Quinta, 18 Outubro 2007 11:07

Participantes do curso de extensão conhecem realidade do jovem sergipano

A maior preocupação dos jovens sergipanos é com o mercado de trabalho. Essa foi uma das informações que abriu, hoje à noite, dia 18, o segundo módulo do Curso de Extensão Adolescência, Família e Atendimento Socioeducativo: procedimentos técnicos e efetivação de direitos. Organizado pela 17ª Vara Cível, a quem compete o Juizado da Infância e da Juventude, o curso conta com a parceria da Secretaria Estadual de Inclusão e Desenvolvimento Social, da Secretaria Municipal de Ação Social e da Universidade Federal de Sergipe.

A palestra de abertura foi realizada pelo professor doutor Bernard Charlot, filósofo e especialista em Ciências da Educação. Ele realizou pela Unesco/Brasil uma pesquisa sobre Juventudes Sergipanas, que começou no mês de abril de 2005 e o relatório final, com o mesmo título, foi entregue no mês de janeiro de 2006. O objetivo da pesquisa foi recolher e analisar dados quantitativos e qualitativos para melhor entender o que são, como vivem e o que pensam os jovens sergipanos entre 15 e 29 anos. A pesquisa resultou em um livro, uma síntese do Relatório, de 693 páginas.

Foram pesquisados cerca de três mil jovens em vários municípios sergipanos, inclusive no sertão, Baixo São Francisco e em bairros periféricos da Grande Aracaju, como o Santa Maria e o Conjunto Jardim. Encontramos jovens de grupos de vaquejada, pichadores, presidiários, desportistas, rappers, deficientes físicos, de quadrilhas juninas, enfim, de todos tipos, contou o professor Charlot. Em comum uma grande preocupação: o mercado de trabalho.

A primeira preocupação deles é com a exigência de experiência. E a segunda com o sistema de recomendação, o que eles chamam diretamente de peixada. Não importa o quanto eles estudem, mas dizem que só arrumarão emprego se alguém indicar, disse o pesquisador. Por outro lado, a maior alegria dos jovens é a família. Apesar disso, reclamam da falta de diálogo com os pais e da ausência de orientação sexual. O maior ponto de embate é com o horário de voltar para casa quando saem, detalhou Charlot.

Outra descoberta interessante é que os jovens sergipanos têm consciência política, porém não confiam nas instituições. As de maior credibilidade entre os jovens são a família, professores e escola, médicos, igreja e defensores de direitos humanos, nesta ordem. Já entre as que mais desconfiam estão o Congresso, a Assembléia Legislativa e Câmara de Vereadores, empresários, policiais, o Exército, a Justiça e os apresentadores de TV.

Dois grandes problemas foram detectados pela pesquisa entre os jovens de Sergipe. Um deles é o abandono escolar, que chega a acontecer três vezes entre os 15 e 29 anos, quase sempre pela necessidade de trabalho. O segundo é o alto índice de gravidez precoce e aborto. 18% da primeira gravidez resulta em aborto natural ou provocado. As adolescentes entre 15 e 19 anos abortam mais do que as jovens de 25 a 29 anos. Mais de 50% desses abortos acontecem na classe A, onde eu não acredito que tenham sido naturais porque o acesso ao médico é maior, analisa o pesquisador.

O curso

Para o Juiz em substituição da 17ª Vara Cível, Karlos Max Araújo Alves, o curso é de fundamental importância porque aprimora a qualidade na intervenção das assistentes sociais. Elas são os olhos e ouvidos do Juiz na comunidade. Contamos com elas para dar o parecer e acompanhar a conduta do jovem que cometeu um ato infracional. Quanto mais qualitativo esse trabalho, melhor para todos, opinou o Juiz. Depois da palestra de Bernard Charlot ele acredita que todos conhecerão melhor a juventude sergipana e assim poderão intervir de maneira mais precisa.

Também esteve presente na abertura desse segundo módulo, como debatedora, a Secretária de Assistência Social e Cidadania de Aracaju, Rosália Rabelo, que também é assistente social. Essa palestra de hoje nos traz a realidade da juventude sergipana fornecendo elementos para a construção de políticas públicas. O Tribunal de Justiça está de parabéns porque abriu essa capacitação para outros órgãos do sistema de garantias, enfatizou a Secretária.