Em alusão à Semana Santa, o Arquivo Judiciário realizou, na manhã desta quarta-feira, 16/04, a palestra 'Confrarias e Ordens Terceiras Religiosas na documentação arquivística', ministrada pelo historiador Adailton Andrade. A pesquisa sobre o tema foi realizada no Arquivo Judiciário e contemplou processos tramitados entre os séculos XVI e XIX em São Cristóvão. Assistiram à palestra alunos da Escola Municipal José do Prado Franco, de Nossa Senhora do Socorro.
“O Arquivo Judiciário não é só um espaço para guardar papel, ele guarda a história. As portas estão abertas aos historiadores e para a toda sociedade para que conheçam o acervo histórico imenso que temos aqui”, enfatizou Ana Cristina Machado Silva, diretora do Arquivo Judiciário. O evento foi aberto pela chefe da Divisão de Memória Judicial do Arquivo, Maíra Paim, que deu as boas-vindas aos estudantes.
O historiador Adailton Andrade, que além de historiador é presidente da Confraria Sancristovense de História e Memória e diretor do Arquivo Municipal de São Cristóvão, iniciou a palestra falando sobre a criação da Ouvidoria, em 1696, instituição na época equivalente ao Judiciário atual e que permitiu a autonomia jurídica de Sergipe em relação à Bahia.
Em seguida, ele explicou que confrarias, irmandades ou ordens terceiras são associações religiosas de leigos no catolicismo tradicional. “Os processos que João Bebe Água aparece como rábula, como procurador da Ordem, estão aqui no Arquivo Judiciário. Foi uma proposta da direção do Arquivo aproveitar o período da Semana Santa para falar sobre as ordens religiosas. E aqui é uma riqueza de fontes documentais voltadas para este tema”, explicou o historiador.
Ele informou que a chegada dos carmelitas, franciscanos, capuchinhos e jesuítas contribuíram para a construção da história sergipana. Os jesuítas foram os primeiros a aportar em Sergipe, em 1575, por meio da missão de São Tomé, de Santo Inácio e São Paulo, lideradas pelos padres Gaspar Lourenço e João Salônio.
“Vieram com a missão de catequizar, mas hoje vemos com um olhar diferenciado. Além de catequizar, quiseram impor uma cultura europeia em cima de uma cultura que já existia. Por isso, hoje não se usa mais a palavra descobrimento porque quando chegaram aqui já existia um povo que tinha sua história, sua memória”, ressaltou Adailton, que ainda falou sobre os tipos de documentação da época, como atas e livros de finanças, e a importância da preservação arquivística.
O historiador lembrou que as ordens terceiras tiveram um papel social importante na área da assistência, com a manutenção de hospitais, orfanatos e auxílio financeiro aos mais necessitados; promoção de cultos religiosos; e influência na vida política e cultural da colônia e do império.
Uma das alunas presentes à palestra foi Ruth Gabriela Pereira de Oliveira, do 8º ano. “Eu nunca tinha vindo aqui no Arquivo, só tinha ouvido falar. Achei importante essa iniciativa porque ajuda os alunos a aprenderem mais sobre a história do Estado e do Poder Judiciário”, disse a estudante.
Além da palestra, os estudantes puderam conferir uma exposição com processos históricos dos séculos XVIII e XIX, oriundos da Comarca de São Cristóvão, que tratam de assuntos relativos à Santa Casa de Misericórdia, Irmandade Nossa Senhora do Amparo, Capela Nossa Senhora da Conceição, Confraria do Glorioso Santo Antônio do Carmo, Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmo.




