Sexta, 02 Dezembro 2016 17:43

II Seminário sobre Violência doméstica e familiar é realizado pela Coordenadoria da Mulher

Foi realizado hoje, 02/12, no Tribunal de Justiça de Sergipe, através da Coordenadoria da Mulher, o II Seminário sobre Violência doméstica e familiar, com o tema ‘Restaurar Relações: uma alternativa?’. O evento, que teve mais de 200 inscritos, faz parte da programação da VI Semana Nacional da Justiça Pela Paz em Casa, iniciada na última segunda-feira e que tem como objetivo alertar o público feminino e toda a população para as consequências da violência doméstica e familiar contra a mulher.

“O objetivo do seminário foi justamente trazer à discussão novas formas de intervenção na temática da violência doméstica e familiar contra a mulher. A Lei Maria da Penha inaugurou um movimento muito forte de consolidação dos direitos femininos e discussão a respeito deles, trouxe mecanismos mais efetivos de punição ao agressor, mas ainda há um espaço grande a ser preenchido no que diz respeito às políticas de atenção à mulher em situação de violência e também ao agressor para que a questão do conflito seja superada”, disse Isabela Sampaio, Juíza Coordenadora da Mulher do TJSE.

A professora Daniela Costa, doutora em Direito Penal, participou da primeira mesa redonda, sobre ‘Círculos de construção de paz’, e informou que pelo mapa da violência o Brasil é o quinto país do mundo onde mais se mata mulheres. “É uma realidade que precisa ser transformada. O procedimento restaurativo é focado nas necessidades da vítima, em reparar os danos e construir um ambiente seguro, mediado pelos facilitadores, que são profissionais capacitados para isso. A vítima, o ofensor, membros da comunidade e a família sentam em círculo, dialogam e em conjunto constroem uma solução possível para todos, focando na reparação e compromissos futuros”, explicou Daniela.

A segunda mesa redonda da manhã trouxe o tema ‘Grupos reflexivos’, e teve como um dos participantes o professor João Paulo Feitoza, da Fase, que falou o projeto ‘Viver Melhor’. Através dele, o TJSE encaminha homens que praticaram violência contra a mulher para serem atendidos em grupos coordenados pelo curso de Psicologia da Fase. Prestes a completar dois anos, o projeto já concluiu 13 grupos, com cerca de 120 pessoas atendidas. O professor disse que os resultados têm sido positivos, mas a rede de enfrentamento deve estar mais integrada para atender melhor as demandas.

“Nesses grupos os homens começam a tomar um contato consigo mesmos e resignificar seus projetos de vida, relações amorosas, afetivas e a própria violência para se conscientizarem dos seus atos e aprenderem a resolver seus conflitos de uma forma não violenta”, acrescentou Claudiene Santos, doutora em Psicologia que falou sobre a experiência de grupos reflexivos de Brasília, onde existe uma metodologia socioterapêutica, baseada no psicodrama, criada pela doutora Maria Eveline Cascado Ramos.

A programação continuou à tarde, com a mesa redonda ‘Mediação Familiar’. Uma das palestrantes foi a conciliadora e mediadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do TJSE, Carla Franco. “Nas questões familiares, onde os laços não serão rompidos definitivamente, a mediação é o procedimento mais apropriado porque trabalha a comunicação, o restabelecimento de laços eventualmente rompidos e o empoderamento das partes, porque elas mesmas são capazes de construir a melhor solução. As mediações de família são as mais exitosas, porque visam transformar o conflito. Restabelecer os laços faz com que eles prossigam a vida de maneira construtiva”, esclareceu Carla.

Na quarta e última mesa redonda do seminário foi discutido o tema ‘Terapia de casal’, que teve como um dos palestrantes o psicólogo André Nunes. “Para se chegar a um processo de psicoterapia com um casal que sofre violência, antes é necessário passar por algumas etapas: a psicoterapia individual para a mulher se fortalecer na estruturação do seu eu; quanto para o homem, para que ele entenda seu papel social. Assim, o casal querendo continuar junto, haverá uma igualdade maior de força de compreensão. Quando o respeito vem como consequência e eles ainda se amam, podem sim permanecerem juntos”, explicou André.

Durante o evento, o grupo de teatro Arte e Ação apresentou esquetes, divididas em quatro atos, mostrando uma história de violência contra a mulher. Quem participou do seminário, disse que a experiência foi enriquecedora. “Adorei o seminário, principalmente a parte do teatro porque fugiu um pouco do comum. Sempre participo de eventos com esse tema para aprender mais”, revelou Beatriz Souza Soares, aluna do curso de Direito da Unit, que participa de um grupo de pesquisa acadêmica sobre violência contra a mulher. “Notamos que na maioria dos casos as mulheres primeiro sofrem violência psicológica ou moral e só depois progride para a física, que é quando a mulher denuncia”, lamentou a universitária.