Terça, 05 Agosto 2003 13:23

Dia Internacional da Mulher

De que sofrem as mulheres?



Artigode Alba Abreu Lima

Psicóloga do TJ/SE


A instituição do Dia Internacional da Mulher nos permite crer que ainda temos o que comemorar e podemos comprovar esse fato em nossa própria casa, que hoje é presidida por uma mulher. No entanto, a data pode ser comemorada com reflexões sobre a condição da mulher e escolhemos comentar o sofrimento psíquico e suas modalidades clínicas, fruto do trabalho de nossa escuta cotidiana no Centro Médico.
O fim do século passado foi marcado por grandes avanços nos direitos da mulher, refletidos no Novo Código Civil e na participação ativa da produção no trabalho, na cultura e nos debates acadêmicos. O custo emocional foi muito grande e "novos" sintomas compareceram na clínica do feminino. Não que sejam verdadeiramente novos, pois o sintoma é uma patologia antiga, que carrega uma mensagem que o sujeito não consegue ler e precisa de um psicólogo para decifrar seu sentido, formalizar a queixa, tal qual um advogado escreve uma petição para seu cliente. O que modifica de tempos em tempos é a envoltura formal do sintoma que depende da cultura ao qual a pessoa está inserida e seus modismos.
Diante da competitividade, agressividade e demanda cada vez mais exigente das relações com a moderna civilização, a mulher responde não mais com o sintoma histérico de paralisia, tão comum no começo do século passado, mas com ataques de pânico, depressão e enfarte, antes "privilégio" do mundo masculino.
A anorexia, bulimia e obesidade são sintomas que cor(respondem) à exigência de um corpo jovem e perfeito difundido pela mídia. As frustrações de hoje são inversamente proporcionais às de nossas avós que se alimentavam para fabricarem corpos cheios e generosos, apreciados pelo masculino da época.
Educar filhos, lidar com filho adolescente e manter a posição feminina frente ao parceiro são muitas das inúmeras queixas que fazem sofrer a mulher contemporânea.
Longe de estar sozinha em seu sofrimento, hoje em dia o homem está cada vez mais "feminino", mais maternal e com isso, mais parceiro, companheiro de angústias e preocupações. Com isso,  o sofrimento psíquico que reclamava soluções imediatas, receitas prontas, passa a ser resolvido a partir do despertar de uma nova visão sobre o desejo feminino: as mulheres não querem apenas aquela tarefa histórica de objeto de cama e mesa, mas tomar parte na arbitragem de todos os processos históricos da humanidade.