Sexta, 17 Mai 2024 12:20

Memorial dá início ao projeto aula-espetáculo com Mamulengo de Cheiroso

Retirar por algumas horas crianças e adolescentes da sala de aula para um aprendizado prático, com um passeio pela história do Judiciário e apresentação do grupo de bonecos Mamulengo de Cheiroso, que acaba de completar 46 anos. Este é o objetivo de um projeto do Memorial do Judiciário, iniciado na manhã desta sexta-feira, 17/05, e que contou com a presença de alunos da Escola Municipal Eduardo Viana, de Nossa Senhora do Socorro, e do Centro de Excelência Professor Gonçalo Rollemberg Leite, de Aracaju.

“O Memorial abre as portas mais uma vez para receber todos os sergipanos e alunos das escolas que queiram conhecer o acervo do Judiciário e também a exposição de 46 anos do Mamulengo de Cheiroso”, destacou Sílvia Resnati, diretoria do Memorial do Judiciário. Ela lembrou que o projeto da aula-espetáculo foi iniciado hoje em comemoração ao Dia Internacional dos Museus, celebrado amanhã, 18 de maio.

O Mamulengo de Cheiroso apresentou o espetáculo ‘A cobra grande’, que arrancou muitas risadas dos estudantes. A pequena Ana Vitória da Cruz, de 6 anos, vibrou com a “cobra gigante que comeu o menino”. Já a coleguinha, Eloá Rocha, da mesma idade, ficou impressionada com o tamanho dos bonecos da exposição. “Achei estranho, mas é legal também”, confessou Eloá. O espetáculo ainda divertiu Júlia Ferro, de 15 anos, que não conhecia o Mamulengo e nem o Memorial. “Foi muito interativo e bem engraçado”, comentou a adolescente.

Se o espetáculo encantou as novas gerações, o Mamulengo de Cheiroso continua agradando quem acompanha o trabalho do grupo há mais tempo. É o caso da aposentada Claudete Sales Sampaio, que foi professora Augusto Barreto, diretor do Mamulengo, na Universidade Federal de Sergipe (UFS), no final da década de 1970. “Augusto fez Psicologia do Desenvolvimento comigo, aí nos aproximamos e nunca mais nos separamos. Eles têm um trabalho seríssimo, de muita competência em tudo. Nem sei dizer qual o espetáculo mais gostei. Na verdade, meu amor é pelo o que eles fazem”, elogiou a professora.

Além da professora na plateia, Augusto Barreto contou com a participação de um ex-aluno. O também professor Gustavo Floriano estudou com Augusto Barreto e hoje toca triângulo no trio que acompanha a apresentação do Mamulengo. “É uma história de quase 40 anos com eles. Sou morador do bairro Getúlio Vargas e vi, muitas vezes, o Mamulengo no Centro de Criatividade. Isso tudo ficou na minha memória e acredito que fez com que me tornasse artista e professor”, contou Gustavo, que fez uma dissertação sobre o grupo de teatro de bonecos.

Professor de Artes do Centro de Excelência Professor Gonçalo Rollemberg Leite, Gustavo levou os alunos da turma do 1º ano do ensino médio para assistirem ao espetáculo. “Na escola, a gente lê e contextualiza arte. Num momento como esse, que a gente tira o aluno da sala de aula para apreciar um espetáculo, é o momento de ver a arte. É uma experiência artística no aprendizado que será um diferencial na vida dos alunos. Serão profissionais mais criativos por conta dessa experiência”, considerou o professor Gustavo Floriano.

História do Mamulengo de Cheiroso

O grupo Mamulengo de Cheiroso surgiu em 1978, a partir de um trabalho acadêmico que a professora Aglaé Fontes passou para alunos da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Desde então, o grupo realizou mais de quatro mil apresentações dedicadas à valorização das danças e folguedos populares, inclusive no exterior, em países como México, Portugal, Índia, Espanha e França. Em 2013, rodou o Brasil com apresentações do projeto Palco Giratório em mais de 100 municípios.

“O Mamulengo é a representação do teatro popular. Essa parceria com o Memorial é fantástica porque houve o acolhimento e a valorização desse teatro, fazendo com que as escolas venham ao museu e as novas gerações conheçam o Mamulengo. É um teatro que precisa de manutenção perpetuamente. Então, eu agradeço muito à direção do Memorial e ao presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Múcio, que acolheram a gente e respeitaram o artista”, agradeceu Augusto Barreto.

O grupo já passou por diferentes formações e, atualmente, várias pessoas da família de Augusto estão envolvidas nos espetáculos, entre elas, a irmã, Marlene Barreto e os três filhos dela. “Para gente, o Mamulengo é cura, é brincar, é ser feliz. É estar em contato com a natureza, com a arte, com a música. É uma coisa que vem instintiva. A gente se envolve, o sangue corre nas veias e todo mundo constrói junto”, confessou Marlene Barreto.

Agendamento

As escolas e/ou grupos interessados em visitas guiadas ao Memorial do Judiciário podem fazer o agendamento através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (79) 3226-3489. A exposição sobre a história do grupo Mamulengo de Cheiroso fica aberta até o mês de dezembro e, até lá, serão realizadas outras aulas-espetáculo. O Memorial fica localizado à Praça Olímpio Campos, 417, Centro de Aracaju. O acesso é gratuito.

Informações adicionais

  • Autor: Janaina Cruz
  • Fotografias: Raphael Faria / Dicom TJSE