Técnicas de mediação, mediação empresarial e mediação trabalhista foram alguns dos temas discutidos neste segundo dia do I Congresso Internacional de Mediação de Conflitos. O evento teve início na noite de ontem, dia 14, no auditório do Palácio da Justiça, no Centro de Aracaju, e prossegue até amanhã. O assunto atraiu a atenção de estudantes de Direito, advogados, Magistrados, Promotores, Delegados de Polícia e outros operadores do Direito.
O primeiro painel da tarde de hoje teve como tema os aspectos gerais da mediação. A psicanalista e doutora em Direito Civil pela USP, Giselle Groeninga, falou sobre a formação do mediador. "A mais importante qualidade do mediador deve ser a empatia. Ele deve se colocar no lugar do outro, não necessariamente para aliviar o sofrimento, mas para compreender, abraçar e entender a angústia presente nos conflitos humanos", definiu.
Mediação comunitária e empresarial foi o tema do segundo painel da tarde. A advogada Aguida Arruda Barbosa falou sobre a mediação no planejamento sucessório e nas empresas familiares. "A mediação não pode ser vista apenas como uma resolução de conflitos porque ela não é uma conciliação. Nessa área, principalmente para as empresas familiares, a mediação pode ser vista como algo preventivo", esclareceu a palestrante. Ela falou ainda que o mediador deve ser alguém capacitado, com formação superior e uma visão multidisciplinar.
No terceiro e último painel de hoje foi discutida a mediação trabalhista e o relator foi o professor Domingos Zainaghi. "Na mediação, sobretudo na área empresarial, é utilizado um sistema de ganha-ganha, ou seja, os dois litigiantes devem sair de uma mesa de negociação com a sensação de que ganharam. Na mediação que eu trato, falo como as empresas podem melhorar a solução de conflitos com seus públicos interno e externo, sem o peso da mágoa, da raiva e do ódio", explicou Domingos.
A Presidente do Instituto Latino-Americano de Direito e Seguridade Social, Martha Monsalve, informou que a mediação para o direito laboral foi, inclusive, transformada em lei na Colômbia. "Tudo que se configura em um acordo entre as partes interessadas para solucionar um conflito é algo importante", acrescentou Martha, que falou sobre a mediação na perspectiva da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O advogado José Carlos Montalvão participou do Congresso e elogiou a iniciativa. "A importância maior desse evento é a interação entre a Universidade Federal de Sergipe e o Tribunal de Justiça, fazendo com que novas pessoas comecem a analisar a mediação como forma alternativa, evitando o Judiciário em todas questões que podem ser resolvidas com um diálogo, uma negociação", opinou o advogado, lembrando que em Sergipe existe, na área privada, a Câmara de Mediação e Arbitragem Empresarial, que atua junto à Associação Comercial de Sergipe.




