Foi iniciado na manhã de hoje, dia 17, o Curso Adolescência e Drogadição, promovido pela 17ª Vara Cível Juizado da Infância e da Juventude e pela Escola de Administração Judiciária do Tribunal de Justiça de Sergipe (ESAJ). Até amanhã, 130 profissionais que atuam nas medidas socioeducativas para adolescentes em conflito com a lei estarão reunidos, no auditório do Arquivo Judiciário, para discutir ações no tratamento e encaminhamento dos adolescentes usuários de drogas.
De acordo com a Juíza da 17ª Vara Cível, Vânia Ferreira de Barros, o curso é parte de um encadeamento de ações na busca por soluções a um problema grave, a drogadição, que tem prejudicado sobremaneira o cumprimento das medidas socioeducativas em meio aberto. Estamos capacitando os profissionais que trabalham nas áreas afins para que eles saibam abordar e acompanhar os dependentes químicos que cumprem as medidas socieducativas, disse.
A Juíza Vânia Ferreira ainda destacou que o Tribunal de Justiça tem feito reuniões com representantes do poder público a fim de que sejam disponibilizados programas de encaminhamento e tratamento destes adolescentes. Na última delas, houve um posicionamento do Secretário da Saúde de Aracaju, Marcos Ramos, sobre a possibilidade de construção de um Centro de Convivência para Adolescentes, onde serão ofertados inúmeros serviços, inclusive de tratamento médico e psicológico.
Hoje, em Sergipe, temos uma realidade que vem crescendo assustadoramente, o uso do crack, além das demais substâncias entorpecentes. Quem trabalha com as medidas socieducativas sabe que a maioria dos adolescentes em conflito com a lei são usuários de drogas. Porém, não sabemos para onde encaminhá-los porque o Poder Público, apesar de estudar uma solução, ainda não oferece um programa com este objetivo, explicou ela.
Estão sendo discutidos no curso temas como a doutrina da proteção integral, medidas socioeducativas, adolescência em contexto de risco, o uso de drogas e a redução de danos. As formas de intervenção junto ao adolescente usuário de drogas em cumprimento à medida também fazem parte das abordagens discutidas.
Palestrantes
A Doutora em Psicologia pela UNB, Maria Inês Gandolfo Conceição, palestrante do evento, explicou que primeiramente devem-se articular ações de acolhimento ao adolescente, tentando compreender o grau de envolvimento dele com a droga. Os profissionais psicólogos, assistentes sociais e pedagogos, na abordagem aos adolescentes usuários de drogas, devem estar livres de todo moralismo para não causar constrangimentos. Sabemos que esse adolescente é a reprodução, o sintoma de algo inoperante no sistema, seja na família ou na sociedade. Por isso, um programa que tenta tratar o problema da droga isoladamente está fadado ao fracasso, ressaltou a Doutora.
Também palestrante, o Mestre em Psicologia Fábio Tomasello Guimarães defende o uso de uma abordagem sistêmica para compreensão do indivíduo. Segundo ele, não há como compreender um adolescente usuário de drogas e em conflito com a lei sem uma análise mais aprofundada do contexto familiar e social. São fatores que interagem no comportamento do indivíduo e não há como entender a drogadição ou a infração sem perceber estes fatores. Não haverá mudanças em um ponto de influência sem uma atuação focada nos demais, explicou.




