Quinta, 15 Março 2007 10:56

Noite de homenagens à Leite Neto no TJ

O Centenário de Nascimento de Leite Neto foi comemorado, na noite de ontem, por parentes, amigos, juristas e alunos da Escola Estadual Leite Neto, no auditório do Tribunal de Justiça de Sergipe. O Seminário, uma parceria entre o TJ, Academia Sergipana de Letras e Conselho Estadual de Cultura, revelou o sentimento de respeito e admiração que o acadêmico, político e jurista Leite Neto deixou entre os sergipanos. O Presidente do TJ, Desembargador Artêmio Barreto, entregou à viúva do homenageado, Celina Carvalho Leite, o Colar do Mérito Judiciário, conferido "post mortem" ao Dr. Francisco Leite Neto.

O Seminário foi aberto pelo Acadêmico Cabral Machado. "Não sei se falo de Leite Neto como homem ou como amigo pessoal. Eu o admirava pela sua inteligência, cultura e coragem porque, nos dias difíceis, ele ia à nossa frente nas batalhas políticas", enfatizou.
Cabral Machado lembrou de Leite Neto ainda estudante, no Colégio Atheneu, e em 1935 ocupando a bancada da Assembléia Legislativa."Ele era um homem franzino, mas de olhar forte. Que Assembléia admirável foi aquela de 1935, que se destacou pela inteligência", recordou-se emocionado.

O também Acadêmico, pesquisador e jornalista Luiz Antônio Barreto, deu início a seu discurso parabenizando o TJ pela iniciativa de organizar um calendário de eventos. Além da comemoração de ontem, ainda serão lembrados o centenário de nascimento do Desembargador João Bosco de Andrade Lima e o Sesquicentenário da Comarca de Aracaju, entre outros.

Luiz Antônio falou da vida de Leite Neto fazendo um paralelo com importantes datas para a história de Sergipe. "Quando ele nasceu Sergipe estava comovido pela morte de Fausto Cardoso e Olímpio Campos, homens que lutaram pela defesa de seus ideais", disse.
Segundo o Acadêmico, a vida de poucos anos de Leite Neto, que morreu aos 57 anos, foi dividida em três níveis: intelectual, político e jurídico. "Foi um homem que chamava atenção pela voz calma, estrutura mental e leal ardor ao povo e políticos de Sergipe", acrescentou.

Uma das filhas do homenageado, Vetúria Leite Brito, esteve presente no Seminário. "Vou falar sobre as lembranças familiares que vão ajudá-los a conhecer Leite Neto na sua intimidade", prometeu. De acordo com ela, "era difícil para a família entender que carisma fazia de Leite Neto o parlamentar mais votado de Sergipe enquanto viveu. Só depois entendemos. Ele se sentia desconfortável em eventos sociais e bastante à vontade nas casas simples do interior", revelou para a platéia.

O Presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson do Nascimento, enfatizou a teoria do Direito Penitenciário defendida por Leite Neto e que "está ainda atualizada dentro do contexto em que vivemos". Para os alunos do Colégio Estadual Leite Neto foi uma oportunidade única de conhecer a fundo a vida da personalidade que batiza a escola. "Foi bastante educativo", comentou o aluno João Luiz Barbosa. A coordenadora pedagógica, Soraia Pinheiro, disse que na semana passada foi inaugurado um Memorial sobre a vida de Leite Neto na escola e que está aberto ao público.

O Presidente do TJ, Desembargador Artêmio Barreto, e a Desembargadora Clara Leite Rezende, irmã do homenageado, presidiram a mesa do Seminário e agradeceram a todos pelas palavras de respeito e a atenção dos que estiveram presentes. O Prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, disse que "Leite Neto foi um dos maiores homens públicos do último século em Sergipe e que deixou um legado de ética e posições políticas sólidas".
Quem representou o Governador do Estado foi o Secretário de Cultura, Luís Alberto.