Em homenagem ao Mês da Mulher, o Arquivo Judiciário realiza até o próximo dia 9 de março a exposição "Da terra, o ventre: a luta histórica de mulheres negras escravizadas pela liberdade”. A mostra conta com dez documentos que fazem parte do acervo permanente do Arquivo e capturam o movimento partilhado por mulheres negras escravizadas, em Sergipe e em todo o Brasil, que engajaram suas vidas e seus trabalhos para se libertarem da dominação de senhores e senhoras escravistas.
As etapas de concepção e curadoria dos documentos para a montagem da exposição foram feitas em conjunto com a historiadora sergipana Nathiely Feitosa Farias, mestre em História pela UFS e doutoranda em História Social pela USP. A diretora Ana Cristina Machado Silva ressaltou a importância do acervo do Arquivo Judiciário para a produção de conhecimento. “Os documentos aqui preservados são utilizados por pesquisadores de todo o país. O trabalho de Nathiely, por exemplo, utiliza como base os registros judiciais sobre o período da escravidão em Sergipe e ela, agora, continua sua pesquisa em programa de Doutorado na USP”, afirmou a diretora.
A professora do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Edna Maria Matos, explica que a proposta da exposição surgiu de um diálogo construtivo entre as instituições. “Um resgate de como as mulheres, mesmo em situação de escravidão, viam no Poder Judiciário uma ferramenta para fazer valer o seus direitos. Uma exposição que dá voz, rosto, materialidade, dá vida para mulheres que no passado não abaixaram a cabeça e não se conformaram, não se conformaram. Não se resignaram e buscaram reverter as situações sofridas utilizando as ferramentas disponíveis no Judiciário”, explicou a professora.
“Esta parceria entre a UFS e o Poder Judiciário é fundamental. Os pesquisadores trazem toda a sua expertise e encontram aqui um acervo muito bem preservado, organizado e acessível, referência nacional. Trabalho em conjunto que vem se desdobrando em trabalhos de pesquisa essenciais para a história de Sergipe, um potencial que não está sendo subutilizado, que gera frutos desde a criação do Arquivo Judiciário e agora ainda mais com a digitalização”, celebrou o também professor da UFS, Carlos de Oliveira Malaquias, que orientou o trabalho da historiadora Nathiely Farias.