O Arquivo Judiciário promoveu nesta quinta-feira, dia 14/5, o evento “Memória dos Povos Indígenas: resistência e existência dos Xokós”. A iniciativa, que contou com palestra e exposição, visa destacar a trajetória do povo Xokó, localizado na Ilha de São Pedro, no município de Porto da Folha/SE.
A palestra foi proferida pelo desembargador aposentado Edson Ulisses de Melo, que possui ascendência indígena. “A proposta é resgatar a memória desse povo originário que precisa ser valorizado e reconhecido. Me emociono porque sou de ascendência indígena e, para mim, é uma oportunidade interessante de estar divulgando a memória dos povos ancestrais. Ontem, estive numa palestra sobre a raça negra que tem se valorizado a cada dia e é muito importante que seja feito, e também com relação aos povos ancestrais, os nossos povos que originaram esse país, que estavam aqui quando os colonizadores chegaram. É da maior importância esse evento com estudantes para que eles conheçam e divulguem a memória do Brasil, a memória do povo ancestral”, relatou o desembargador.
A plateia estava repleta de jovens, estudantes do 1⁰ ao 9⁰ períodos do curso de Direito do Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau). A professora Laís Santana de Oliveira salientou como o tema é fundamental na formação humanitária do profissional do Direito. “É interessante que os alunos tenham essa experiência, até porque nós estamos ensinando futuros profissionais para terem também essa carga humanitária. É importante eles saberem a origem dos povos tradicionais e, assim, formarmos um profissional voltado a esse olhar humanitário, esse olhar de conhecimento, esse olhar de tradição que todo o estudante do curso de direito tem que ter na sua formação”, afirmou a professora Laís.
A também professora Nayane Santana de Oliveira pontuou a relevância do Arquivo Judiciário para a pesquisa jurídica, uma vez que ela, enquanto estudante, realizava pesquisas nesse espaço. “Nós escolhemos trazer nossos alunos aqui para que eles possam conhecer a justiça por trás dos processos, como o processo é arquivado, como é todo o funcionamento dessa justiça. Como estudante de direito, eles conseguem enxergar o início do processo e o percurso do processo, mas eles não têm a ciência de como aquele processo é arquivado quando ele chega ao final. E nós tivemos a rica surpresa de ter a palestra do desembargador Ulisses falando sobre as tradições do povo Xokó que é um enriquecimento para nossa cultura, o conhecimento de uma tribo que faz parte do nosso estado”, complementou Nayane.
O objetivo do Arquivo Judiciário é expor, por meio de documentos jurídicos, a (r)existência indígena no Brasil, marcada pela superação de sucessivas tentativas de apagamento cultural e físico. Trata-se de iniciativa voltada à reparação histórica, à valorização cultural e ao fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Com esta ação, o Poder Judiciário, por meio do Arquivo, reafirma seu compromisso com a valorização da ancestralidade e da memória dos povos originários do Brasil.