O Memorial do Judiciário é a casa que guarda toda a memória do Poder Judiciário de Sergipe. É um prédio histórico que teve sua construção iniciada em 1892 e cuja inauguração ocorreu em 1895, se tornando sede do Tribunal de Relação. Fica localizado no cruzamento das ruas Itaporanga com Arauá, no Centro de Aracaju.
A partir de 1930, quando a sede do Poder Judiciário foi transferida para outro prédio, diversos órgãos públicos desenvolveram suas atividades no local. Somente em 2004, após reforma e restauração, o Palácio Sílvio Romero foi reinaugurado e passou a abrigar o Memorial do Judiciário.
O espaço contempla exposições de longa duração e temporárias. Nas de longa de duração, o visitante irá encontrar objetos cerimoniais, indumentárias, acervo documental e iconográfico de juristas e magistrados que fazem parte da história do Tribunal de Justiça de Sergipe.
Para o ano de 2023, o Memorial do Judiciário planejou ações voltadas para a educação. De acordo com sua diretora, Silvia Ângela Resnati, a ideia é abrir as portas do Memorial para dialogar com a comunidade estudantil e acadêmica, a fim de construir a cidadania a partir dos fatos históricos guardados no Memorial.
“Nós queremos trabalhar em várias frontes. Primeiro é o prédio, a importância do prédio para a construção histórica; segundo é o nosso acervo, nós temos um acervo de documentos e também de obras de pintores sergipanos e, a depender da época do ano, estamos organizando – com base no calendário – as datas comemorativas. Além disso temos também a intenção de trabalhar com educação e projetar conforme a faixa etária iniciativas educativas, interativas”, informou Silvia.
O Memorial do Judiciário ainda conta com um espaço no seu subsolo, o rés, onde são realizadas exposições, a exemplo da mostra "Aracaju: memória e patrimônio cultural" que teve início no dia 15 de março, como parte das celebrações pelos 168 anos da capital sergipana e será encerrada em 21/04.
“O rés é o lugar mais charmoso do Memorial. Todos os turistas e crianças ficam apaixonados quando veem essas paredes feitas com óleo de baleia. A parte que chama muita atenção é um trilho de trem que corta a edificação e que, conforme estudiosos, era destinado a um carrinho no transporte de produtos durante as obras de assentamento da cidade, porque aqui era mangue e precisava aterrar. Esse espaço é onde nós queremos trabalhar com as crianças, utilizar esse trilho como um estímulo à imaginação, à fantasia, um trabalho lúdico, incluindo pintura, redação”, acrescentou Silvia Resnati.
Neste mês de abril, o Memorial deu início a um novo projeto intitulado ‘Nossa Senhora do Socorro no Palácio das Memórias’, em parceria com o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) e a Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro. Trata-se de uma extensão do projeto Escolas no Fórum, o qual já é realizado há cinco anos. A visitação ao Palácio Sílvio Romero ocorrerá com a periodicidade quinzenal com alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Outro destaque do Memorial é a acessibilidade. Por meio de pisos tácteis, elevadores e do uso da ferramenta da audiodescrição busca-se promover o acesso e a autonomia de pessoas com deficiência à cidadania, ao conhecimento, à cultura.
O Memorial é aberto à visitação de segunda a sexta-feira, das 7 às 13h. O agendamento pode ser feito pelo telefone 3226-3489.
Saiba mais sobre as exposições de longa duração:
1) Questão de Justiça
A exposição apresenta objetos que simbolizam a justiça, com acessórios que fazem parte da história da justiça de Sergipe. Contém indumentárias, medalhas, diplomas e o painel "Tribunal do Júri", com o qual é possível a interação com o público visitante, por meio de simulações. A mostra possibilita aos visitantes observar a prática profissional dos magistrados e dos serventuários do Judiciário.
2) Fontes Históricas
A mostra traz documentos sobre a história do Judiciário sergipano. Apresenta o gabinete do des. José Barreto Prado, com a preservação das características da época, retratando o local de trabalho dos magistrados no passado. Também estão expostos processos judiciais preservados pelo Arquivo do Judiciário.
Ainda dá ênfase à independência de Sergipe, ao processo e funcionamento das Irmandades, que eram instituições religiosas compostas por leigos que tinham como objetivo ajudar os membros e a comunidade, tendo por exemplo a Irmandade de Nossa Senhora do Amparo em São Cristóvão.
3) Recorte do Judiciário sergipano
Retrata a criação e o processo de formação do Tribunal de Justiça de Sergipe. Uma maquete demonstra o estilo arquitetônico do prédio do Memorial que foi tombado como patrimônio histórico em 1985, bem como a evolução, alterações estruturais e mudanças da sede deste órgão ao longo dos anos. Remete às instituições que posteriormente ocuparam o prédio do Memorial de forma cronológica.
Faz homenagem às personalidades sergipanas e aos patronos do Tribunal de Justiça de Sergipe e do Memorial, respectivamente, Tobias Barreto e Sílvio Romero.




