O Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargador Luiz Mendonça, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, dia 19, relatando o atentado sofrido ontem, dia 18, quando se deslocava de sua residência em direção ao Tribunal de Justiça de Sergipe para participar da sessão plenária.
O Desembargador disse confiar em Deus e na polícia do Estado de Sergipe e garantiu que não irá se intimidar com o fato ocorrido. "Eu acredito muito na força divina e acredito muito na sorte. Confio também plenamente na polícia de Sergipe, naqueles que integram a Secretaria de Segurança Pública, pois os conheço, porque fui Secretário de Segurança Pública. Não me sinto intimidado com nada, e vou trabalhar hoje da mesma forma que sempre trabalhei".
Quando questionado sobre a suspeita do crime ter sido encomendado por Floro Calheiros, um foragido da polícia sergipana que havia cometido em Canindé do São Francisco, a cerca de 200 quilômetros da capital de Sergipe, crimes de desvio de dinheiro público, pistolagem e corrupção, o Presidente do TRE/SE foi cauteloso e disse não poder atribuir o crime a qualquer um, por não haver nenhum indício que o levasse a esta conclusão.
"Eu não posso afirmar ser ele o autor, eu estaria cometendo uma injustiça. Não é função nossa precipitar-se em qualquer ordem de investigação, porque esta tem várias tendências e indícios a serem apurados. Sei que este cidadão tem um histórico de crimes, e às vezes pode-se até haver uma injustiça em apontá-lo como mandante", disse.
O Desembargador Luiz Mendonça também lembrou de uma ameaça sofrida em 2001 que teria sido motivada pela investigação que ele comandou como promotor de Justiça no município de Canindé de São Francisco, mas não quis relacionar este fato ao ocorrido ontem. Ele ainda declarou que, hoje, o ânimo para o trabalho foi redobrado, se comparado ao daquela época.
"Meu irmão que era sacerdote - ele já faleceu - certa vez recebeu um telefonema - quando eu estava investigando em Canindé - que dizia para ele preparar, na condição de sacerdote, para dar a extrema unção ao irmão dele promotor por conta da impertinência, e por conta do trabalho que ele vinha desenvolvendo em Canindé do São Francisco. Meu irmão, padre, ficou muito abalado e eu lhe disse que não se preocupasse, que eu me sentiria muito orgulhoso de ter a extrema unção sendo feita por um irmão. Naquele momento, eu criei mais ânimo para trabalhar, naquele momento eu senti necessidade cada vez maior de proteger aquelas pessoas que estavam submissas a um grupo voltado exclusivamente para o crime".
Questionado sobre a existência de uma suposta lista de execução contendo nomes de autoridades, o Desembargador atribuiu-a a "boatos" e quanto à possibilidade do crime ser de motivação política, o presidente descartou: "Eu descarto totalmente, porque conheço todos os políticos de Sergipe. A eleição está sendo conduzida de forma pacífica, ordeira sem qualquer desmando".
O presidente do TRE-SE contou detalhes sobre o momento do atentado e sobre como reagiu depois de ser abordado pelos atiradores e encerrou afirmando desconhecer inimigos. "Eu não tenho desafeto algum, cumpro apenas o meu dever. Todos em Sergipe me conhecem, venho do Ministério Público, tive uma atuação que me orgulha, porque os crimes de maior repercussão sempre fui indicado na apuração, porque confiavam no meu trabalho".




