Quinta, 26 Junho 2003 13:22

Judiciário perde um grande nome

Após 33 anos consecutivos de carreira jurídica , faleceu na madrugada do dia 21 de junho o Desembargador José Antônio de Andrade Goes. Vítima de problemas renais, o magistrado deixou uma enorme lacuna no Judiciário sergipano. Centenas de pessoas, amigos, parentes e colegas de profissão estiveram visitando pela última vez o desembargador quando do seu velório, realizado durante toda a manhã do dia 21 de junho no hall do Centro Administrativo Governador Albano Franco. Às 15h do mesmo dia, o corpo do magistrado foi levado ao Cemitério Colina da Saudade, com a presença de grande camada da sociedade sergipana.

Magistrado reconhecido nacionalmente e admirado pela sua atuação e profissionalismo, Antônio Goes iniciou sua carreira jurídica em 31 de janeiro de 1970 , quando foi aprovado no concurso para juiz, passando a atuar na Comarca de Tobias Barreto, Laranjeiras, Estância e, posteriormente, na Capital, em 1978, na 7ª Vara Cível desta Comarca. Em 1994 foi promovido como Desembargador, iniciando assim uma longa trajetória de cargos. Foi Corregedor Geral de Justiça, Presidente do Tribunal Regional Eleitoral e Presidente deste Tribunal de Justiça até o início deste ano, quando entregou sua pasta ao então Presidente Desembargador Manuel Pascoal Nabuco D Ávila.

Além de toda sua trajetória de vida profissional dedicada à Justiça sergipana, Antônio Goes ainda foi um grande mestre e metade dos profissionais do Estado de Sergipe na área do Direito foram seus alunos. Lecionou por 21 anos na cadeira de Direito Civil da Universidade Federal de Sergipe e atuou também na classe jurídica como presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Sergipe  AMASE, diretor da Escola Superior de Magistratura  ESMESE , vice- presidente e presidente do Colégio Nacional de Corregedores do Brasil.

Legado  Nos últimos dois anos, o Estado de Sergipe pôde comprovar a competência do Desembargador Antônio Goes à frente da Presidência do TJ. Seu legado foi imenso e jamais será esquecido. Na sua dinâmica gestão, inaugurou o Complexo Administrativo Governador Albano Franco e diversos fóruns no interior do Estado. Reformas, ampliações e construções foram seu forte . A população dos municípios de Propriá, Neópolis, Cedro de São João, Ribeirópolis, Capela, Frei Paulo, Maruim e Nossa Senhora do Socorro, foram as grandes beneficiadas na sua gestão com a construção e inauguração de novos fóruns.

Entre suas principais metas administrativas estava centralizado o ideal de tornar a Justiça sergipana mais moderna e informatizada. Para isso, batalhou e conseguiu com brilhantismo levar a informática aos setores do TJ no Estado. Hoje, todos os fóruns e distritos de interior possuem computadores, o que veio facilitar mais ainda o trabalho da Justiça em nosso Estado. Na Capital, concretizou a obra do Centro Administrativo Governador Albano Franco e instalou a Justiça Itinerante, uma espécie de Juizado Móvel que vem atuando com bastante sucesso.

Outra preocupação do desembargador era descentralizar de uma vez por todas as atividades judiciárias. As comunidades dos bairros Santos Dumont, Orlando Dantas, Siqueira Campos e Castelo Branco possuem agora Juizados Especiais, assim como os bairros Getúlio Vargas, Inácio Barbosa , além do centro da capital.

Todo o seu trabalho foi feito com o objetivo de por fim ao sofrimento de quem tinha dificuldades de chegar à Justiça e promover, antes de qualquer coisa, uma Justiça mais célere e ideal para todos.

O vazio deixado

Amigos e colegas de profissão consideraram a perda do Desembargador Antônio Goes como algo irreparável. Os mais próximos, considerados amigos de verdade do magistrado, não conseguiram esconder a emoção ao falar dele nesse momento.  Exemplo de dignidade, de profissional, de ser humano portador de uma sensibilidade extraordinária para todas as coisas da vida. Disse o Juiz Netônio Bezerra Machado, para o qual, Antônio Goes foi um paradigma de dignidade. De acordo com o magistrado, o vazio deixado por Antônio Goes é imenso.  Perdi um amigo, o Judiciário perdeu um grande nome e a sociedade sergipana, um grande guardião da Justiça, declarou.

O Juiz Ricardo Múcio de Abreu Lima, juiz da Infância e da Juventude, conviveu por muitos anos bem próximo do desembargador falecido. Segundo ele, a perda foi traumática por se tratar principalmente de uma amizade bastante pessoal.  Um grande líder, grande mestre e grande amigo. Um homem íntegro, selado pela sua seriedade e idoneidade. Orgulho-me de ter sido um dos seus companheiros nessa jornada, ressaltou.

Representando o grande leque de alunos, o juiz e presidente da AMASE  Associação dos Magistrados do Estado de Sergipe, Sérgio de Menezes Lucas, declarou que a magistratura perdeu um grande juiz, a AMASE um dos seus fundadores e a classe jurídica, um grande mestre e amigo.