O Memorial do Poder Judiciário abriu, nesta quinta-feira, dia 13 de maio, a exposição "Resistência, do cativeiro às ruas: a luta dos escravos em prol da liberdade". A exposição que faz uma alusão aos 122 anos da Abolição da Escravatura no Brasil, com a assinatura da Lei Áurea, mas traz a resistência como foco da exposição.
De acordo com a Diretora do Memorial, Renata Mascarenhas, entre os objetivos está elucidar a participação da Justiça no processo de abolição, apontar as variadas formas de resistência ao escravismo e mostrar como a imprensa se comportava diante do fato.
Dividida em três módulos, a exposição traz no primeiro o tema da escravidão em Sergipe, pontuando as formas de resistência utilizadas pelos escravos na busca pela liberdade. Composta por textos abolicionistas, imagens de documentos do Arquivo Judiciário e objetos cedidos pelo Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e Museu Afro de Sergipe.
O segundo módulo traz como tema "a justiça sergipana no processo de abolição", também composta por documentos, recortes de jornais sergipanos e trechos dos relatórios de Presidentes de Província. Já o terceiro módulo mostra como os negros foram torturados. Na sala, o visitante pode encontrar alguns instrumentos de suplício, utilizados como forma de castigo, poemas e textos de abolicionistas sergipanos e plotagens das pinturas de Jean Baptiste Debret.
Historiadores que estiveram na exposição, na noite de abertura, avaliaram como inovadora a temática da exposição. "Acreditar que o negro assistia passivamente a todo esse processo humilhante é um grave engano, pois o escravo resistiu bravamente, até como uma forma de sobreviver. E é o que se pode encontrar nesta mostra", disse o diretor do Museu Histórico de Sergipe, Thiago Fragata.
O curador da exposição, Rafael Santa Rosa, explicou que a atuação da justiça na época escravocrata foi determinante para o cumprimento de leis que já estavam em vigor antes da Lei Áurea, como a Lei do Ventre Livre e a do Sexagenário. "No tocante à presença da Justiça sergipana nesse processo são apresentados documentos judiciais concernentes à escravidão, e que revelam, por exemplo, denúncias de maus tratos e até de mortes de escravos à Justiça, e também de mulheres que acusavam os senhores de escravizar crianças protegidas pela Lei do Ventre Livre", disse.
Apresentações de palestras e documentários que retratam a escravidão e a luta pela liberdade também fazem parte da mostra. A exposição ficará aberta ao público até o dia 09 de julho de 2010.




