Terça, 29 Setembro 2026 12:08

Capacitação sobre Grupos Reflexivos é ofertada para profissionais da rede de proteção

A Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) realiza nos dias 29 e 30/09 e 01/10 uma capacitação destinada ao fomento de grupos reflexivos para homens autores de violência em Sergipe.

A juíza coordenadora da Mulher, Juliana Martins, destacou que o objetivo do Poder Judiciário é articular junto aos gestores municipais a implementação de políticas públicas voltadas aos grupos reflexivos. Ela salientou que é preciso incluir o trabalho com o homem dentro da temática de enfrentamento à violência doméstica.

“Acreditamos que, por meio da educação, combateremos a violência doméstica. Com os grupos reflexivos, a gente traz o homem a refletir sobre como ele se vê dentro da sociedade, se ele é um homem agressivo. O CNJ também entende que esta é a política pública que melhor funciona, porque a gente também está falando de uma mudança de cultura, do homem que precisa enxergar a mulher com respeito, com dignidade, não com violência”, discorreu

A ação teve como público-alvo profissionais que atuam na rede de proteção à mulher vítima de violência doméstica e familiar, especialmente as equipes psicossociais dos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e nos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (Crams), bem como profissionais da área da saúde.

A psicóloga Chauane Rodrigues atende mulheres em situação de violência e em vulnerabilidade social no Cram do município de Canindé do São Francisco. De acordo com ela, a luta contra a violência não para apenas no cuidado com a mulher. “O grupo reflexivo com os homens é inclusive algo que a gente tem falado muito, na ideia de a gente tem preparado essas mulheres, tem cuidado, acolhido essas mulheres, mas nós também precisamos fazer o trabalho com os homens, porque no cuidado com a mulher, a gente cuida da sociedade como um todo, não só dela, que é protagonista nessa luta, mas os homens também são importantes”.

O facilitador do curso foi o professor e psicólogo João Paulo Feitoza que possui mais de 10 anos de experiência com grupos reflexivos por meio dos projetos Viver Melhor e Viver Família, desenvolvidos na Faculdade Estácio, mediante uma parceria com o TJSE firmada em 2014. “A partir dessa parceria que a gente consegue capacitar cada vez mais profissionais da rede para fortalecer as ações voltadas para esse combate, especialmente para oportunizar os grupos reflexivos em várias regiões do estado”, relatou.

O professor ainda destacou que o fomento aos grupos reflexivos em todo o estado é uma estratégia efetiva para a redução da violência. “Quando o autor de violência doméstica participa de um grupo reflexivo, a incidência, ou seja, a chance, a probabilidade dele voltar a cometer a violência doméstica é muito pequena. Tanto que a gente avalia quanto de reincidência aconteceu e a gente tem uma aí, uma faixa de 2 a 3% de reincidência num universo de mais de 600, 800 pessoas. Então a gente percebe que é um caminho sem volta, que temos que fortalecer cada vez mais os grupos, incentivar as prefeituras do interior de Sergipe a desenvolver os grupos, fortalecer cada vez mais, para que a gente comece a ter uma mudança desse cenário de violência contra a mulher”, complementou João Paulo Feitoza.

 

Informações adicionais

  • Fotografias: Larissa Barros - Dicom TJSE