Em alusão ao Dia da Consciência Negra, o Arquivo Judiciário do Tribunal de Justiça de Sergipe realizou nesta quarta-feira, 26 de novembro, a palestra “A Mulher na Resistência Quilombola: rompendo silenciamentos e invisibilidades”, do Professor Doutor em História, Igor Fonseca de Oliveira. A apresentação é fruto da pesquisa de pós-doutoramento do acadêmico na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), elaborada com o uso de diversos documentos encontrados no Arquivo.
“Trago aqui um recorte de gênero, com a experiência dessas mulheres durante o período da escravidão em Sergipe, mais precisamente no século XIX, década de 1870. Indicando as estratégias delas de sobrevivência, desafios da maternidade, dentro deste contexto dos quilombos. Muito se fala sobre a virilidade do homem escravizado fugitivo, mas ainda há um silenciamento sobre o papel da mulher neste processo”, explicou. Como forma de retribuição ao trabalho do Arquivo Judiciário, espaço que frequenta desde 2005, o professor Igor Fonseca fez a doação ao acervo da instituição de exemplares do seu livro “O Vale dos Quilombolas – repertório de fontes da escravidão em Sergipe”.
A diretora do Arquivo Judiciário, Ana Cristina Machado, agradeceu pelo gesto e destacou a “importância da instituição como fonte inestimável de produção de conhecimento e a presteza do serviço ali desempenhado”.
Além de pesquisadores, acompanharam a palestra do professor Igor Fonseca alunos do Ensino Fundamental da Escola Municipal José do Prado Franco, de Nossa Senhora do Socorro. “Um tema bastante interessante e que amplia o leque do que é trabalhado dentro da sala de aula, especialmente a resistência e o combate a qualquer tipo de preconceito. Esta parceria entre escola e o Poder Judiciário vem trazer o contato direto e a experiência que é de grande importância para a formação dos alunos enquanto cidadãos”, explicou o professor Josenaldo Vieira Souza Teixeira.
Após a palestra, o servidor do Arquivo Judiciário, Tiago Carvalho Santos, apresentou um processo datado de 1881, referente a uma Ação Sumaríssima de Liberdade de Pedro Africano. A petição originou-se na comarca da vila de Currais de Pedra (atualmente município de Gararu) e, após sucessivas declarações de suspeição, tramitou por último na comarca de Japaratuba. O documento integra o acervo do Arquivo. “Do ponto de vista social, trata-se de um caso singular de luta pela liberdade: de um lado, um dos políticos mais influentes da província, cuja projeção o levaria ao Senado no início da República; do outro, um homem escravizado que, movido pela coragem e pelo desejo de liberdade, decidiu reivindicá-la judicialmente”, afirmou.