Brincadeiras, lanches, distribuição de brinquedos e, principalmente, troca de carinho. A Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de Sergipe comemorou o Dia das Crianças, na tarde de hoje, dia 09, com o I Encontro Interativo do Programa de Apadrinhamento Ser Humano, reunindo quase 300 crianças e adolescentes que vivem em 12 abrigos da Grande Aracaju. Também compareceram à festa, realizada no Clube de Engenharia, no bairro Atalaia, os padrinhos e madrinhas do Programa Ser Humano, que tem como objetivo levar aos abrigados apoio afetivo, auxílio material e acesso a serviços essenciais.
A técnica em informática Simone Novais é madrinha na modalidade afetiva de dois irmãos, de 4 e 5 anos, que vivem no Abrigo Gilton Feitosa, na cidade de Nossa Senhora do Socorro. Quinzenalmente, ela os leva para casa e dá todo o carinho que faltou na família biológica. Neste feriadão, além deles vai levar mais três irmãos do mesmo abrigo. "A minha intenção é cuidar deles e dar estrutura de vida até onde eu puder, independente da idade. Até quando ficarem homens, se eu ainda estiver viva, seria madrinha", revelou Simone.
A produtora de mel Andréa Oliveira já tem duas filhas adotivas, uma de 10, que tem paralisia cerebral, outra de 8 anos e uma afilhada de 7. A família já tem um histórico de adoção. "Minha mãe levou um bebê para casa quando tinha só 15 anos. Minha avó deu o maior apoio e eles foram criados como irmãos. Na família do meu marido também existem crianças adotadas", contou Andréa. Para ela, a Justiça deveria apenas "ser mais flexível com os possíveis pais adotivos e mais punitiva com os pais biológicos que abandonam os filhos".
Além dos padrinhos e afilhados, alunos do 9º ano e do ensino médio do Colégio Saint Louis também contribuíram para o sucesso da festa. Eles conseguiram arrecadar 163 brinquedos novos, dos 300 distribuídos pela CIJ, durante a gincana da escola. "Estamos conhecendo um lado da vida que é novo para gente e que serve para nossa formação como seres humanos. Aprendemos muito com essas crianças", declarou Bruno Mota, de 17 anos, aluno do 2ª série do ensino médio.
A juíza-coordenadora da Infância e da Juventude do TJSE, Vânia Ferreira de Barros, lembrou que o Programa Ser Humano foi lançado em fevereiro deste ano e teve grande adesão da sociedade sergipana. "Era um projeto sonhado, há algum tempo, pelas pessoas que militam na área da infância e juventude", comemorou a juíza, lembrando que a festa de hoje foi totalmente patrocinada por empresas e por pessoas físicas, sem custo algum para o Tribunal de Justiça.
Os donos da festa aprovaram a ideia. "Foi uma tarde maravilhosa. Brinquei, tomei lanche, ganhei brinquedo e ainda encontrei minha madrinha", contou uma adolescente de 13 anos, que há três vive no Abrigo Projeto Esperança. A madrinha dela, a analista judiciária Denise Rambo, costuma levar mais garotas do abrigo para passear nos finais de semana. "Levo elas para minha casa, para o shopping, para a praia. Na hora de irem embora é uma tristeza", contou Denise.
A Coordenadoria da Infância e Juventude considera que as relações afetivas são essenciais ao desenvolvimento de crianças e adolescentes e, compreendidas dessa forma, seu fortalecimento é imprescindível ao sucesso do Programa de Apadrinhamento Ser Humano.




