Em um encontro marcado por reflexões profundas sobre empatia e o papel social do Poder Judiciário, o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) realizou, na tarde desta segunda-feira, 31 de agosto, no auditório da Escola Judicial de Sergipe (Ejuse), a roda de conversa com o tema ‘Quem é a Justiça que enxerga?’. O evento contou com a participação especial do padre Júlio Lancellotti, referência nacional na defesa e na garantia dos direitos da população em situação de rua.
“O padre Júlio Lancellotti trabalha com pessoas em situação de rua e nós sabemos que a sociedade faz questão de não ver essas pessoas. O trabalho dele é um ato de amor, é um ato de compromisso com a dignidade humana. Estamos aqui para apoiar e nos somar a este trabalho. Estamos felizes e emocionados com a visita do padre Lancellotti, que é uma pessoa extraordinária”, afirmou a desembargadora-presidente do TJSE, Iolanda Santos Guimarães.
Promovida pela Presidência do TJSE em parceria com o Comitê PopRuaJud e a Ejuse, a atividade foi voltada exclusivamente para magistrados e servidores da Corte sergipana. O objetivo central do diálogo foi incentivar uma atuação jurisdicional e administrativa cada vez mais humana, inclusiva e comprometida com a efetivação dos direitos fundamentais das parcelas mais vulnerabilizadas da sociedade.
O desembargador Kleidson Nascimento, presidente do Comitê PopRuaJud do TJSE, afirmou que a roda de conversa teve também o objetivo de aproximar magistradas, magistrados, servidores e servidoras para uma temática que é “tão cara para o Tribunal, para o sistema de justiça, e para a sociedade”. Segundo ele, “o Comitê PopRuaJud possui várias iniciativas externas, mas também a gente tem esse olhar para dentro, para que a gente continue sendo uma Justiça que enxerga aquelas pessoas que sempre foram invisibilizadas. Então, é mais uma forma de a gente fazer justiça”, ressaltou.
Durante a atividade, Padre Júlio Lancellotti compartilhou experiências de sua trajetória no acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social, destacando a importância da empatia, da escuta qualificada e do respeito à dignidade humana no atendimento prestado pelo sistema de Justiça. A reflexão reforçou o papel do Judiciário na promoção de um atendimento cada vez mais sensível às diferentes realidades sociais, contribuindo para a ampliação do acesso à Justiça e para a efetivação dos direitos de todos os cidadãos.
“Esta conversa é importante, porque o Poder Judiciário é um dos poderes constituídos da República e do Estado e por onde passam decisões que são importantes, no sentido de garantir a dignidade humana. Então, esse momento é muito importante”, considerou o padre.
O coordenador da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de Aracaju, Marcos Corrêa, destacou que a roda de conversa foi um momento histórico para todos os envolvidos. “Estivemos hoje no Tribunal de Justiça, nesse dia histórico, onde estamos recebendo e acolhendo a nossa grande referência da pastoral de rua, o Padre Júlio Lancelotti, que vem nos trazer luz. Para que possamos trabalhar juntos, como sempre trabalhamos com o sistema de Justiça, com todo o Judiciário, a questão das políticas públicas voltadas à população de rua que tanto sofre”, salientou.
O evento contou com a presença de representantes da Defensoria Pública, do Ministério Público e da Justiça Federal em Sergipe.




