Quarta, 21 Julho 2010 12:38

Arquivo do Judiciário investe em pesquisas on-line

A cada ano, tem crescido a demanda por pesquisa eletrônica ao acervo do Arquivo Judiciário na internet. A afirmação é da chefe do Arquivo, professora mestre Eugênia Andrade, durante visita de alunos do curso de Museologia da Universidade Federal de Sergipe na terça-feira, 20.

Ela argumentou que a instituição vem se preparando para essa mudança da cultura em pesquisa.  Ao disponibilizar on-line todos os instrumentos técnicos já publicados pelo Arquivo, a exemplo de catálogos e guias de fontes, o pesquisador vê otimizado seu tempo de estudos, pelo acesso rápido a informações essenciais. Assim, ele pode focar em um tema ou fazer uma visita panorâmica ao acervo. Essa nova realidade se contrapõe ao passado recente, em que a demanda de público era considerada apenas pela quantidade de pessoas na sala de pesquisa.

Eugênia Andrade falou de projetos para tornar mais conteúdo disponível na rede mundial também como forma de preservar os originais. Muitos deles estão fisicamente comprometidos pela ação de agentes nocivos, como fungos e insetos. Depois da aplicação de procedimentos de conservação e restauro, a digitalização oferece facilidade para o pesquisador e descanso para os originais, que não precisarão mais ser manuseados. Daí à publicação no Portal www.tjse.jus.br/arquivojudiciario é um passo com grande significado, já que a maioria do acervo, desde 1655, ainda está por ser estudado.

Visita

Os 15 alunos de Extensão em Pesquisa Museológica que tiveram um encontro com as fontes judiciais vieram conduzidos pela Professora Janaína Melo, como parte das visitas a instituições de pesquisa em Aracaju.

Logo de início, os estudantes souberam que, no Arquivo Judiciário, convivem duas das três idades documentais: depois da fase corrente, com o trânsito em julgado dos processos, inicia-se a fase intermediária, em que são constantes as solicitações para consultas, sendo a guarda determinada por questões legais, administrativas ou financeiras. Por último vem a fase permanente, quando a guarda é determinada pelo valor histórico.

"Os arquivos são a base da informação. Não é só memória", destacou a chefe do Arquivo ao falar sobre a grande demanda de atendimentos para comprovação de direitos. Muitas partes e advogados vêm ao Arquivo diariamente em busca de cópias de documentos.

Foram mencionadas também as diferenças de pesquisa em arquivos e bibliotecas, pois muitos pesquisadores solicitam o que o Arquivo dispõe sobre determinado tema, como é feito em bibliotecas. Os estudantes entenderam que, em arquivos judiciários, a pesquisa é indireta, pois precisa de elementos de referência, como classificação processual, capazes de fornecer o resultado pretendido. "Um documento pode oferecer várias visões a depender do olhar", concluiu Eugênia Andrade.