Bessa é o nome da inteligência artificial que será utilizada no Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) e foi apresentada aos desembargadores, na manhã desta quarta-feira, 10/06, após a sessão do Pleno, pelo secretário de Tecnologia da Informação, Max Ribeiro. A IA, cujo nome é uma homenagem ao jurista sergipano Gumersindo Bessa, foi totalmente desenvolvida pela equipe do TJSE e será aplicada em diversos setores, onde projetos-pilotos já estão em execução. Confira nesta entrevista todas as informações.
Dicom – Qual o objetivo da IA Bessa?
Max Ribeiro – Essa ferramenta é voltada para o uso de inteligência artificial dentro do Tribunal de Justiça de Sergipe. O objetivo dela é a melhoria da eficiência e da produtividade em diversas áreas do tribunal. A ideia é que, junto com a Resolução 17 de 2026, que foi aprovada há quinze dias, ela comece a implementar tanto as questões de banco de prompt quanto os agentes que serão utilizados em diversas áreas do tribunal.
Quais são as áreas que a IA Bessa será utilizada?
Estamos agora num momento justamente dessas definições. Já temos alguns pilotos e algumas certezas. Uma certeza é que nós teremos todos assessores e magistrados utilizando e já temos um piloto judicial, que é da elaboração de minuta de sentença, totalmente integrado ao SPV e eproc. A partir da ferramenta, só será necessário digitar o número do processo e ela vai começar um fluxo para elaboração da sentença, com validação total do magistrado e dos assessores. No ambiente administrativo, nós temos alguns pilotos e a maioria deles são voltados para as questões de contratações, das questões licitatórias. Temos já alguns agentes que confeccionam artefatos licitatórios e um agente que faz o check-list da licitação.
Há uma previsão de total funcionamento dessa ferramenta?
A ferramenta está pronta e a tendência dela é uma evolução ao longo do tempo, apoiada pelo Comitê Local de Inteligência Artificial. As iniciativas de IA vão para esse comitê, vai passar por uma validação, por um ajuste técnico, e depois disso, o que o Comitê Local de IA aprovar será levado à Bessa. Então, a Bessa tende a evoluir. Inicialmente, devemos colocar em todos os gabinetes de desembargadores. Posteriormente, passaremos para o 1o Grau e, concomitante, o administrativo também. Em breve, os usuários receberão instruções para iniciarem o uso da ferramenta.
O TJSE já tinha outras ferramentas de IA ou essa é a mais completa?
Nós temos algumas ferramentas de IA, que são embutidas, ou seja, que não são de percepção do usuário diretamente. E a ferramenta de IA que vinha sendo utilizada institucionalmente é o Copilot, que é através de um contrato. Já a Bessa é uma ferramenta customizada. É uma ferramenta feita pra dentro tribunal, criada pela equipe daqui e que está tendo um desempenho muito bom nos testes, validado por alguns magistrados que vêm nos apoiando.
Então, agora o TJSE realmente entra na era da IA?
Isso, com certeza. A gente agora, com a infraestrutura que vem sendo adquirida nos últimos dois anos, com as contratações de nuvem que também conseguimos, entregamos para o Judiciário uma ferramenta de IA com uma qualidade muito alta.