A programação da XXX Semana da Justiça pela Paz em Casa foi aberta na manhã desta segunda-feira, 18/08, com lançamento e exibição do documentário ‘As Marias’. O vídeo retrata histórias de sergipanas com deficiência que sofreram violência doméstica, mulheres que ficaram deficientes após a violência sofrida e de famílias que perderam filhas, irmãs e mães vítimas de feminicídio.
A presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), desembargadora Iolanda Guimarães, fez a abertura do evento e viu o documentário. “Mais uma vez reafirmamos nosso compromisso com a proteção das mulheres e o combate firme à violência doméstica e familiar. A cada processo agilizado, a cada medida protetiva concedida com rapidez, a cada vítima ouvida com respeito é uma vida preservada e um passo em direção à paz”, destacou a presidente.
Conforme a juíza Juliana Martins, coordenadora da Mulher do TJSE, a semana é de conscientização. “Temos que conscientizar cada vez mais as mulheres a procurar o sistema de justiça para que consigamos evitar que elas fiquem sendo revitimizadas com a violência doméstica. Aqui no Tribunal de Justiça de Sergipe estamos julgando as medidas protetivas de urgência em um dia e meio, em média, quando a lei exige que sejam julgadas em 48 horas”, informou a magistrada, que também foi uma das entrevistadas no documentário.
O documentário ‘As Marias’, contemplado pela Lei Paulo Gustavo, teve como objetivo contribuir com o combate ao feminicídio. “O feminicídio, infelizmente, é um assunto que vai ficar por muito tempo tomando conta das páginas de jornal. As meninas que foram vítimas conseguiram falar um pouco sobre suas experiências até para incentivar que outras mulheres também procurem a polícia, a justiça e queiram ser protagonista das suas histórias e não mais uma vítima”, informou Jorge Henrique dos Santos, diretor-geral do documentário.
Uma das protagonistas foi Ana Paula de Jesus Santos, que relatou as inúmeras violências sofridas, como superou todas as dificuldades até se tornar, atualmente, paratleta, aluna do curso de Educação Física e musa fitness. “Eu me calei por um tempo, mas com esse documentário espero que ajude muitas mulheres a se encorajar. Quando a gente sofre violência ficamos calada, sufocada. Mas não podemos ficar em silêncio. Sabemos que a justiça é sim a favor da gente”, salientou Ana Paula.
Já Eliana Mayara Pereira, também protagonista do documentário e paratleta, relatou que passou por diversos tipos de violência, até ser agredida fisicamente pelo ex-companheiro quando estava grávida de quatro meses. “Esse documentário foi o início do meu processo de cura. O que eu digo para as mulheres é que elas comecem a perceber algumas bandeiras vermelhas que são levantadas no início do relacionamento. Tudo inicia numa manipulação, na violência psicológica, para depois chegar numa violência material e até a física”, alertou Eliana.
Eliana contou que esse ciclo da violência aconteceu com todas as mulheres vítimas de violência doméstica que ela conhece. “Então, o que eu quero deixar paras as mulheres que, assim como eu, tenham coragem de denunciar, de procurar a justiça. Que não tenham medo porque a segurança pública hoje tem sim um aparato legal para te atender muito bem”, orientou Eliana.
Programação da Semana da Justiça pela Paz em Casa
19 e 20/08, terça e quarta-feira
8 às 12h e 13 às 16h
Curso para os profissionais dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (Crams)
Local: auditório da Ejuse, no 7º andar do Anexo I
21/08, quinta-feira
9 às 11h
2° Encontro de grupos reflexivos para pessoas autoras de violência doméstica e familiar contra a mulher
Local: auditório da Ejuse, no 7º andar do Anexo I
22/08, sexta-feira
8h30 às 11h
Minicurso de organização pessoal ministrado por Elisangela Cardoso de Melo Jesus e Marta Maria da Silva Pereira de Souza, personal organizers
Local: sala de aula do 7º andar do Anexo I
Esta ação formativa está diretamente alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ...
- Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
nº 5 (Igualdade de Gênero)
nº 10 (Redução das Desigualdades)
nº 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes)
nº 17 (Parcerias e Meios de Implementação)




