Alunos do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Professor Gonçalo Rollemberg Leite tiveram na manhã desta quinta-feira, 27, no Arquivo Judiciário uma verdadeira aula de consciência e respeito aos povos originários. Eles visitaram a exposição “Dia dos Povos Indígenas” e tiveram acesso a documentos e processos históricos do acervo do memorial que ajudam a contar um pouco da luta dos indígenas por sobrevivência e pela manutenção da posse das suas terras.
“A mostra é uma celebração ao dia 19 de abril, que permanece até o próximo dia 30. O objetivo é fazer esta ponte entre as escolas e o Poder Judiciário. Muitas vezes esses jovens estudam na teoria e não veem na prática”, afirmou Maíra Fernandes, chefe da divisão de Memória do Arquivo Judiciário. “Aqui guardamos uma parte importante da história de Sergipe e do Brasil. Com este tipo de resgate, também pudemos explicar melhor o porquê da mudança da nomenclatura de ‘índios’ para ‘povos indígenas’ e trazer elementos culturais atuais com essa origem”, ressaltou.
Resgate Histórico
O historiador Anderson Renné ressaltou o valor dos documentos em exposição. “Eles trazem a realidade e exemplos da vida social num momento histórico em que os indígenas ainda não tinham toda a sua cidadania reconhecida socialmente, com muitas querelas judiciais provenientes desse contexto”, disse.
A professora de História Zenaide Reis celebrou a importância de sair da sala de aula e vivenciar os conhecimentos na prática. “Ver os documentos e ter ainda mais exemplos da proeminência dos indígenas para a formação do povo brasileiro. Como estudamos as tradições e culturas antigas, foi curioso também ver o tipo de penalidade imposta para os crimes na época”, destacou a educadora.
“Comemorar o dia do indígena é uma quebra de preconceitos, de estigmas, porque nossa sociedade ainda trata essa população como selvagem.”, explicou o estudante Luiz Augusto Castro. O documento histórico resgatado na mostra que mais lhe chamou atenção foi o processo judicial referente a um indígena morto por um padre. “Me espantou a imposição da religião e do modo de vida sobre aquele povo, algo que nunca deve ocorrer”, conta.