O Dia dos Namorados foi inesquecível para 30 casais que moram no bairro Santa Maria. Eles oficializaram a união no Fórum Desembargador Fernando Franco, perante a Juíza Maria Angélica França e Souza, no I Casamento Solidário. A solenidade, com direito a coral, bolo e sanfoneiro, foi realizado graças ao esforço da Casa da Cidadania, Organização Solidária de Resgate à Cidadania e Trabalho (OUIS) e o Conselho Local de Saúde do Santa Maria, com o respaldo do Tribunal de Justiça de Sergipe.
Antes da cerimônia, que começou às 16 horas, as noivas fizeram os últimos preparativos de maquiagem e cabelo, com a ajuda da voluntária Antonieta, enquanto os noivos esperavam no corredor e também não escondiam a ansiedade. Os casais souberam do casamento comunitário através das agentes de saúde, carro de som e avisos na igreja do bairro. Os noivos foram recepcionados no hall do fórum pelo Coral do Hemolacen e um trio de forró.
O Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Artêmio Barreto, conversou com os noivos e revelou aos presentes que já fez mais de 35 mil casamentos, durante os 15 anos em que foi Juiz da Vara de Assistência Privativa. Para mim era sempre um dia muito feliz. Se os 30 casais que estão aqui hoje vão oficializar o casamento é porque se dão bem e eu espero que a juíza nunca tenha a insatisfação de separá-los, enfatizou.
A maioria dos casais já tinha uma união estável. A dona de casa Viviane dos Santos, de 22 anos, e o garçom Wilton dos Santos, de 26, moram juntos há nove anos e têm um filho. A gente tinha vontade de casar, mas era difícil porque o cartório é longe. Aqui foi fácil, demos entrada e tudo se resolveu bem rápido, comentou Viviane. A alegria do casal era tanta, que ao invés do sim, Wilton respondeu com certeza à pergunta da juíza se era de livre e espontânea vontade formalizar a união.
O Judiciário apenas está investindo na família e na paz social. O Código Civil protege a união estável, estamos apenas transformando em direito o que já existe de fato, explicou a Juíza da 7ª Vara de Assistência Privativa e Diretora do Fórum, Maria Angélica França e Souza. O Corregedor-Geral do TJ, Desembargador Luiz Mendonça, disse que conhece bem a população do bairro e sabe que quando o poder público procura ajudar, a população responde positivamente.
E respondeu tão bem que superou as expectativas das assistentes sociais que trabalham nas unidades de saúde do bairro. Segundo Rosely Anacleto, da Unidade de Saúde Osvaldo Leite, um dos objetivos do casamento comunitário foi aproximar os homens das atividades ligadas à área de saúde. Além disso, esse casamento é a materialização de um sonho que, para eles, talvez fosse inatingível pelo custo, enfatizou Rosely.
O Presidente do TJ agradeceu também a cobertura da imprensa. Vocês têm um papel importante porque não se pode restringir a notícia apenas aos fatos ruins, disse aos repórteres. E para Rosely, o casamento realizado ontem deve ser somente a primeira porta para que muitas outras idéias importantes em benefício da comunidade sejam concretizadas.




