Refletir sobre atitudes que resultam em violência e desequilíbrio social, usar a educação como estratégia de prevenção e apresentar novas técnicas no ramo das artes plásticas em Sergipe são alguns dos objetivos da exposição ‘Passagem’, aberta na noite de ontem, 24/9, no Memorial do Judiciário, no Centro de Aracaju. Assinada pelo artista plástico João Santos, a exposição traz nove telas, seis desenhos e quatro instalações.
“Fomos procurados pelo artista e achamos a temática pertinente. A proposta é estimular as pessoas a refletirem sobre suas atitudes. Com isso, tentar fazer com que a violência não aconteça, seja ela física, moral, psicológica, no trânsito e em todas suas faces”, explicou Anuska Sampaio, diretora do Memorial do Judiciário, que aproveitou a oportunidade para agradecer o presente oferecido pelo artista ao Memorial, uma tela com o rosto de Sílvio Romero, jurista que dá nome ao prédio centenário.
João Santos disse que estudou a história do prédio que abriga o Memorial. “Me envolvi principalmente com o porão, onde a pesquisa que fiz lá me tocou. Nós artistas temos que ocupar espaços e a arte precisa estar onde o povo está para que ele possa senti-la e fazer uma reflexão através dela. A violência hoje é um mal que nos atinge e eu como sou sensível aos problemas sociais vim ao Memorial com essa proposta de retratar o tema”, informou o artista plástico, acrescentando que o porão do Memorial já serviu de detenção para adolescentes quando funcionava no prédio o antigo Juizado de Menores.
João Santos é natural de Capela (SE). Filho de uma vendedora de verduras e de um pedreiro, assim que concluiu o ensino médio foi morar no Rio de Janeiro, onde se especializou em fiação e tecelagem. De volta a Aracaju, em 1990, fez o curso de desenho básico com o também artista plástico Elias Santos. Estudou fotografia com o fotógrafo Márcio Garcez e, assim, aprendeu a iluminar suas telas.
A vice-presidente da Fundação de Cultura de Aracaju (Funcaju), Aglaé Fontes, visitou a exposição e teceu elogios. “Toda vez que abrimos um espaço onde a arte sergipana apareça e as pessoas podem visitar é muito importante porque não há arte no isolamento. O Tribunal está cumprindo essa missão. Outra coisa é este espaço, que independente de exposição já é carregado de história e se enriquece com a arte, seja ela figurativa ou abstrata. Esse prédio já abrigou também o Conservatório de Música, a arte já caminhou por aqui”, destacou Aglaé.
Serviço
A exposição fica em cartaz até 26/10, de segunda a sexta-feira, das 8 às 14 horas. As escolas públicas e particulares podem agendar visitas monitoradas, inclusive para o período da tarde, através do telefone 3213-0771.




