A Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) está na comarca de Gararu hoje, dia 14/04 e para amanhã, dia 15, para realizar um ciclo de visitas e de palestras sobre a temática violência contra a mulher. Além de ampliar o projeto de educação nas escolas, que a Coordenadoria desenvolve, a ideia é articular com os municípios que fazem parte da Comarca de Gararu, que são Nossa Senhora de Lourdes, Itabi, Canhoba, a criação de um Centro de Referência de Atendimento à Mulher, um Cream.
“Hoje e amanhã, a Coordenadoria vai se instalar na Comarca de Gararu. A primeira cidade que nós viemos é Nossa Senhora de Lourdes, nós iremos ainda para Itabi, Canhoba e Gararu, porque estamos articulando, aqui, o Cream que ainda não existe nesta Comarca. Então nós viemos conversar, mostrar o trabalho, mostrar os serviços e conversar com prefeitos, secretários para que consigamos formular nossa política pública de atendimento à mulher vítima de violência”, explicou a juíza Juliana Martins.
Nesta terça-feira, o encontro foi no Clube Municipal de Nossa Senhora das Lourdes. As palestras foram ministradas pela juíza-coordenadora da Mulher Juliana Martins e pela psicóloga Sabrina Duarte. O espaço ficou repleto de estudantes de quarto unidades de ensino: da rede municipal, a Escola Enedina Batista de Melo e a Escola Paulo Barbosa de Matos; e da rede estadual, os Centros de Excelência Profª Eulina Batista de Melo e Almirante Tamandaré.
“A gente considera primordial conversar com os adolescentes porque a misoginia tem crescido muito nessa faixa etária. Então, nós viemos falar sobre relacionamentos, o que é um relacionamento saudável e o abusivo, porque nessa idade eles começam a namorar e muitos meninos desenvolvem práticas que consideramos violentas”, acrescentou a magistrada.
O coordenador pedagógico José Vieira, da Escola Municipal Paulo Barbosa de Matos, acompanhou os alunos das turmas do 8º e 9º ano do ensino fundamental. Para ele, a palestra tem grande importância porque a comunidade escolar precisa estar atenta ao comportamento dos adolescentes e saber lidar com situações de violência.
“Eles precisam realmente estar atentos a esses crimes de violência que acontece, hoje, nas nossas famílias e que no interior não é diferente, é, na verdade muito comum e muitas crianças vivenciam isso em casa. Então, um momento desse é muito importante para que eles entendam o que realmente é violência. E, nós, enquanto comunidade, também temos esse papel de estar acompanhando, analisando, vendo o comportamento se aquele menino ou menina está se isolando e entender, tentar conversar e, a partir dali, realmente orientá-los”, relatou o professor.
O estudante Pedro Flávio Silva, de 14 anos, cursa o 9º ano no Centro de Excelência de Educação Profª Eulina Batista de Melo e esteve atento a todas as explicações da juíza e da psicóloga da Coordenadoria da Mulher.
“Eu estou aprendendo muito sobre a violência contra a mulher, sobre como começa o ciclo de violência e a juíza traz bastante exemplos. Aprendemos como é possível denunciar caso o aluno esteja sofrendo alguma violência em casa e também foi mostrado como é o comportamento dos agressores para que a gente não seja um futuro agressor”, disse o adolescente.
A vice-prefeita de Nossa Senhora de Lourdes, Flávia Marques, prestigiou o evento e falou como é relevante trabalhar conteúdos como a Lei Maria da Penha nas escolas. "Acho de suma importância trazer os alunos para esse tipo de debate. Eu sempre falo que a base está nas escolas, porque são os alunos que reproduzem, que vão levar adiante assuntos como esses, conteúdos educativos, a importância do respeito e de não normalizar a violência", ressaltou.




