A juíza Carolina Valadares, membro do Comitê Gestor da Equidade de Gênero e Raça (Comeger) do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), esteve na Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Getúlio Vargas, na manhã desta quinta-feira, 23/10. Ela conversou com alunos dos 7o, 8o e 9o anos sobre representatividade, racismo estrutural, preconceito, sistema de cotas, Estatuto da Igualdade Racial e heteroidentificação.
“Tratar sobre o racismo é algo muito complexo, muito difícil. Escolhemos para esse momento um foco principal, que é a representatividade. Então, é a possibilidade que esses adolescentes têm de se identificar, de se verem em mim e saber que eles podem também ocupar espaços de poder, podem ter poder de decidir e participar da vida social com mais dignidade e mais respeito”, considerou a juíza Carolina Valadares.
A palestra foi realizada após um convite da escola, que desenvolve um projeto chamado ‘Nossa cor, nossa voz’. “Vivemos numa sociedade que é racista e o que acontece na sociedade reflete na escola. Por isso, desenvolvemos esse projeto, ao longo do semestre, para possamos discutir sobre racismo e sobre espaços de poder que podem ser ocupados pelos negros. É importante hoje aqui termos uma juíza que é negra, para que eles também se sintam representados e verem o que é possível”, salientou Edilma Messias Porto, professora de Português.
A estudante Alice Pereira, de 14 anos, aproveitou o momento e fez várias perguntas à juíza. “Eu achei legal porque a gente descobriu que não só pessoas que têm a pele mais retinta que são negras, mas também pessoas com outras características são negras. Foi um papo legal ver uma pessoa que passou pelas mesmas dificuldades que eu e tem as mesmas características que eu, estar num lugar desse. Serve para inspirar nosso futuro e mostrar que a gente pode chegar em qualquer lugar”, enfatizou a estudante.
Para Raik Gabriel da Silva Santana, também de 14 anos, o momento serviu para desconstruir preconceitos. “Foi um assunto muito interessante de debater aqui em sala de aula porque as matrizes africanas, tanto em religião quanto em cultura, são um tema malvisto no nosso país. Falam muita coisa ruim porque, geralmente, não se tem conhecimento nenhum sobre a cultura do Brasil. A maior parte da população do nosso país é composta por pessoas negras, então ter essa má visão sobre eles é muito ridículo em pleno século XXI”, opinou Raik.
“O Tribunal de Justiça de Sergipe tem feito o dever de casa, tem incentivado o acesso à justiça, ao conhecimento que a gente leva à comunidade, com representantes do tribunal indo para as escolas públicas para que crianças e adolescentes tomem conhecimento de que a justiça também é acessível. E assim eles também podem se identificar na gente. Estamos aqui para apoiá-los e ajudá-los nessa construção”, concluiu a magistrada.
Esta ação está diretamente alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU)
nº 4 (Educação de Qualidade)
nº 10 (Redução das Desigualdades)
nº 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes)




