciando essa vitória para mim e para todas. Minha expectativa é crescer lá fora, ser quem eu era antes das drogas”, desabafou S.A., a primeira detenta a participar do pré-círculo. O círculo, que terá a participação das dez detentas e das seis facilitadoras, todas servidoras do TJSE, acontecerá ainda este mês.

Música, palestra, cuidados com a beleza e homenagens marcaram o Dia Internacional da Mulher no Fórum Gumersindo Bessa, em Aracaju. O evento foi prestigiado pelo Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Desembargador Cezário Siqueira Neto, que entregou placas e certificados a seis magistradas e seis servidoras aposentadas. Com o tema ‘Respeito por igual’, o evento destacou a importância da igualdade de gênero nas conquistas pessoais e profissionais. Atualmente, 52,5% do quadro de servidores ativos do Poder Judiciário sergipano é formado por mulheres.

“O Tribunal de Justiça tem muito a agradecer às mulheres que atuaram e atuam em seus quadros, pois se hoje somos referência nacional é porque contamos com a contribuição incansável de suas integrantes, representadas pelas homenageadas aqui presentes. O tema escolhido para este encontro reflete o crescente aumento da presença feminina e sua força de trabalho em todos os níveis da sociedade”, ressaltou o Presidente em seu discurso.

O evento foi aberto pela cantora lírica e advogada Marília Teixeira, que antes de cantar a Ave Maria de Schubert convidou todos a agradecerem pela vida e bênçãos recebidas. “Tudo se começa bem quando se começa com uma prece”, destacou. Logo após, o médico Almir Santana ministrou uma palestra sobre ‘Aids e sífilis – desafios da saúde pública’. “Com relação à mulher, o maior desafio é a prevenção na mulher casada. O outro desafio é que a mulher faça o teste e convide o parceiro para também fazer”, alertou o médico, lembrando que existem em Sergipe 5.500 casos de Aids, sendo a proporção de dois homens infectados para uma mulher.

Também foi montado no saguão do Fórum Gumersindo Bessa o ‘Espaço da Mulher’, com serviços de massagem, maquiagem, limpeza de pele e aferição da pressão arterial pelo Centro Médico do TJSE. “Achei legal, uma homenagem merecida. Foi ótimo começar o dia com uma massagem para renovar as energias”, disse a servidora Ana Paula Novais. Para a assistente social Hortência Ismerim, que optou pela maquiagem, o evento foi um grande reconhecimento. “O Presidente do Tribunal veio com todo seu estafe para nos parabenizar, proporcionando que a gente se sentisse melhor em relação à autoestima e felizes por encontrarmos pessoas tão queridas”, agradeceu Hortência.

Reconhecimento

O ponto alto do evento foi a homenagem feita a magistradas e servidoras aposentadas. Receberam placas e certificados as Desembargadoras Clara Leite de Rezende, Josefa Paixão de Santana, Madeleine Alves de Souza Gouveia e Marilza Maynard Salgado de Carvalho; as Juízas Maria José Cruz e Freitas Pimentel e Nadja Cardoso Gonçalves Torres (que não pôde comparecer ao evento por motivo de viagem); e as servidoras Anaide Moraes Leal Fonseca, Annita de Faro Menezes, Edite Fontes de Faro Franco (representada pela servidora Izaura Silva), Eugênia Andrade Vieira da Silva, Maria Angélica de Carvalho e Maria Auxiliadora Ramos Figueiredo.

“Sempre amei minha instituição e trabalhei com muita garra, empenho e uma equipe maravilhosa. Então, quero aproveitar a oportunidade e dividir essa homenagem com todas as mulheres que trabalham na Justiça e as do mundo inteiro. E dizer para as que estão chegando agora que quando abrimos estradas, elas tinham muitas pedras, não foi fácil. Há 43 anos tudo era muito diferente. Hoje em dia, temos um campo receptivo e a sociedade nos aplaude. O caminho foi doloroso, mas está aberto”, considerou a Desembargadora Marilza Maynard.

A Desembargadora Clara lembrou que fez parte de um grupo pioneiro. “Meu concurso foi o primeiro em que as mulheres se interessaram em ser magistradas. Hoje, estamos bem representadas”, destacou. Já a Desembargadora Josefa disse que é sempre bom ser lembrada. “O tempo passa, mas as pessoas ainda lembram das profissionais que fomos”, completou. A Desembargadora Madeleine ficou sensibilizada com a lembrança. “Os magistrados trabalham sem essa expectativa de reconhecimento. Mas quando isso chega nos deixa muito felizes”, agradeceu.

A Juíza Maria José Pimentel contou que foi titular em quatro Comarcas, mas como substituta atuou em quase todo o Estado. “Andei até Canindé, então, essa homenagem para mim é muito emocionante”, enfatizou. A servidora Maria Auxiliadora disse que a iniciativa foi louvável e Maria Angélica, aposentada há mais de 20 anos, contou que ficou muito feliz por ter sido lembrada. Já a primeira economista dos quadros do TJSE, Anaide Fonseca, agradeceu o Desembargador Cezário pela lembrança e a assistente social Annita Menezes disse que foi uma surpresa. “Foram 32 anos dedicados ao Tribunal, sempre procurando efetuar a justiça e a dignidade”, completou Annita.

Outras homenagens

O Vice-Presidente do TJSE, Desembargador Ruy Pinheiro, abriu a sessão do Pleno, na manhã de hoje, homenageando as mulheres e entregando uma rosa às Desembargadoras Ana Lúcia dos Anjos, Elvira Maria de Almeida e Iolanda Guimarães. Na garagem do Palácio da Justiça, o chefe da Divisão de Transportes, José Rosa Felipe Filho, distribuiu entre os motoristas botões de rosa para que eles possam presentear suas companheiras.

Em Aracaju, as ações de limpeza de pele e maquiagem também foram realizadas nos Fóruns Integrados, no Fórum Olímpio Mendonça e no Fórum Luís Carlos Fontes de Alencar. No interior, sete Comarcas tiveram ações de estética: Canindé do São Francisco, Estância, Itabaiana, Malhador, São Cristóvão (no Fórum Prof. Gonçalo Rollemberg Leite) e Nossa Senhora do Socorro, com ações no Fórum Des. Artur Oscar de Oliveira Déda e Fórum Pedro Barreto de Andrade.

Em Nossa Senhora da Glória, no Fórum Aloísio Vilas-Boas, a programação foi organizada pela equipe da magistrada Jocelaine Oliveira. Após um café da manhã, houve curso de maquiagem, exercícios laborais com educadora física, avaliação antropométrica com nutricionista, massagem relaxante, palestra sobre ergonomia no trabalho e palestra sobre empoderamento feminino.

 

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A Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe, em parceria com a Secretaria de Saúde de Nossa Senhora das Dores, promoveu nesta terça-feira, 07/03,  uma palestra para profissionais da área de saúde daquela cidade.  O evento teve o objetivo de trabalhar os servidores de uma das portas de entrada da rede para identificar, acolher e orientar sobre a questão da violência contra a mulher.  O encontro faz parte da programação da VII Semana da Justiça Pela Paz em Casa, que acontece até a próxima sexta-feira, dia 10.

 

De acordo com a secretária de Saúde do município, Cristiane Caldas, o índice de violência doméstica e sexual na cidade é alto. Ela explica que as unidades de saúde são portas de entrada das mulheres vítimas. “É importante que o profissional esteja bastante atento para os pequenos sinais. Nossa equipe está próxima da comunidade. Ela é um ponto de capacitação para que a gente possa diminuir o índice de violência”.

 

O agente de saúde Bruno Soares disse que o encontro é importante para o aprimoramento das técnicas de atendimento. “Todos nós vamos sair daqui munidos de mais informações para levar para nosso dia a dia. A ideia é que no futuro possamos colher dados que comprovem a diminuição do número de violência contra mulher”, ressaltou.

 

Segundo a assistente social da Coordenadoria da Mulher do TJSE, Shirley Amanda, a importância do curso se dá na tentativa de sensibilizar e capacitar os profissionais que atuam nos serviços especializados e na rede de atendimento a mulher em situação de violência. “A ideia é que possamos expandir esse trabalho para todo interior de Sergipe”, completou.

 

 

O Tribunal de Justiça de Sergipe, para melhor adequar-se à resolução 215 do Conselho Nacional de Justiça e sempre em busca de maior transparência e organização, alterou as funcionalidades de consulta às atas e pautas das sessões do 2º grau, agregando-as em uma só ferramenta.

A nova consulta está disponível através da opção Publicações>Atas e pautas - 2º grau. O usuário externo terá acesso tanto às pautas quanto às atas das sessões realizadas, desde que já liberadas.

Um estudante que frequentou aulas durante quatro semestres, pensando que fazia um curso superior de comércio exterior, e depois foi remanejado para o curso de administração, receberá indenização por danos morais. Ele descobriu que o curso no qual se matriculou, na verdade, não existia.

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que a situação configurou dano moral, pois houve omissão de informações por parte da Fundação Educacional Guaxupé, de Minas Gerais, principalmente no que diz respeito ao fato de que o diploma não habilitaria o aluno para o exercício de funções na área desejada por ele. Afinal, o curso de comércio exterior foi ofertado pela instituição em desacordo com as normas do Ministério da Educação, o que mais tarde levou à realocação dos alunos.

Para o relator do recurso julgado na Quarta Turma, ministro Marco Buzzi, diferentemente dos casos em que a instituição de ensino não consegue nota suficiente na avaliação do Ministério da Educação, o caso analisado trata de uma situação em que a faculdade tinha informações de que não estava apta a oferecer aquela graduação no momento em que fez a oferta do curso, ou seja, ficou nítida a propaganda enganosa.

Ao acolher o recurso do ex-aluno, os ministros definiram em R$ 25 mil o valor a ser pago a título de danos morais, além da condenação imposta por danos materiais (o valor corrigido das mensalidades pagas no período).

Falsas expectativas

O magistrado destacou que a frustração vivida pelo aluno encontra amparo nos dispositivos do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

“A situação vivenciada pelo autor, em razão da omissão na publicidade do curso pela instituição de ensino, ultrapassou a barreira do mero aborrecimento, porquanto atentou contra o direito do consumidor de não ser enganado, por criar falsas expectativas de obter um título de graduação”, disse o ministro.

A omissão de informações, segundo o relator, viola o artigo 14 do CDC, porque a instituição de ensino não foi capaz de ofertar o curso anunciado.

O ministro rejeitou o argumento de que as mudanças foram fruto da Resolução 4/05 do Ministério da Educação, já que, no momento da propaganda do curso e da matrícula dos alunos (um ano após a resolução), a instituição de ensino já tinha conhecimento da norma que modificava e readequava o curso, razão pela qual não pode alegar caso fortuito ou força maior.

A omissão de informações gerou propaganda enganosa, na visão dos ministros, e violou também o artigo 37 do CDC.

A reserva de 20% das vagas para candidatos negros nos concursos públicos para juízes já é realidade em quase todo o Poder Judiciário. As cotas foram estabelecidas em 2015 pela Resolução CNJ n. 203 com o objetivo de reduzir a desigualdade de oportunidades para a população afrodescendente na Justiça brasileira. De lá para cá, houve, pelo menos, seis concursos organizados pelos Tribunais de Justiça (TJs) – nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Sergipe, Rio Grande do Sul, Paraná e no Distrito Federal – que incluíram a cota determinada pelo CNJ.

Para o conselheiro Carlos Eduardo Dias, presidente da Comissão Permanente de Eficiência Operacional e Gestão de Pessoas, a resolução é um marco fundamental para ampliar a oportunidade de acesso das pessoas negras à magistratura. “Há um desnível muito grande social e econômico, de modo que é muito mais difícil ao negro o acesso ao sistema de ensino”, diz o conselheiro.

Na Justiça Federal, o estabelecimento de cotas nos concursos é maciço. Dos cinco Tribunais Regionais Federais (TRFs), três deles já realizaram concursos com a inclusão das cotas: o TRF da 2ª região, com sede no Rio de Janeiro e jurisdição no estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo, o TRF da 3ª Região, com sede em São Paulo e responsável por Mato Grosso do Sul e São Paulo, e o TRF da 4ª Região, com sede no Paraná e que atende a região sul do país. Na Justiça Estadual, 11 tribunais informaram ainda não ter adotado a cota apenas porque o último concurso foi anterior à norma do CNJ. No entanto, os Tribunais de Justiça do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Goiás informaram que adotarão o sistema de cotas no próximo concurso a ser realizado para magistratura.

Censo do Judiciário – Apesar de 51% da população (97 milhões de pessoas) se definirem como pardos ou negros, em todos os ramos do Poder Judiciário (Estadual, Federal, Trabalho, Eleitoral e Militar), eles são apenas 15%, de acordo com o Censo do Judiciário, realizado pelo CNJ com magistrados, em 2013. A resolução estabelece que, em cinco anos, será promovida a segunda edição do censo do Poder Judiciário, quando poderão ser revistos o percentual de vagas reservadas e o prazo de vigência da norma. “É um ajuste histórico para que a magistratura fique mais próxima da radiografia da nossa sociedade. O nosso débito ainda é muito grande, a participação de pessoas negras dentro do Judiciário ainda é mínima”, diz o conselheiro Carlos Eduardo. Para ele, todas as medidas afirmativas de inclusão visam corrigir distorções para que, no futuro, não se precise mais delas, criando uma nova cultura e consciência.

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