No sábado (8/6), servidores do Poder Judiciário de Sergipe que desenvolvem atividades nas recepções das unidades jurisdicionais da capital e interior participaram de uma capacitação. O objetivo foi sensibilizar atendentes para o fornecimento de uma assistência eficaz e empática às pessoas em situação de rua.
A ação foi promovida pelo Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para a Promoção de Políticas Públicas Judiciais de Atenção às Pessoas em Situação de Rua do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), presidido pelo desembargador Etélio de Carvalho Prado Junior. A capacitação atende à Resolução n. 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça.
“A sensibilização que o Comitê Pop Rua Jud realizou com os nossos terceirizados objetiva melhorar, qualificar e aperfeiçoar o nosso atendimento a esse público estabelecendo fluxos com outros equipamentos socioassistenciais relevantes para a temática. A ideia é garantir a todas as pessoas que estão em situação de rua o acesso à justiça, seja no que tange a sua documentação básica como registro civil que é fundamental para a emissão, por exemplo, do documento de identidade ou mesmo para consultas processuais. É uma ação que visa abrir as portas e aproximar o Poder Judiciário desse segmento extremamente vulnerabilizado e carente e garantir tantos direitos que não lhe são assegurados”, explicou a juíza coordenadora da Infância e Juventude Iracy Mangueira, que é membro do Comitê.
Na capacitação, a magistrada falou sobre a Resolução n. 425/2021 do CNJ, seus objetivos, princípios e medidas administrativas de inclusão. Também houve a apresentação de equipamentos voltados para o atendimento à pessoa em situação de rua, como o Consultório na Rua, ofertado pela Secretaria Municipal de Saúde, a ONG Bom Pastor, além da Casa de Passagem Freitas Brandão e o Centro POP, equipamentos que fazem o acolhimento da população.
Em todas as intervenções foi trazida uma abordagem humanitária de como atender a população em situação de rua, de como identificar e compreender a situação dessa população; combater o estigma e o preconceito e lidar com estereótipos. A capacitação tratou ainda de estratégias para uma abordagem segura e eficaz, para o gerenciamento de conflitos, bem como os encaminhamentos das pessoas em situação de rua para os equipamentos locais e serviços da Rede.
Cristiana Carvalho Santos, que é recepcionista do Palácio da Justiça há mais de 10 anos, fez uma avaliação acerca da importância da capacitação. "Esse curso, especialmente, foi maravilhoso para a gente porque trouxe aprendizado para situações que realmente a gente vivencia no dia a dia com as pessoas em situação de rua. É sempre importante aprender sobre esse atendimento humanizado, porque é bom termos esse outro olhar e cuidado com todas as pessoas que chegam ao Poder Judiciário", relatou Cristiana.
Atuando como ascensorista de elevador, Gilvalda Ferreira Lima, disse estar mais capacitada para prestação da atividade que exerce. “Gratificante esse curso para a gente colocar em prática os ensinamentos e atender de forma mais empática e respeitosa as pessoas que estão em situação de rua. Nós já tínhamos esse procedimento de atendermos bem qualquer pessoa que chega às unidades da Justiça, mas, com esta capacitação, nós conseguimos compreender a realidade dessas pessoas e proceder com uma abordagem sem preconceitos", afirmou Gilvalda.