Sexta, 16 Março 2012 17:14

Desembargador Edson Ulisses participa de evento sobre Comissão da Verdade

O Desembargador Edson Ulisses de Melo, Ouvidor do Tribunal de Justiça de Sergipe, compareceu na noite de ontem, dia 15, ao evento promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania que tratou sobre os trabalhos que serão desenvolvidos pela Comissão Nacional da Verdade. Também estiveram presentes o coordenador do Projeto ‘Direito à Memória e à Verdade’, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana, militantes perseguidos na época da ditadura, representantes de diversos órgãos do Estado, estudantes, professores e sociedade civil.

Durante a reunião, foi destacada a importância da instalação de um Comitê no Estado para subsidiar os trabalhos da Comissão, como também a necessidade de investigação dos casos de tortura, assassinatos, desaparecimentos e abertura dos arquivos da época do regime militar para que a verdade venha à tona e a democracia avance, dando aos familiares das vítimas a possibilidade de fazer a justiça esperada há anos.

“A importância dessa Comissão é procurar encontrar a nação brasileira com sua história real. Fazer com que a revelação da verdade evite a repetição do período de obscurantismo, quando os direitos humanos foram postergados”, comentou o Desembargador Edson Ulisses, acrescentando que o evento realizado em Aracaju prova que Sergipe está em sintonia com os interesses do país, agora redemocratizado.

Para o secretário de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania, Luiz Eduardo Oliva, a criação de um Comitê possibilitará o avanço da democracia. “Ainda há muitas famílias que vivem o tormento de não saber o que foi feito com os corpos de seus familiares. Esse Comitê servirá para promover um recomeço e proporcionar que a nação acabe com esses fantasmas”, revelou Oliva.

Milton Coelho de Carvalho era militante sindical do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ainda guarda sequelas dos tempos da ditadura militar. “Eu fui sequestrado, preso, torturado. Ainda tenho as marcas das algemas em meus braços e perdi a visão. Apoio esta tentativa do Estado em criar o Comitê, porque os países que o fizeram, avançaram e muito nesta questão”, disse Milton.

O advogado Wellington Mangueira também foi vítima de tortura quando militante do PCB. “Eu fui perseguido e torturado muitas vezes. Não podemos viver como esses atos de crueldade não tivessem acontecido. Precisamos fazer justiça, não o revanchismo que tentam rotular, mas fazer justiça”, enfatizou Mangueira.

Implantação do Comitê

A implantação do Comitê da Verdade em Sergipe deverá seguir duas etapas. Na primeira, será feito um relatório geral, com conteúdos que relacionem a época desde a prisão de Seixas Dória até o ano de 1988. Já na segunda, ocorrerá uma investigação envolvendo todos os crimes de tortura. Gilney Viana, ressaltou que, anteriormente, já foram realizadas comissões com o intuito de fazer alguns levantamentos e por isso existe um acervo muito grande de informações e arquivos com dados sobre perseguições políticas.

Fonte: Maíra Ribeiro / Ascom – SEDHUC / Foto: Marcelle Cristinne