Quarta, 25 Fevereiro 2026 09:24

Arquivo Judiciário promoverá exposição sobre o movimento de mulheres negras escravizadas

De 2 a 9 de março, o Arquivo Judiciário realizará, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a exposição "Da terra, o ventre: a luta histórica de mulheres negras escravizadas pela liberdade”. A mostra conta com dez documentos que fazem parte do acervo permanente do Aquivo e capturam o movimento partilhado por mulheres negras escravizadas, em Sergipe e em todo o Brasil, que engajaram suas vidas e seus trabalhos para se libertarem da dominação de senhores e senhoras escravistas.

As etapas de concepção e curadoria dos documentos para a montagem da exposição foram feitas em conjunto com a historiadora sergipana Nathiely Feitosa Farias, mestre em História pela UFS e doutoranda em História Social pela USP.

Foram selecionados dois tipos documentais que registram parte do processo de libertação de escravizadas em Sergipe e que servem de fonte histórica para retratar a escravidão e a trajetória histórica de mulheres negras.

Em primeiro lugar, os testamentos. Neles foram registradas as últimas vontades dos sujeitos, quando estes temiam falecer sem organizar seus bens e seus desejos. Então estarão inscritos os legados de liberdade, doações de alforrias de senhoras escravistas para suas escravizadas, com justificativas. Também há os testamentos deixados por libertas, mulheres negras que conseguiram deixar para trás o passado da escravidão e documentar sua existência com o testamento.

Em segundo lugar, estarão expostos documentos judiciais de natureza cível que mostram a determinação das libertas em acessar a Justiça para defender e garantir seus direitos. Conta-se com ações de liberdade, petições e ações de cobrança de dívida.

"As mulheres negras obraram o impossível para ficarem livres. Lavraram a terra, plantaram cana-de-açúcar, mas também milho e feijão de corda, pariram suas crianças e deixaram famílias feitas. Fizeram da terra sergipana o ventre de suas liberdades: nela gestaram luta e um esforço extraordinário, sobre-humano, para se libertarem, para saírem do lugar de mulheres escravas para o de mulheres forras, livres da dominação de senhores e senhoras e motivadas a seguir, acompanhadas ou não, a vida em liberdade", relatou Nathiely Farias.

 

Esta ação está diretamente alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). São eles:
nº 5 (Igualdade de Gênero)
nº 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes)
nº 17 (Parcerias e Meios de Implementação)
nº 18 (Igualdade Étnico-Racial)