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Sexta, 07 Junho 2024 08:13

Memorial do Judiciário comemora 20 anos com apresentações de teatro e música

Uma noite para ficar guardada na lembrança, regada à boa música dos grupos Vivace e Insamba, apresentação do Mamulengo de Cheiroso e um público que abrilhantou a festa de 20 anos do Memorial do Judiciário, realizada ontem, 06/06. Criado em 2004, com o objetivo de salvaguardar a memória do Poder Judiciário de Sergipe e também da cultura do Estado, o Memorial do Judiciário foi instalado em um dos prédios mais antigos do Centro de Aracaju, inaugurado em 1895 para abrigar o então Tribunal de Relação.

“Nesses 20 anos, tivemos várias exposições contando a história do Poder Judiciário, mas não só isso. Hospedamos também exposições de curta duração, a depender da época do ano e temas específicos. Ainda procuramos valorizar os arredores do Palácio Sílvio Romero e temos como vizinho o Colégio Jackson de Figueiredo, onde estudou João Gilberto, o pai da Bossa Nova. Por isso, hoje estamos fazendo uma homenagem a ele”, comentou Sílvia Resnati, diretora do Memorial do Judiciário.

Homenagem também ao folclorista, jurista, jornalista e historiador sergipano Sílvio Romero, que deu nome ao prédio quando foi instalado o Memorial do Judiciário, em 2004. A imagem dele foi projetada na fachada do Memorial, na noite de ontem. “Sílvio Romero foi escolhido como patrono desse prédio porque é um personagem muito importante da história, escreveu sobre o folclore brasileiro. Então, é alguém essencial para trabalharmos a identidade sergipana e brasileira”, explicou Sílvia.

Para o juiz José Anselmo de Oliveira, que é membro da Comissão de Memória do TJSE, além de preservar a história do Judiciário sergipano, o Memorial cumpre uma importante função urbanística na cidade. “Infelizmente, a memória arquitetônica de Aracaju tem sido menosprezada. Muitos prédios antigos desapareceram da paisagem urbanística. Mas graças ao Tribunal de Justiça, a gente mantém o Palácio Sílvio Romero com as mesmas características do final do século XIX”, destacou o magistrado.

O desembargador Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima, presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE); a corregedora-geral da Justiça, desembargadora Ana Bernadete Leite de Carvalho Andrade; além de outros magistrados, servidores do Judiciário e autoridades de diversos órgãos, a exemplo do governo de Sergipe, Tribunal de Contas e Ministério Público de Sergipe também prestigiaram o aniversário do Memorial.

Apresentações

A festa começou com a apresentação do único grupo sergipano de teatro de bonecos, o Mamulengo de Cheiroso, que acabou de completar 46 anos de existência e está com uma exposição no Memorial do Judiciário aberta até dezembro. O grupo apresentou o espetáculo ‘A cobra grande’, que arrancou risadas do público e contou com a participação das crianças, que interagiram com os atores.

“Esse Memorial preserva parte da história de Sergipe. A memória é fluida, vai embora como o vento, mas um local como esse que integra o teatro popular a esse conjunto, é algo que vai para frente. Estamos expondo aqui 115 dos nossos mais de 1600 bonecos, com visitas guiadas, permitindo ao sergipano que conheça a história da gente”, comemorou Augusto Barreto, diretor do Mamulengo.

A pequena Marilene Costa, de 5 anos, filha de Hercílio Costa, servidor do TJSE, divertiu-se muito com o espetáculo. “Eu gostei de tudo”, disse a garotinha. O pai também aprovou. “Para minha surpresa, ela interagiu bem”, disse Hercílio. A gestora Lídia Barreto também esteve no local com as filhas, Marina, de 10 anos, e Laura, de 7. “Sou amante da cultura sergipana e ver o Mamulengo, que representa a cultura do nosso Estado, foi gratificante. Pude apresentar para minhas filhas de onde nasceu toda a história e cultura de Sergipe”, disse Lídia.

Logo em seguida, o coral Vivace, com 14 integrantes, o grupo Insamba e os solistas Zéq" Oliver e Dana Estavo, sob a regência do maestro Sérgio Teles, apresentaram ao público um repertório de samba e Bossa Nova, com muitas canções de João Gilberto e outros ícones da música popular brasileira. “É sempre uma honra estar aqui no Memorial, que é um grande símbolo para a história e cultura sergipana”, salientou Sérgio Teles.

Quarenta alunos do Programa de Educação de Jovens e Adultos de Nossa Senhora do Socorro prestigiaram o evento. “Nossos alunos ficam encantados por estarem dentro desse contexto de boa música e de conhecer o Memorial. Já tivemos outros momentos aqui, de educação ambiental, de combate à violência doméstica, e eu só tenho a agradecer ao Poder Judiciário por dar essa oportunidade a todos”, enfatizou Cláudia Campos, coordenadora de Educação de Jovens e Adultos de Socorro.

História

O prédio que abriga o Memorial do Poder Judiciário de Sergipe começou a ser construído em 1892 para ser a sede do Tribunal da Relação, sendo entregue aos Desembargadores em 1895. Permaneceu como sede do Judiciário sergipano até 1930. Depois disso, funcionaram no local o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a Chefatura de Polícia, o Instituto de Música, o Juizado de Menores, o Fórum Des. Vasconcelos e o Arquivo Geral do Judiciário. Em 1985, a edificação foi tombada pelo governo do Estado como patrimônio arquitetônico de Aracaju.

Em 02 de dezembro de 2004, após restauração e reforma, a primeira sede do Tribunal passou a abrigar o Memorial do Poder Judiciário de Sergipe, durante a gestão do Des. Manuel Pascoal Nabuco D"Ávila (2003-2005), sob a coordenação do jornalista e escritor Luiz Antônio Barreto. Desde então, a edificação passou a ter como patrono o escritor, folclorista, historiador, crítico literário, advogado, jornalista e poeta sergipano, Sílvio Romero (1851-1914).

As diretrizes do Memorial são preservar e promover o patrimônio cultural material e imaterial; além de buscar interlocução com instituições culturais e protetoras do patrimônio cultural e histórico do Brasil e de Sergipe para divulgação do conhecimento da história e da memória.

Informações adicionais

  • Autor: Janaina Cruz
  • Fotografias: Raphael Faria / Dicom TJSE

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