O Centro Médico do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) realizou na manhã desta sexta-feira, 19/07, mais uma palestra visando à qualidade de vida e bem-estar de servidores e magistrados. Dessa vez, o tema foi "Prevenção e diagnóstico de tumor de cabeça e pescoço", assunto abordado pela médica Daisy Panta. A iniciativa celebra o Julho Verde, mês de conscientização sobre os tumores de cabeça e pescoço.
“Acho muito importante trazer tanto nesse mês do Julho Verde como também o resto do ano essas orientações para os funcionários, que por sua vez levam para os familiares. Costumamos falar que a falta de informação também é um fator de risco. Então, tendo conhecimento dessas informações e levando para os familiares é possível evitar esse tipo de câncer”, alertou a médica, que é cirurgiã de cabeça e pescoço.
Em 2014, durante o 5º Congresso Mundial da Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço, nos EUA, o 27 de julho foi escolhido como o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. O tumores de cabeça e pescoço representam o nono tipo de câncer mais comum no mundo, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Confira na entrevista abaixo as informações da médica Daisy Panta sobre os cuidados, sintomas, diagnóstico e tratamento do câncer de cabeça e pescoço:
O que é esse tipo de câncer e qual a prevalência?
É um câncer que afeta a região da cabeça e pescoço, abarcando a parte da boca, língua, nariz, nasofaringe, a garganta com as cordas vocais, laringe, tireóide e também a pele dessa região. É um câncer que tem uma grande prevalência no Nordeste porque a região tem uma alta incidência de raios solares, de raios ultravioletas e, por isso, temos também o câncer de pele nessa região. Pela estimativa do Instituto Nacional do Câncer, o Inca, teremos no Brasil cerca de 39.550 novos casos de câncer de cabeça e pescoço somente este ano.
Quais os fatores de risco?
A exposição solar sem o uso devido do protetor solar é um dos fatores. Muita gente não lembra de reaplicar o protetor solar durante o dia. O consumo de álcool e cigarro são os principais fatores de risco tanto para o câncer de boca quanto para o da laringe e garganta. Mas também temos um grande fator de risco, que muita gente esquece e se descuida, que é o HPV. Hoje em dia, existe a vacina disponível pelo SUS para crianças e vacinas contra HPV também disponível na rede privada. Muita gente não se alerta para fazer esse tipo de preventivo.
Quais são os sintomas que podem sugestionar um câncer nessa região?
Os sinais de alerta seriam manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca que não cicatrizam por mais de cinco dias. Caroço ou nódulo no pescoço que a gente consegue sentir. É importante a gente se olhar, se examinar e tocar para perceber se tem algum caroço ou mancha que dure mais de 15 dias nessa região da boca, da garganta. É normal uma rouquidão por alguma virose ou abuso da voz, mas se durar mais de 15 dias é bom ligar o sinal de alerta e procurar atendimento médico especializado. Uma lesão de pele que você perceba que está aumentando, que tem uma borda irregular, que coça, sangra também ligar o sinal de alerta.
Qual especialidade procurar nesses casos e como é feito o diagnóstico?
Se você tiver acesso ao atendimento médico de um especialista, um cirurgião de cabeça e pescoço. Se for alguma lesão de pele, até mesmo um dermatologista também é uma opção viável. Se houver dificuldade de acesso, um clínico geral mesmo. Se a lesão for suspeita, o médico fará exames físicos e pedirá exames de imagens, como ultrassom, laringoscopia, endoscopia. E se for necessário uma biópsia para poder definir se aquela lesão é maligna ou não.
Confirmado o câncer, qual o tratamento?
O tratamento pode ser cirúrgico ou não, vai depender muito do local e se a lesão está avançada. Se for não cirúrgico, pode ser feito com quimioterapia e radioterapia. Hoje em dia, existem várias opções de cirurgia com laser.
Qual a relevância da campanha do Julho Verde?
O Julho Verde é uma campanha da Sociedade Brasileira de Cabeça e Pescoço para fazer um alerta ao diagnóstico e tratamento desse tipo de lesão. Com o tratamento e o diagnóstico precoce a gente consegue chegar a 90% de chance de cura desse tipo de lesão. Então, o que estamos buscando junto à sociedade é alertar e orientar porque assim conseguimos ter esse alto índice de cura.




