Lançado em fevereiro deste ano, o Programa de Apadrinhamento Ser Humano, desenvolvido pela Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de Sergipe, já conta com o cadastramento de mais de 50 padrinhos e madrinhas. No último dia 20, o Sergipe Notícias 1ª edição, da TV Sergipe, exibiu uma matéria sobre o assunto (clique aqui para ver), feita pela repórter Dânia Matos.
Uma das madrinhas entrevistadas foi Kátia Lima, servidora do TJSE, que aderiu ao Programa Ser Humano na modalidade afetiva. Há dois meses, ela assumiu o apadrinhamento de três crianças, de 5, 9 e 13 anos, abrigadas na Casa Santa Zita. O apadrinhamento é uma via de mão dupla: não somos nós que acolhemos, são estas crianças quem nos acolhe. Eu me sinto útil porque, diferente dos filhos que nos cobram coisas nem sempre tão necessárias, estas crianças querem somente atenção. Acredito que não importa quantos filhos você tenha, que profissão você exerça, porque o que você doa é tempo disponível e afeto, declarou Kátia.
Queria ter um padrinho ou madrinha, porque pelo menos eu teria uma família, disse uma menina de 8 anos, atendida pelo Projeto Esperança, à equipe de reportagem da TV Sergipe. Na mesma situação que ela existem 300 crianças e adolescentes institucionalizados nos abrigos do Estado de Sergipe.
O Programa de Apadrinhamento Ser Humano busca amenizar o sentimento de abandono dessas crianças. Através de padrinhos e madrinhas, o Programa oferece às crianças e adolescentes abrigados, principalmente àqueles com menor chance de adoção, apoio afetivo, com possibilidade de uma convivência sadia em ambiente familiar, auxílio material e acesso a serviços essenciais.
O padrinho/madrinha pode ser afetivo, proporcionando suporte emocional e integrando a criança a um ambiente familiar, com visitas periódicas; pode ser também colaborador e doar tempo e talento com a prestação de serviços em abrigos; ou pode ser ainda provedor, por meio de contribuição material sob a forma de dinheiro ou bens.
Padrinho afetivo de um menino de 6 anos, o analista de sistemas Sidney Pereira dos Santos pensa em uma futura adoção. O apadrinhamento para mim é uma preparação. Durante o tempo que passo com a criança, geralmente os finais de semana, posso ter a dimensão do que é ter um filho, afirmou.
A psicóloga Paula Marques também é madrinha. Na modalidade colaboradora, a profissional presta serviços há três meses no Lar Meninos de Santo Antônio, que abriga crianças do sexo masculino, na faixa etária de 7 a 12 anos. Paula realiza semanalmente atividades coletivas e individuais, além de programações culturais, lúdicas e terapêuticas. É uma troca de afeto, de conhecimento, de aprendizagem. São crianças bastante carentes, mas que acabam nos dando algo a mais do que aquilo que poderíamos oferecer a elas, garantiu a psicóloga.
Outra colaboradora do Programa de Apadrinhamento Ser Humano é a artesã Eliane Alves Paixão. Desde o mês de abril, Eliane dá aulas de artesanato a crianças e adolescentes em dois abrigos: o Projeto Esperança e o Oratório Festivo São João Bosco. A cada quinze dias, Eliane se divide entre os abrigos. No Projeto Esperança são 20 crianças do sexo feminino, na faixa etária de 5 a 18 anos incompletos, e no Oratório são 24 meninas, de 4 a 12 anos. Nas primeiras aulas as crianças tiveram contato com o biscuit e hoje já produzem com perfeição as peças.
Fazer doação do meu trabalho sempre foi um projeto de vida e encontrei no Programa de Apadrinhamento Ser Humano a concretização desse sonho. Além disso, acredito que estas crianças necessitam de um apoio, de um incentivo. E com a arte vejo que elas desenvolvem algumas habilidades que podem ser utilizadas até mesmo como uma profissão futura. Ademais, sinto-me realizada porque as crianças doam para mim algo muito importante, a solidariedade, concluiu Eliane.
Em todo o Estado, 11 abrigos já aderiam ao Programa de Apadrinhamento e 8 abrigos já foram contemplados com padrinhos/madrinhas. De acordo com a Juíza Coordenadora da Infância e da Juventude, Vânia Ferreira de Barros, a receptividade é grande, mas é necessária uma adesão ainda maior, para que sejam atendidas as demandas apresentadas.
Para se tornar padrinho ou uma madrinha ligue para 3226-3877 ou 3226-3878, Coordenadoria da Infância e da Juventude, ou acesse o site www.tjse.jus.br/portaldainfanciaejuventude.




