Terça, 18 Novembro 2025 12:28

Tribunal de Justiça de Sergipe celebra Dia da Consciência Negra com seminário

 ‘Afrofuturismo – pelo direito de sonhar’ foi o tema de um seminário realizado no Palácio da Justiça, na manhã desta terça-feira, 18/11, em celebração ao Dia da Consciência Negra, 20/11. O evento foi promovido pelo Comitê de Equidade de Gênero e Raça (Comeger) do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), com apoio da Escola Judicial de Sergipe (Ejuse). Além do seminário, a programação contou com apresentação de dança, exibição de curta-metragem, feira preta, oficina de turbantes e homenagem ao juiz Edinaldo César Santos Júnior.

“O tema afrofuturismo – pelo direito de sonhar’ não é apenas uma reflexão sobre a cultura afro-brasileira, mas uma convocação direta à Justiça para que assuma seu papel de construtora de futuros. Para nós do Comitê, o afrofuturismo se traduz na urgência de enfrentamento ao racismo estrutural no presente, usando as ferramentas da Justiça, para que as próximas gerações possam herdar um Poder Judiciário verdadeiramente equânime”, enfatizou a desembargadora Ana Lúcia Freire dos Anjos, presidente do Comeger.

A presidente do TJSE, desembargadora Iolanda Guimarães, também participou do seminário e falou sobre as ações do tribunal no combate ao racismo. Ela disse que o Comeger, desde que foi criado em 2020, vem atuando como um núcleo estratégico e fiscalizador, responsável por monitorar a equidade dentro do tribunal. “Por meio da Ejuse, mais de 80% dos nossos servidores e magistrados passaram por módulo obrigatório de sensibilização e formação em direitos humanos e combate ao racismo estrutural”, informou a desembargadora Iolanda.

O evento foi aberto com a apresentação do grupo ‘Um quê de negritude’, idealizado em 2007, no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, pela professora Clélia Ferreira Ramos, que leciona Português, Literatura e Redação. Sua base está no cumprimento das Leis 10.639/2003, sobre ensino da cultura e história africana; e 11.645/2008, que amplia esse ensino para a cultura indígena. Atualmente, conta com cerca de 100 integrantes, entre alunos e ex-alunos do Atheneu, envolvidos em dança, teatro e produção.

Logo em seguida, foi apresentado um vídeo em homenagem a Edinaldo César Santos Júnior, juiz do TJSE que faleceu em junho deste ano. Na ocasião, ele ocupava o cargo de juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dedicando grande parte da sua carreira a questões relacionadas a raça, gênero e direitos da criança e do adolescente.

Também foi exibido o curta-metragem ‘Amanhã, eu não sei’, de Davi Cavalcante, artista, pesquisador e curador. “Eu sinto que a gente pensar em combate o racismo é pensar em como os nossos corpos conseguem estar nos espaços de maneira confortável, com oportunidades, com possibilidades de crescimento. E é isso que eu espero. É isso que eu busco para mim, mas busco também para os meus, para quem está ao redor, sem que nossa identidade seja subjugada”, sugeriu Davi.

Mesa de discussão

‘Afrofuturismo e o Direito de Sonhar: a imaginação como ferramenta de Justiça Social’ foi o tema da mesa de discussão, que teve como moderadora a juíza Carolina Valadares, membro do Comeger. “Estamos aqui para fazer com que toda essa pauta relacionada as nossas conquistas, nossas lutas diárias, não só nosso conceito histórico e tudo que já fizemos, mas a projeção para o futuro, o corpo negro num futuro melhor, com outro cenário. E trazemos isso para que outro público, não só o jurídico, possa participar e tomar consciência dessas coisas”, comentou a magistrada.

Participaram da mesa o artista Davi Cavalcante; Taynā Querino, psicóloga; Sara Rogéria, doutora em Literatura e Cultura; e Kleidson dos Santos, procurador do Estado. “É sempre muito importante quando espaços como esse, que são historicamente privilegiados, abrem discussões e não apenas isso, possibilitam que pessoas negras possam falar. Porque é uma diferença muito grande entre você abrir espaços e você abrir espaço com pessoas negras discutindo”, argumentou Sara Rogéria.

Feirinha e oficina de turbantes

A feirinha preta levou para o hall do Anexo I vários produtos artesanais, como bolsas, bijuterias, biscoitos e artigos de decoração. Uma das expositoras foi a artesã Josi Alcântara, que aprendeu crochê ainda na infância e após se aposentar começou a produzir peças para comercialização. “É uma oportunidade ímpar, para que possamos ocupar espaços e mostrar o nosso trabalho, a nossa arte”, agradeceu Josi.

Já Tatiane Costa, produtora cultural, ministrou uma oficina de turbantes e embelezou as mulheres que passaram pela feirinha. “Aprendi a fazer o turbante aos 14 anos, quando eu participei de um concurso de beleza negra. Foi nesse momento que me descobri como uma mulher preta e isso acabou virando uma jornada empreendedora. Essa prática não fala somente sobre mim, mas é de uma grande representatividade do berço onde bebo essa fonte, que é a África”, salientou Tatiane.

Informações adicionais

  • Fotografias: Larissa Barros / Dicom TJSE