O Memorial do Judiciário realizou na noite de ontem, 20/09, palestras e abriu a exposição ‘Dialogay Di@logando’, referentes ao tema da 17ª Primavera dos Museus, ‘Memórias e Democracia: pessoas LGBT+, indígenas e quilombolas’. A Primavera dos Museus é um evento nacional, organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com programação em todos os Estados. O intuito é fazer dos museus espaços de reflexão sobre temas relevantes da sociedade contemporânea.
“Somos uma casa de memória do Judiciário, mas é importante frisar que resgatar a memória é trabalhar em conjunto com a população, algo importante para criação de uma identidade tanto individual quanto coletiva. Por isso, o Ibram estimula os museus e casas de cultura, durante essa semana, a trabalhar sobre a importância da democracia e de grupos que, infelizmente, ainda são marginalizados, trazendo-os para dentro desses espaços com o intuito de valorizar a identidade deles”, salientou Silvia Ângela Resnati, diretora do Memorial.
A primeira palestra foi ministrada pelo médico Almir Santana, que falou sobre ‘Prevenção às infecções sexualmente transmissíveis na terceira idade’. Conforme o médico, mudou o perfil dessa população. “Consequentemente melhorou o desempenho sexual. Hoje, as pessoas na terceira idade estão tendo mais parceiros sexuais e como perde, no caso do casal heterossexual, o medo da gravidez passa não usar camisinha. Também existe aquele mito de que a pessoa na terceira idade não é sexualmente ativo, o que é um erro”, comentou.
Dialogay
‘Memória do Dialogay e Direitos Humanos’ foi o tema da palestra de Alessandro Monte, ativista e militante LGBT. Ele rememorou a trajetória do Dialogay, que foi a primeira organização de Sergipe, fundada em 1981, com a finalidade de acolher a população LGBT+. “O Dialogay surgiu num momento muito de resistência, de preconceito latente na sociedade contra os homossexuais. Era um período que muitos LGBTs eram agredidos, violentados e assassinados”, comentou Alessandro.
Para ele, o Dialogay utilizou uma estratégia interessante para dar visibilidade à causa LGBT. “A principal estratégia foi utilizar a mídia, a imprensa, para despertar no povo sergipano a importância do respeito e o combate principalmente à violência. Então, a existência de uma instituição que abordasse essa questão já abriu outros olhares da sociedade”, destacou Alessandro, lembrando que o Dialogay funcionou até 2003.
Após as palestras, houve o lançamento do Instituto Dialogay, que agora será voltado especialmente para a comunidade LGBT da terceira idade. “Depois de 42 anos estamos aqui com uma nova proposta para que possamos enfrentar os preconceitos. Tivemos vários avanços nesse período, mas acho que o principal deles foi a união civil entre pessoas homossexuais. E que agora querem retirar, um retrocesso que não vamos permitir, não vamos aceitar”, comentou Antônio Aragão, diretor-presidente do Instituto Dialogay.
Quem também compareceu ao evento foi um dos fundadores do Dialogay, Wellington Andrade, que é o presidente de honra do movimento LGBT em Sergipe. “A gente tem que retornar porque existe resistência, né? Lutar pelo meu, pelo seu, pelos nossos direitos, entendeu? Lutar mais e mais ainda por aquelas pessoas LGBTs idosas, que estão sofrendo, se matando, morrendo, que são abandonadas pela família”, alertou Wellington.
Exposição
Na noite de ontem, ainda foi aberta a exposição documental temporária, de curadoria de Eduardo Freitas, com o tema ‘Dialogay Di@logando’. O curador ressaltou a relevância do Dialogay para Sergipe. “Para mim foi um prazer poder contribuir com essa exposição porque o Dialogay foi muito importante na década de 80 em Sergipe, não só por esclarecer sobre homossexualidade, num momento de surgimento da Aids, mas porque abriu tanto o entendimento da nossa sociedade a respeito dessa questão”, agradeceu Eduardo.
Sobre a exposição, ele explicou que teve como propósito justamente incitar uma reflexão sobre diversidade. “Nesse painel geral temos indígenas, quilombolas, orientais porque assim é a nossa diversidade brasileira. Quem observar o painel vai se ver nele nos espelhos, o que dá ao visitante a oportunidade de fazer parte dessa diversidade. Ali atrás dos palestrantes me inspirei no chapéu dos cangaceiros, aquele em meia-lua, que é também o formato do arco-íris, símbolo da comunidade LGBT”, explicou o curador.
A exposição pode ser visitada, até a próxima semana. O Memorial do Judiciário, localizado à Praça Olímpio Campos, 417, Centro de Aracaju, fica aberto de segunda a sexta-feira, pela manhã. Visitas de grupos ou escolas podem ser agendados através dos telefones 79 3226-3489 / 3488 ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..