Foi realizada neste sábado, 7/10, uma capacitação voltada para servidores e terceirizados que trabalham nas recepções e no atendimento das unidades do Tribunal de Justiça de Sergipe, localizadas na capital e interior. O treinamento visa capacitar e sensibilizar servidores e terceirizados, bem como adequar os procedimentos em todas as recepções do Judiciário no atendimento direcionado às pessoas com deficiência e grupos que demandem atenção diferenciada.
A capacitação ocorreu na Escola Judicial de Sergipe (Ejuse) e foi condizida pelo Centro Médico do TJSE. "O objetivo é esclarecer melhor para todos sobre as doenças ocultas, sobre as diferenças raciais, de gênero para que possamos recepcionar melhor toda a população que chega aos nossos fóruns, aos nossos prédios, em busca de uma prestação jurisdicional de qualidade", explicou Cristiane Goes, diretora do Centro Médico.
A palestra foi proferida pela psicóloga do Centro Médico, Sheilla Tatiana Oliveira, a qual abordou o tema ‘Doenças Ocultas”, entretanto também foram tratados conteúdos como racismo, transfobia, acolhimento à população em situação de rua e a outros grupos vulneráveis.
"No dia 17 de julho deste ano, foi sancionada a lei que alterou o Estatuto da Pessoa com Deficiência para atender as doenças ocultas, aquelas doenças não visíveis à primeira vista. Então, nós precisamos capacitar os servidores do atendimento para estimular o acolhimento. Falamos, inclusive, sobre o cordão de fita com desenhos de girassóis que foi instituído por essa lei e que serve para a identificação de pessoas com deficiências ocultas. Além disso, abordamos o combate à transfobia e ao racismo, bem como o olhar mais sensível nas recepções às pessoas em situações de rua para que todas essas pessoas sejam atendidas da melhor maneira possível, estimulando, assim, o acolhimento e a empatia", detalhou a psicóloga acerca do treinamento.
Cristiana de Oliveira está há dez anos na recepção do Palácio da Justiça e disse que todas as capacitações promovidas pelo TJSE ajudam na prestação do atendimento. "Melhora o nosso atendimento, nos dá mais sensibilidade, mais atenção e apura o nosso olhar para as pessoas mais vulnerabilizadas, assim, a gente adquire um olhar mais humanizado", garantiu.
Já Estephane Raquel Batista, que atua na recepção dos Fóruns Integrados III, no raio X, avalia a capacitação como importante para que o TJSE desenvolva um melhor atendimento à população. "Eu acho fundamental porque a gente precisa enxergar a diversidade tanto de gênero, quanto as pessoas com deficiência, as quais, às vezes, a gente não sabe identificar e, com o curso a gente aprende como melhor prestar esse atendimento", salientou.
Participaram desta capacitação uma média de 120 profissionais, dentre funcionários terceirizados e policiais militares que atuam na segurança das unidades da Justiça. O policial militar Thiago Carvalho avaliou a iniciativa do TJSE. "Eu percebo que o Tribunal, sua presidência, tem esse empenho de qualificar os profissionais para que, de certa forma, haja uma atenção maior com relação ao público externo. Então, essa não é a primeira capacitação voltada aos profissionais que trabalham diretamente com o público e, por isso, eu acredito que o caminho da qualificação é o ideal para melhor atender aos jurisdicionados", reforçou.
O Fórum Gumersindo Bessa, maior fórum de Sergipe, tem uma das recepções mais movimentadas por onde passam diariamente uma média de mil pessoas. Para quem atua nesta unidade, o treinamento é fundamental. "É porque agregamos conhecimento com essas palestras para o nosso dia a dia. Parafraseando Maquiavel, "se os tempos mudam e comportamento não se altera, estamos sujeitos à ruína", então, temos que cada dia mais nos aperfeiçoarmos e adquirirmos mais conhecimento, somente assim evoluimos", sargento Joselito dos Santos.
"A gente precisa estar atento a todos os movimentos e a todas as pessoas que são recebidas no fórum, porque lidamos com pessoas com deficiência, pessoas sem deficiência, pessoas trans, pessoas que estão de bom humor, pessoas que estão de mau humor, com pressa. Então, a gente tem que estar preparado para tudo e essas capacitações nos ajudam nesse trabalho", considerou Ivânia de Souza que desempenha a função de recepcionista há oito anos no Gumersindo Bessa.