Sábado, 04 Março 2006 14:43

TJ vai comemorar dia da mulher com palestra e poesia

O Dia Internacional da Mulher vai ser comemorado pelo TJSE de uma forma diferente de outros anos. Um recital de poesias de João Passos Cabral, feito pelo prof. João Costa, vai abrir o evento. Em seguida, a prof. dra. Anamaria Bueno, da Universidade Federal de Sergipe, fará uma conferência com o tema: Maria Rita Soares de Andrade (1904-1998): a presença feminina no campo do Direito. Essa ilustre sergipana foi a primeira mulher a ocupar o cargo de juiz federal no Brasil.

 

Ao abordar o tema, a conferencista vai apresentar aspectos da condição feminina no campo do Direito. Segundo Anamaria Bueno, homenagear a dra. Maria Rita é uma maneira de resistir ao conformismo e de oferecer uma oportunidade de reflexão às mulheres e homens da atualidade.

 

Em Sergipe, a maioria dos cargos de juiz de Direito é ocupada por profissionais do sexo feminino. São 60 mulheres e 55 homens. A primeira mulher a assumir a função de juíza de Direito no Estado é a magistrada que hoje ocupa a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral, desa. Josefa Paixão de Santana. Além dela, outras três mulheres compõem o Tribunal Pleno: as desembargadoras Clara Leite de Rezende, Célia Pinheiro da Silva e a atual presidente do Poder Judiciário estadual, a desa. Marilza Maynard Salgado de Carvalho.

 

A homenagem às mulheres acontece às 17h30min da próxima quarta-feira, 8 de março, no auditório Gov. José Rollemberg Leite, localizado no térreo do Palácio da Justiça. 

 

Biografia de dra. Maria Rita:

 

Maria Rita Soares de Andrade nasceu em Aracaju. Foi aluna do Atheneu Sergipense, diplomou-se em Direito em 1926, na Faculdade de Direito da Bahia. Foi a única mulher da sua turma e a terceira sergipana a se formar em Direito. Prestou concurso como Livre-Docente para o Atheneu Sergipense, para a cadeira de Línguas Neo-Latinas e Literatura Brasileira, ocasião em que apresentou a tese A mulher na literatura, em 1929. Criou e manteve a Revista Literária Renovação entre 1931 e 1934. 

 

Como advogada manteve um escritório que oferecia assistência gratuita às mulheres e atuou em associações feministas como a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e a União Universitária Feminina. 

 

Em 1938 mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi professora no Colégio Pedro II, e intercedeu a favor dos perseguidos políticos do Estado Novo e posteriormente, em 1950, prestou assistência aos militares que participaram do movimento rebelde de Aragarças. Foi a primeira mulher a integrar o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, representando o Conselho do Estado da Guanabara e em 1967 tornou-se a primeira juíza federal do Brasil, exercendo a magistratura até aposentar-se em 1974. 

 

Colaborou nos jornais de Sergipe e do Rio de Janeiro, e apresentou diversas teses no campo do Direito. Esquecida por muitos e lembrada por alguns pela sua forma corajosa de enfrentar desafios e os limites impostos às mulheres do seu tempo.