Sexta, 31 Outubro 2025 08:21

Crime de Carlos Firpo é tema de evento no Memorial

O Memorial do Judiciário abriu na noite desta quinta-feira, 30 de outubro, a exposição “Um crime bem maior do que Sergipe” e recebeu o ato de assinatura para reimpressão do livro ‘Casa lilás - memórias de um crime’, do jornalista Luiz Eduardo Costa.

Tanto a exposição quanto o livro tratam do assassinato de Carlos Firpo, médico e ex-prefeito de Aracaju (1941-1942), ocorrido em 29 de abril de 1958, em sua residência, localizada à rua Campos, na capital sergipana.

No discurso de abertura do evento, a presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), desembargadora Iolanda Guimarães, destacou o TJSE, por meio do Memorial, como instituição não só de excelência na prestação jurisdicional, mas de memória e cidadania. "A história da Justiça se faz não apenas com processos e decisões, mas também com cultura, reflexão e humanismo. Ao abrir espaço para arte e literatura, reafirmamos que a Justiça tem rosto, alma e sensibilidade", celebrou a desembargadora. "Parabenizo o jornalista Luiz Eduardo Costa por sua trajetória e por esta publicação, que junto à exposição, revisitam um episódio marcante da história sergipana que ultrapassou os nossos limites geográficos", discursou a presidente. O vice-presidente do TJSE, desembargador Etélio de Carvalho Prado Junior, também prestigiou o evento.

"Quando fui designado honrosamente pela desembargadora Iolanda como presidente da Comissão da Memória do TJSE, fiquei a intuir como começar a trabalhar aqui com o Memorial. E aí me vieram à mente os vários fatos jurídicos que vivenciei ao longo da carreira de professor e magistrado, sendo este um dos mais memoráveis. Lembrei-me dos meus tempos de estudante, com o professor e procurador Eduardo Cabral, profundo conhecedor do caso, e do livro de Luiz Eduardo Costa", explicou o desembargador João Hora Neto sobre a escolha do tema.

A diretora do Memorial do Judiciário, Sílvia Resnati, agradeceu ao apoio de instituições parceiras que fizeram a exposição ser possível. "Além do Arquivo Judiciário, a Biblioteca Epiphânio Dória e o Arquivo Público Municipal, dentre outros. Além de documentos, fotos e jornais originais, temos aqui ainda registros do torpedeamento de navios brasileiros na costa sergipana, fato daquela mesma década. E para a abertura da exposição, conseguimos trazer um carro Chevrolet de 1947, modelo semelhante ao que circulava em Aracaju naquela época", afirmou a diretora.

"É louvável a iniciativa da presidente Iolanda Guimarães de trazer para o conhecimento da geração atual o que representou o Crime da Rua de Campos e os acontecimentos daquela época. O meu livro traz uma contextualização daquele período, em Sergipe, no Brasil e no mundo. Não só o crime mas o seu entorno temporal. Fazer da nossa história parte da vida das novas gerações", celebrou o escritor Luiz Eduardo Costa.

"Eu era criança naquele tempo, mas lembro da grande repercussão que o crime teve, um acontecimento bárbaro que abalou a cidade. Não só pela vítima, o Dr. Carlos Firpo, mas pela forma como tudo ocorreu. Aracaju na época ainda era muito provinciana e ele sendo uma figura muito conhecida, acabou despertando diversas paixões e discussões acaloradas que seguem até hoje sobre as motivações do crime", relatou o procurador de Justiça aposentado, Moacyr Soares da Motta.

Informações adicionais

  • Fotografias: Larissa Barros - Dicom/TJSE