O dia 21 de setembro é o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, instituído pela Lei nº 13.146/15. Para reforçar a conscientização, promover acessibilidade e a inclusão de pessoas com deficiência em ambientes de cultura e arte, a 14ª edição da Quinta Juriscultural, de hoje (29/09), trouxe o tema "Diálogos possíveis: Arte e Acessibilidade".
"Como sempre tem ocorrido mensalmente, renovamos hoje mais um encontro para se comemorar datas importantes e valorizar a cultura e arte do nosso povo. Nesse mês de setembro, dentro do mês da inclusão, a Quinta Juriscultural promove essa reflexão pela acessibilidade de todos às artes e à cultura. É um processo de inclusão que o Tribunal de Justiça promove acolhendo todos os públicos, em especial, as pessoas com deficiência", salientou o Des. Edson Ulisses de Melo, Presidente do Poder Judiciário de Sergipe.
O Projeto Quinta Juriscultural é promovido pelo Poder Judiciário de Sergipe todos meses, na última quinta-feira. A proposta é levar ao Memorial do Judiciário exposições de arte, lançamentos de livros e diversas expressões artísticas e culturais dos sergipanos.
"É um momento muito importante que faz parte de uma política pública muitas vezes deixada de lado que é promover a inclusão e a arte. Temos pessoas poderosas para mover a educação e a sociedade como um todo e que não têm acesso a espaços como esse, seja para mostrarem a sua arte, seja para conhecerem a história e memória do povo sergipano e a Quinta Juriscultural está oportunizando esse espaço tão importante para todas as pessoas", ressaltou a curadora da Quinta Juriscultural, Maria do Carmo Déda Chagas de Melo.
Nesta edição, um dos destaques foi a obra do artista plástico José Lima, que perdeu parte da audição aos 25 anos, mas tocava órgão, era regente de um coral e foi considerado um dos maiores expoentes da pintura sacra no Brasil. José Lima era conhecido como ‘O Pintor das Igrejas’. Durante o evento, foi lançado um site dedicado à manutenção da memória do artista que faleceu no Rio de Janeiro, em 1987, aos 64 anos, e foi sepultado na cidade de Estância (SE).
"José Lima era daquelas pessoas que quando a gente lembra primeiro vem a alegria e tínhamos que passar essa alegria e grandeza de José Lima para que todos conheçam. Ele foi um pintor que fez trabalhos em todo o Brasil, tem obras em Recife, Olinda, na Bahia e Rio de Janeiro, onde ele deixou a marca dele na insígnia 36º Congresso Eucarístico Internacional e, mais que isso, a pintura da Igreja de São Januário, uma obra espetacular de mais 600 m². Então falar de José Lima não é suficiente, a gente precisa mostrar o trabalho dele", enfatizou Pedro de Brito, sobrinho de José Lima. Ele acrescentou que a Catedral Nossa Senhora de Guadalupe, em Estância, também foi contemplada pela arte de José Lima.
Ainda foi proferida a palestra "Inclusão pelo Esporte", pela atleta da equipe sergipana de halterofilismo paraolímpico, universitária e dançarina Camila Feitosa. Desde 2018, Camila é esportista e, segundo ela, por acaso e por influência de amigos. "Eu sabia que tinham atividades para pessoas com deficiência, mas não conhecia o halterofilismo. Conheci o treinamento paraolímpico na UFS e, inicialmente, duvidei que fosse possível, mas um professor me convenceu a realizar o teste e deu certo. Em novembro de 2019 conquistei os títulos de vice-campeã brasileira e de mulher mais forte do Brasil, quando levantei 53kg. Porém, já superei essa marca essa semana quando levantei 63 kg", comemorou Camila.
A literatura que sempre é destaque na Quinta Juriscultural também se fez presente nesta edição. Foi promovido o lançamento do livro ‘Das Tralhas às Trilhas’, do escritor Geraldo Feitosa da Silva, que é pessoa com deficiência visual. Segundo o autor, sua obra na poesia cordelista, crônicas e romances demonstra que não há barreiras para a arte e a literatura.
"Nesses livros, as pessoas encontram motivos para refletir, sorrir, se emocionar e motivos para saber como agir com relação a inclusão de pessoas. Trata-se de um romance, uma ficção com realidade, este que é um primeiro livro de uma trilogia. Para mim, é uma honra ter sido convidado para o lançamento aqui no Memorial", afirmou o escritor Geraldo Feitosa.
De forma artística, Quinta Juriscultural foi encerrada com a dança da fisioterapeuta, bailarina e professora de dança para pessoas com deficiência Maria Alice quem teve como parceira sua irmã Renata Raissa, que possui paralisia cerebral. Conforme explicou Maria Alice, na primeira vez que se apresentou com sua irmã Raissa, descobriu a aptidão para trabalhar com pessoas com deficiência, unido a experiência profissional da dança e da fisioterapia com o lúdico. Ela destacou como a dança tem influenciado de forma positiva a rotina de sua irmã.
O Memorial do Judiciário é um espaço do TJSE pioneiro na promoção da acessibilidade em Sergipe, porque mantém uma exposição permanente, a qual utiliza a audiodescrição como ferramenta de acesso ao acervo para pessoas com deficiência ou dificuldades visuais. O escritor Geraldo Feitosa, antes da abertura da Quinta Juriscultural utilizou o equipamento de audioguias, obras em braile e piso tátil. "Todo espaço público deveria ter opção de acessibilidade, porque a acessibilidade é bom para todas as pessoas, não apenas as pessoas com deficiência", completou ele.
"É um momento de reflexão sobre a criação de instrumentos de acessibilidade e inclusão. Nós já dispomos do Projeto Memorial de Perto que disponibiliza a utilização de audioguias para que pessoas com deficiência visual tenham a ferramenta da audiodescrição para conhecer as obras que estão aqui expostas. A Quinta Juriscultural, nesta edição, reforça essa atenção do Poder Judiciário com a acessibilidade de pessoas com deficiência às artes e à história", explicou Sayonara Viana.