Está em curso no Tribunal de Justiça de Sergipe mais uma capacitação para facilitadores de Justiça Restaurativa (JR) e Círculo de Construção de Paz. Realizada pelo Núcleo Permanente de Justiça Restaurativa (Nupejure) e pela Escola Judicial de Sergipe (Ejuse), a formação é destinada para profissionais que atuam na rede de atendimento de crianças, adolescentes e mulheres, em Sergipe, bem como servidoras e servidores do Judiciário.
O curso de Formação em Justiça Restaurativa segue as recomendações do Conselho Nacional Justiça (CNJ), inclusive com ampliação da carga horária. São duas etapas: uma de formação téorica que compreende 30 horas de aulas virtuais, onde são compartilhados conhecimentos sobre o tema com a introdução de conceitos, princípios e valores da JR; e a formação prática consiste em 40 horas de aulas presenciais, no formato vivencial, visando formar facilitadores restaurativos que possam intervir em situações complexas, através do Círculo de Construção de Paz.
"Neste mês de junho, a gente está trabalhando justamente as habilidades da função do facilitador. Convidamos os parceiros da rede de atendimento e outras instituições, porque nos processos que envolvem famílias, crianças e adolescentes, geralmente fazemos o encaminhamento ou essas pessoas já estão em acompanhamento pelos serviços da rede”, explicou Michele Cunha, assistente social facilitadora de Círculo de Construção de Paz.
A assistente social que atua no Centro de Referência da Assistência Social Iraê Azevedo Cruz, na Barra dos Coqueiros, Ana Flávia Oliveira, já tinha participado de palestras sobre JR promovidas pelo TJSE, e decidiu se aprofundar na temática com a capacitação. “Assistir à palestra é diferente de você está imerso e participar de um curso. Aqui, a gente pode observar os elementos estudados antes e, na prática, conseguir pensar na aplicabilidade para esse ou aquele caso. Então, eu acho essa metodologia de curso importante para termos a experiência e a vivência que torna mais fácil desenvolvermos trabalhos que evitem que o conflito chegue até justiça", considerou Ana Flávia.
O objetivo é capacitar os profissionais a desenvolverem práticas restaurativas, através da metodologia do Círculo de Construção de Paz, como também a promoverem educação para a paz nos seus ambientes de trabalho, nas relações profissionais, no atendimento ao público-alvo dos seus serviços, crianças, adolescentes e famílias. “É importante para que esses profissionais entendam como o Tribunal de Justiça está enxergando a questão do conflito, das violências e como é possível a lidar de uma forma dialógica, através da escuta, respeitando os interesses, as necessidades das pessoas, além de trabalhar na prevenção dessas violências", completou Michele Cunha.
A assistente social Ana Flávia ainda discorreu sobre como é possível aplicar as técnicas restaurativas com o público atendido nos CRAS. “Lá no meu trabalho, o círculo de paz pode ser utilizado com relação ao acompanhamento familiar que eu executo. Dentro desse acompanhamento familiar, a depender dos casos das famílias que eu acompanho, é possível fazer o círculo conciliativo para que as famílias possam refletir sobre o motivo que as levaram ao acompanhamento familiar. Também podemos incluir a comunidade, ou seja, discutir uma determinada realidade, no sentido de que, às vezes, não é uma questão apenas da família, mas de acesso às políticas públicas e da compreensão de como essas políticas públicas podem dialogar para resolver pontualmente o conflito”.