O ato comemorativo do Centenário de Nascimento do Desembargador João Bosco de Andrade e Lima, foi realizado no Auditório José Rollemberg Leite, no Palácio da Justiça, na tarde de ontem, 24. Na oportunidade o Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Artêmio Barreto concedeu à viúva do homenageado, Maria Inês Almeida de Andrade e Lima, a maior honraria da Justiça sergipana, o Colar do Mérito Judiciário.
Com muita emoção, o Desembargador Epaminondas Silva de Andrade e Lima, filho do Des. João Bosco de Andrade e Lima, agradeceu a homenagem como porta voz da família. Para mim e para os meus, esta solenidade se reveste de uma áurea sagrada. Meu pai era Juiz por vocação e por missão. Não acreditava na justiça da força, mas na força da Justiça. Era respeitado porque era justo, enalteceu.
O conferencista do evento e Presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento, leu um artigo intitulado João Bosco de Andrade e Lima e a criação da Justiça Eleitoral. Segundo relato, a presença do Desembargador foi fundamental para a reinstalação da Justiça Eleitoral em Sergipe, durante a redemocratização do País, época em que presidiu a Corte.
Na oportunidade foi montada uma exposição e distribuída uma publicação sobre o Desembargador homenageado. João Bosco de Andrade e Lima é o primeiro dentre os juristas que comporão as páginas da série Presidentes do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, opúsculo que resgata aspectos da vida daqueles que presidiram a Corte da Justiça. De acordo com o Presidente Artêmio Barreto, a produção que é elaborada pelo Memorial deste Poder, tem por objetivo deixar para gerações futuras a história de pessoas que serviram à causa pública e, especialmente, na área jurisdicional.
Autoridades sergipanas marcaram presença na solenidade. Entre as figuras de destaque, a Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargadora Madeleine Gouveia; o ex-Governador Seixas Dória; o Deputado Federal, Valadares Filho; o Procurador-Geral do Estado, Edson Ulisses de Melo; a Procuradora do Ministério Público, Maria Creuza Barreto; o Reitor da Universidade Tiradentes, Jouberto Uchôa de Mendonça e o Juiz Federal, Vladimir Souza Carvalho.
Desembargador João Bosco de Andrade e Lima
João Bosco de Andrade e Lima nasceu em 23 de março de 1907, no engenho Tuim, na Vila do Arauá, Sergipe. Era filho de Maria Joaquina de Andrade e do Coronel João Epiphânio de Lima Neto. Seu nome de batismo fora uma homenagem ao santo italiano de Turim, São João Bosco.
Iniciou seus estudos fundamentais aos cinco anos no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Aracaju. Depois se transferiu para Estância onde concluiu a educação fundamental. De volta a Aracaju freqüentou o Seminário Diocesano, preparando-se para o ingresso na Faculdade de Direito da Bahia. Concluiu o curso de Ciências Jurídicas em 1929, no Rio de Janeiro.
Foi Promotor de Justiça e, posteriormente, à época, o Magistrado mais novo do Brasil. Exerceu a judicatura nas Comarcas de Simão Dias, Neópolis e Lagarto. Em 05 de março de 1943 foi nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça, tendo ocupado a Vice-Presidência, a Corregedoria-Geral e a Presidência por duas vezes (1960 e 1965). Integrou o Tribunal Regional Eleitoral na função de Corregedor. No magistério lecionou na Faculdade de Ciências Econômicas de Sergipe.
Representou a mais alta Corte da Justiça do Estado de Sergipe no Congresso Internacional de Guatemala e em conferências nos Estados de Rio de Janeiro e Minas Gerais. No ano de 1960 foi eleito pela primeira vez Presidente do Tribunal de Justiça e testemunhou a inauguração da capital federal.
De formação católica, era religioso e pautou sua vida de forma íntegra e ordeira, falecendo em 16 de novembro de 1980.




