O Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), Des. Luiz Mendonça, participou, nesta segunda-feira, 23 de março, na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), da sessão especial em comemoração ao Dia da Mulher para outorga da Medalha Deputada Quintina Diniz à magistrada Iracy Mangueira. A condecoração foi concedida para a magistrada do TJSE pelos seus relevantes serviços prestados à sociedade sergipana. A iniciativa é de autoria das deputadas estaduais Maria Mendonça, Goretti Reis, Silvia Fontes e Ana Lúcia.
A Juíza Iracy Mangueira, que já atuou como delegada da Delegacia da Mulher, foi uma das idealizadoras do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) assim como pioneira na luta dos direitos da mulher, além de priorizar o atendimento às infrações cometidas contra crianças e adolescentes, crimes raciais, infrações contra prostitutas, cidadãos do segmento LGBT, portadores de necessidades especiais e idosos.
Segundo o Presidente do TJSE, o trabalho da magistrada Iracy Mangueira Marques é conhecido desde os tempos da Secretaria de Segurança Pública, quando ele foi o secretário. “Como magistrada tem sido uma revelação, como foi enquanto delegada de polícia. É uma homenagem justa que se presta às mulheres e nos sentimos honrados por ser uma mulher que integra o Judiciário sergipano, o que eleva a Justiça como um todo e recebemos isso como um reconhecimento da mulher na condição de magistrada, que desempenha um papel reconhecido pelo Legislativo estadual. Fico muito feliz em poder prestigiar esse momento”, comemorou o Des. Luiz Mendonça.
A homenageada foi saudada pela Deputada Ana Lúcia que em seu discurso destacou a origem familiar da magistrada. “Foi no contexto de resistência à Ditadura que nasceu Iracy, filha que é do companheiro Wellington Mangueira. Oriunda da escola pública sempre lutou, desde os tempos de líder estudantil que foi, como delegada e agora na condição de magistrada, por uma concepção de mundo mais justo, igualitário e humano. A minha felicidade é muito grande em poder, em nome da Alese, homenagear a Dra. Iracy”, constatou a parlamentar.
A Deputada Goretti Reis, que presidiu a sessão especial, afirmou que as mulheres sergipanas estavam sendo muito bem representadas naquele momento. “A Juíza Iracy Mangueira Marques é uma mulher brilhante. Prestou excelentes serviços aos sergipanos como delegada e continua a realizar o mesmo trabalho como magistrada”, comentou.
A Juíza Iracy Mangueira Marques agradeceu a homenagem recebida do Legislativo e a presença de familiares, de colegas delegados e dos magistrados. Em seu discurso a magistrada afirmou que “sinceramente, as mulheres ainda não são tratadas com igualdade e que o lugar da mulher é onde efetivamente ela deseje estar”.
Ainda de acordo com a magistrada, a homenagem recebida foi, principalmente, pelo seu papel como delegada na criação do DAGV. “Quero registrar a feliz coincidência do Secretário de Segurança Pública à época e atual Presidente do TJSE, Des. Luiz Mendonça, estar presente nesta cerimônia, pois foi graças a ele que o nosso sonho de criar o departamento se tornou realidade”, agradeceu a magistrada.
Prestigiaram também a homenagem a Drª Iracy Mangueira Marques, as Juízas Cláudia do Espírito Santo, Fabiana Bastos e Heloísa Castro Alves.
A Medalha
A Medalha Deputada Quintina Diniz foi instituída em maio de 2007, atendendo a projeto de resolução de autoria da então Deputada Susana Azevedo (PSC). A medalha foi criada como forma de homenagear as mulheres pela passagem do Dia Internacional da Mulher. Quintina Diniz foi a primeira deputada estadual constituinte de Sergipe eleita, em 1934, aos 57 anos.
Quem foi Quintina Diniz
A professora Quintina Diniz de Oliveira Ribeiro nasceu em 1878, em Laranjeiras, e exerceu o magistério na antiga Escola Normal e manteve, em Aracaju, o Colégio Sant"Ana, que funcionou na avenida Rio Branco e depois na rua Maruim até a década de 40. Sua vida política teve início em 1934, quando foi eleita a primeira mulher deputada estadual constituinte pela UDN, durante o curto período de organização democrática da chamada República Nova. Ela ajudou a escrever a Constituinte de 1935.
A Deputada Quintina Diniz, que morreu aos 64 anos, em 1942, foi a primeira mulher sergipana a ter esse tipo de participação política, decorrente tanto das suas ligações de família quanto de seu engajamento nas causas do seu tempo, incluindo o movimento feminista que empolgou e destacou algumas mulheres, em todo o Brasil. Depois dela, as mulheres só voltariam a ser representadas na Assembleia Legislativa de Sergipe, 20 anos mais tarde; em 1954, com Núbia Nabuco Macedo, esposa de Francisco de Araújo Macedo, líder do Partido Trabalhista Brasileiro, em Sergipe.




