Gostar de lidar com pessoas, desenvolver a capacidade de enxergar os diversos lados de um problema, ter sensibilidade e ser perspicaz. Estas são as principais habilidades desenvolvidas pelos profissionais que coordenam as audiências da Semana Nacional da Conciliação. Em Sergipe, os conciliadores afirmam que muito mais que solucionar o litígio entre duas partes, eles buscam a cultura da pacificação social.
A conciliadora Carla Franco contou que se sentiu gratificada, nesta quarta-feira, ao término de uma conciliação entre tia e sobrinho. Desde 2008, as partes brigavam na Justiça por uma reintegração de posse. "Eles não estavam nem se falando e, ao final, o sobrinho pediu para dar um abraço na tia. Mas eu tive que insistir o tempo todo e tentei mostrar que acima daquela briga eles deveriam resgatar laços. Foi um caso muito gratificante porque atingimos algo maior. Eles saíram abraçados", comentou Carla.
Outro processo que tramitava há muito tempo também terminou em acordo com a ajuda da conciliadora Andréa Linhares. Tratava-se da emissão de posse de um apartamento que já havia sido vendido, mas o mutuário não queria sair do imóvel. "O inquilino, que não pagava aluguel, queria comprar, mas disse que só pagava R$ 50 mil. O proprietário, que comprou o imóvel para filha, só queria vender por R$ 70 mil. Depois de uma hora, eles chegaram a um acordo e o inquilino vai comprar o apartamento, onde mora há seis anos, por R$ 65 mil", contou Andréa.
Ela disse que os ânimos chegaram a ficar exaltados entre o pai da requerente e o advogado do requerido, que ameaçou deixar a sala. Depois de uma hora de conversa, eles fecharam o acordo, deram um aperto de mão e o dono do imóvel até se comprometeu em ajudar o inquilino com a documentação que deve ser levada ao banco. "Eu senti que o requerido saiu aliviado, como se tivesse tirado um peso das costas. E eu me senti com a sensação de dever cumprido porque estamos aqui para isso e não só para realizar as audiências", enfatizou Andréa.
Para a supervisora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania do Fórum Gumersindo Bessa, Hortência Cardoso, o mais gratificante para o conciliador é fazer com que as partes se sintam melhores. "As pessoas chegam tensas à audiência porque não estão acostumadas com isso. Então, a gente conversa, mostra as possibilidades de solução, analisa os diferentes pontos de vista do problema. Quando o conciliador é bem treinado e vê que há possibilidades para as partes, ele consegue conciliar. Mas, além disso, as pessoas precisam voltar a dialogar", opinou Hortência.
Semana Nacional
A sexta edição da Semana Nacional da Conciliação - que começou segunda-feira e termina na sexta, dia 2 de dezembro - tem como tema "Conciliar é a forma mais rápida de resolver conflitos". Este ano, a Semana focou suas atividades nas demandas judiciais em massa envolvendo os maiores litigantes do país, como as agências reguladoras, bancos, empresas de telefonia, entre outros. Em Sergipe, nos dois primeiros dias, das 594 audiências realizadas, 151 resultaram em conciliação.




