Quarta, 14 Setembro 2011 13:27

Aberto no TJSE I Congresso Internacional de Mediação de Conflitos

Resolver problemas de forma autônoma, em que as próprias partes dialogam e buscam um acordo é o principal objetivo da mediação de conflitos, cultura de pacificação que cada vez mais ganha espaço no Poder Judiciário. Tanto que o Tribunal de Justiça de Sergipe e a Universidade Federal de Sergipe estão realizando, até sexta-feira, o I Congresso Internacional de Mediação: da teoria à prática.

A abertura do evento aconteceu na noite do dia 14, no auditório do Palácio da Justiça, no Centro de Aracaju. O Presidente do TJSE, Desembargador José Alves, esteve presente e disse que o Judiciário sergipano está na contramão da discórdia. "Como integrante do Judiciário sergipano, com magistrados de grande porte e um corpo de funcionários de primeira qualidade, não poderia estar na contramão da paz e da harmonia. Quando fui procurado por um casal de professores da UFS me propus a dar todo apoio a este evento", destacou o presidente.

A coordenadora do Congresso, Professora Doutora Luciana Aboim, enfatizou que o objetivo do evento é disseminar a mediação e também apresentar os resultados do projeto de pesquisa "Mediação Interdisciplinar: um caminho viável à autocomposição dos conflitos familiares", realizado por ela em parceria com o TJSE. O projeto piloto foi desenvolvido na Vara de Assistência Judiciária de São Cristóvão, sob a direção da Juíza Adelaide Moura, e no âmbito penal, no Departamento de Apoio a Grupos Vulneráveis, sob a direção da Delegada Georlize Teles.

Para a Delegada de Polícia Georlize Teles, a mediação de conflitos é de suma importância para a sociedade. "Os problemas são resolvidos pela lógica do diálogo, restaurando a convivência. Estamos caminhando para a busca de uma outra forma de resolver os conflitos. Vejo isso com satisfação e felicidade porque teremos uma sociedade mais pacífica e justa", opinou a delegada. O evento foi aberto com o Hino Nacional, na voz da cantora Amorosa. Logo após, houve uma conferência sobre o tema do congresso.

O Professor Doutor Antônio Rodrigues de Freitas Júnior falou sobre o conceito de conflito. "Por conflito podemos designar uma série de coisas ou chamar uma circunstância em que dois sujeitos discutem e não são portadores da mesma visão sobre a forma justa de resolver aquela disputa. A ideia é ter um conceito de conflito que nos permita organizar nossos métodos e separar aquilo que requer uma intervenção específica. Nas hipóteses de Justiça, existem situações conflituais as quais melhor se ajustam um tratamento em nível de mediação do que propriamente intervenção jurisdicional", explicou Freitas.

Já o Professor Doutor Juan Carlos Vezzulla falou sobre a história da mediação e sua situação atual no mundo. "Em cada região de cada país, a mediação tem uma característica diferente. Os Estados Unidos e o Canadá foram os primeiros a desenvolver e aplicar a mediação, mas hoje em dia os países nórdicos têm um desenvolvimento importante. A mediação definitiva vem dos costumes de países da África e Ásia, onde a própria comunidade trabalha para resolver seus problemas", comentou.

A noite foi encerrada com a apresentação do Orquestra Sanfônica. O congresso prossegue, no Palácio da Justiça, nesta quinta e sexta-feira, com oficinas pela manhã e palestras à tarde.