Dando continuidade à agenda que veio cumprir em Aracaju, iniciada ontem com a Ceia da Fraternidade realizada pelo Poder Judiciário de Sergipe, o padre Júlio Lancellotti visitou, na manhã desta terça-feira, 01/09, casas de passagem para pessoas em situação de rua. Os equipamentos foram apresentados por integrantes do Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para a Promoção de Políticas Públicas Judiciais de Atenção às Pessoas em Situação de Rua, o PopRuaJud, entre elas a juíza Iracy Mangueira e a assistente social Shirley Leite.
“Muito bom perceber como as pessoas acolhem humanamente, no sentido de missão que assumem nessa atividade profissional. Como fazem com carinho, com seriedade. Aqui me chamou muito atenção que todos são tratados pelo nome e como eles fizeram a encenação das situações que vivem”, disse o padre Júlio Lancellotti referindo-se à apresentação teatral produzida especialmente para ele na Casa Municipal de Passagem Acolher, localizada no bairro Salgado Filho.
Segundo a coordenadora do Acolher, Karina Gonçalves, no local as pessoas em situação de rua recebem alimentação, atendimento psicossocial, encaminhamento para o mercado de trabalho, para educação e benefícios assistenciais, como o auxílio-moradia. “É importante demais que a sociedade entenda que quem está na rua tem todos os direitos. E hoje foi um dia muito especial, recebendo o padre Júlio aqui na nossa casa porque ele representa cada um de nós”, agradeceu Karina.
Um das pessoas que hoje vive no Acolher é o maranhense Wagnelson Brandão. “Sou motorista de aplicativo e fui para as ruas por questão de depressão, sem rumo. Tive em São Paulo, procurando um lugar para começar minha vida, e Deus me guiou até Aracaju. Passei pelo Centro Pop e agora estou aqui no Acolher, um lugar onde já estou estudando, matriculado no EJA”, contou.
Wagnelson lembrou do tempo em que morou nas ruas e disse que é muito triste ser julgado. “Uma vez, estava com muita fome e tinha um pessoal lanchando. Pedi o que sobrasse e a pessoa disse que jogava no lixo, mas não me dava. Isso eu não desejo para ninguém”, enfatizou. Ele sabe toda a história do padre Júlio Lancellotti e disse que ficou muito feliz em conhecê-lo. “Onde ele sabe que tem políticas voltadas para população de rua, ele tá presente. Isso é muito bonito”, agradeceu.
Outro equipamento visitado foi a Casa de Passagem Estadual de Sergipe, no bairro São José. “Recebemos pessoas de Sergipe e do Brasil. Fazemos a regularização documental dos acolhidos para que eles tenham acesso aos direitos. Também trabalhamos junto à rede de saúde. Hoje, estamos com 26 acolhidos, sendo um recém-nascido de uma das nossas acolhidas”, explicou Yasmin Mendonça, psicóloga da Casa de Passagem Estadual.
O coordenador da Pastoral do Povo da Rua, Marcos Correa, também acompanhou as visitas. Segundo ele, o último censo, realizado em 2024, apontou cerca de 600 pessoas em situação de rua em Sergipe, mas atualmente são quase mil pessoas. “Juntando os três equipamentos de acolhimento que temos, não atendem 150 pessoas. Então, é muito pouco. A rua não tem só fome da comida, mas fome de dignidade, de moradia, de trabalho, de renda, de olhar mais humanizado”, enfatizou. A Casa de Passagem Freitas Brandão, no bairro Suíssa, também foi visitada.




