Há 26 anos a família de Efrain Renato Salcedo participou de homenagens na Argentina por acreditar que ele teria sido um dos 649 combatentes que morreram durante a Guerra das Malvinas. Mas na semana passada, a irmã dele, Alicia Salcedo, encontrou na internet o nome de Efrain como detento em Sergipe. E realmente era, até o dia 26 de abril de 2007, quando recebeu liberdade condicional e saiu do Presídio Regional Juiz Manoel Barbosa de Souza, em Tobias Barreto, a 127 quilômetros de Aracaju.
Em uma entrevista a emissora de rádio Cadena 3, de Córdoba, a 700 quilômetros de Buenos Aires, Alicia Salcedo disse, na última quinta-feira, dia 4, que durante todos esses anos a família achou que ele estava morto. Eu e minha mãe morremos de tristeza, falou soluçando à emissora. A matéria foi publicada em diversos sites argentinos, como a Agência Informativa Latinoamericana Prensa Latina. La Nación, El Clarín e o TeleDiario.
O Tribunal de Justiça de Sergipe foi informado do caso pela Embaixada da Argentina na Bahia e também pela repórter da Associated Press Vivian Sequera, correspondente em Brasília. Através da assessoria do Juiz Diógenes Barreto, da Vara de Execuções Criminais, foi descoberto que Efrain Renato Salcedo apresentou-se à Justiça pela última vez no dia 13 de julho deste ano. O endereço dado por ele era da irmã de um colega do Presídio de Tobias Barreto.
Como ele não compareceu à apresentação mensal, em agosto, as assistentes sociais do Poder Judiciário de Sergipe foram ao endereço fornecido por Efrain. Lá foram informadas pela irmã do outro detento que ele nunca residiu naquele local, no Jardim Centenário, em Aracaju, e que tinha usado o CPF da mesma para habilitar uma linha de telefone celular, que depois foi cancelada por falta de pagamento. A última informação recebida pelo Serviço Social da Justiça era de que Efrain estaria residindo em Pernambuco.
Na sentença de Efrain Renato Salcedo consta que ele foi condenado, inicialmente, na 3ª Vara Criminal de Jundiaí, em São Paulo, a uma pena de 5 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado por roubo qualificado e porte de arma (artigo 157, parágrafo 2º, incisos I e II do Código Penal Brasileiro). Depois, ele foi condenado pela 4ª Vara Criminal de Aracaju, em Sergipe, a 6 anos e 8 meses, também em regime fechado e pelo mesmo crime.
Ele foi preso pela primeira vez no dia 23 de dezembro de 1998, provavelmente em São Paulo, e solto no dia 14 de maio de 1999. Em Sergipe, a primeira entrada no sistema prisional foi em 21 de dezembro de 2000. No dia 19 de janeiro de 2001 fugiu da Casa de Detenção de Aracaju e foi recapturado em 16 de abril do mesmo ano. Depois foi transferido de Aracaju para o Presídio de Tobias Barreto, em 28 de junho de 2001. De março de 2005 a 8 novembro de 2006 ficou detido no Presídio de Nossa Senhora da Glória, quando foi novamente transferido para Tobias Barreto.
A guerra
A Guerra das Malvinas foi um conflito armado entre a Argentina e o Reino Unido ocorrido nas Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, entre os dias 2 de abril e 14 de junho de 1982, pela soberania sobre esses arquipélagos austrais tomados por força em 1833 e dominados a partir de então pelo Reino Unido.
O saldo final da guerra foi a recuperação dos três arquipélagos pelo Reino Unido e a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e três civis da ilha. Não se sabe como Efrain Renato Salcedo escapou vivo da Guerra das Malvinas nem como chegou ao Brasil. O motivo dele não ter procurado a família durante todos esses anos só será descoberto se ele decidir apresentar-se novamente à Justiça.




