‘Acolher para Transformar: caminhos para a efetivação de direitos’ foi o tema de um seminário realizado na tarde desta terça-feira, 01/09, no auditório do Palácio da Justiça. O evento reuniu membros do sistema de justiça e agentes da rede de proteção social para debater estratégias voltadas à garantia de direitos da população em situação de rua.
“Foram dois dias extremamente felizes. Eu acho que essa felicidade que sinto é uma felicidade que emana, que é compartilhada por todas as pessoas que vivenciaram esses dias com o padre Júlio. Porque não é sobre religião, é sobre amor, fraternidade e solidariedade. E esse é o espírito do Comitê PopRuaJud. A gente viveu um momento talvez histórico, de ver a escadaria do TJ tomada pelo povo, para o povo, com tanta solidariedade passando de mão em mão”, comentou o desembargador Kleidson dos Santos, citando a Ceia da Fraternidade realizada ontem.
O desembargador Kleidson, que preside o Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para a Promoção de Políticas Públicas Judiciais de Atenção às Pessoas em Situação de Rua, o PopRuaJud, acompanhou o seminário. O evento foi iniciado com a apresentação da esquete ‘Entre Nós’, com assistidos pela Casa de Passagem Freitas Brandão.
A primeira palestra foi do juiz federal Pedro Esperanza Sudário, que falou sobre o Judiciário e a garantia de direitos da população em situação de rua. “O acesso à justiça no Brasil é amplo, mas a população em situação de rua, justamente por conta da sua vulnerabilidade, precisa de mecanismos diferenciados para que seus direitos sejam garantidos. E o melhor exemplo disso são os mutirões que fazemos dentro do PopRuaJud, que concentram em um lugar os serviços para essas pessoas”, explicou o magistrado.
Já a psicóloga Jayane Trindade abordou o tema ‘Cuidar em Rede: caminhos para a garantia de direitos. “É necessário fazer aproximações dos diversos setores como, por exemplo, hoje. Temos trabalhadores do SUAS, do SUS, do Judiciário discutindo, pensando em fluxos, em protocolos, em direcionamentos para garantir os direitos da população em situação de rua. Entendendo que essa população precisa sim participar das decisões e estar junto nessa construção”, enfatizou.
O seminário foi encerrado com uma palestra do padre Júlio Lancellotti. Ele contou que nasceu em 1948, ano em que foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas lamentou o fato de no Brasil “defender os direitos humanos ser um insulto”. Aplaudido por diversas vezes, o padre disse ainda que é necessário ter coragem para “estar ao lado dos pequenos”.




