Quinta, 28 Julho 2011 13:20

Aberta exposição sobre o Cangaço no Memorial do Judiciário

Não foi por acaso que o Memorial do Judiciário abriu hoje, dia 28 de julho, a exposição "No Rastro do Cangaço", que prossegue até 2 de setembro. É que há exatos 73 anos, Lampião e parte do seu bando foram executados em Sergipe pela Volante, mais precisamente na Grota do Angico, fazenda localizada entre os municípios de Poço Redondo e Canindé, às margens do rio São Francisco.

Conforme o Diretor do Memorial, Igor Dantas, a exposição traz adornos, fotos, objetos e a participação da Justiça na história do Cangaço através de documentos da época. "Não queremos entrar no mérito se Lampião foi herói ou bandido, isso fica sob a responsabilidade dos pesquisadores", enfatizou o Diretor em seu discurso de abertura.

Para o curador da exposição, Rafael Cerqueira, o Cangaço deixou um forte legado para os nordestinos. "O cordel, a música, as vestimentas, o jeito de falar", comentou Rafael, lembrando que Lampião e alguns homens do bando foram processados em Sergipe por diversos crimes. "Inclusive, um Juiz sergipano daquela época proferiu uma sentença contra Lampião sem ele ter comparecido ao julgamento", contou.

O Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Desembargador José Alves Neto, prestigiou o evento. "Esta exposição mostra uma história que teve seus efeitos negativos, mas que fez parte dos acontecimentos da época, oriundos de desigualdades sociais", opinou o presidente. Para o escritor Murilo Melins, o Cangaço foi um episódio da história brasileira que ainda hoje merece ser lembrado.

Sobrinha-neta de Antônio Caxeiro, Maria Angélica de Carvalho fez questão de prestigiar a exposição. "Meu avô (como ela chamava o tio-avô) era um homem de bem, de fibra, de muita moral. Lampião o respeitava muito e quando eu era adolescente ouvi muitas histórias sobre o bando, que meus avós e meus tios contavam. Algumas eram tristes, outras bonitas", revelou.

Para o Secretário adjunto de Estado da Cultura, Marcelo Rangel, o Judiciário sergipano está cumprindo o papel de fomentar a cultura. "É uma exposição de alto nível, com documentos raríssimos e fotos da época. Ficamos muito felizes ao vermos que temos mais um parceiro na promoção da cultura", elogiou o Secretário, que sempre prestigia os eventos promovidos pelo Memorial do Judiciário.

A Diretora do Memorial de Sergipe, Fabiana Carnevale, disse que a exposição é uma boa oportunidade para que estudantes e turistas vejam o Cangaço de outra nuance. "Há gravuras, objetos, fotos, documentos, música, enfim, uma exposição completa. Está muito bonita", ressaltou.

Além do Memorial de Sergipe - localizado na avenida Beira Mar, 626, em Aracaju - também contribuíram para a exposição o Museu Histórico de Sergipe, em São Cristóvão, e o Museu do Cangaço, em Frei Paulo. Outra importante contribuição foi do cordelista João Firmino Cabral, que compôs os versos do cordel do livreto preparado especialmente para a exposição.

"Quem é nordestino sabe / como surgiu o Cangaço / a causa foi o atraso / a injustiça, o fracasso / a falta de educação / no sertão seco e escasso", diz a primeira estrofe do cordel. Também abrilhantaram o evento cinco alunas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom José de Vicente Távora, que apresentaram um balé-forró.

Confira

O acesso à exposição "No Rastro do Cangaço" é gratuito e as visitas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8 às 14 horas. Escolas podem agendar uma visita monitorada através dos telefones (79) 3213-0219 ou 3213-0771. O Memorial do Poder Judiciário de Sergipe funciona no Palácio Sílvio Romero, localizado à Praça Olímpio Campos, 417, Centro de Aracaju. Mais informações podem ser obtidas através dos telefones ou do site www.tjse.jus.br/memorial.