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Terça, 30 Agosto 2022 12:48

Arte no Cejusc leva apresentações culturais e folclóricas ao Fórum do Marcos Freire II

"Um momento alegre como este, hoje, tirou essa angústia da gente quando vem ao Fórum, porque muitas vezes estamos nervosos, com pensamentos negativos e preocupados com uma audiência". Esta foi a declaração da dona de casa Cristine Rodrigues que, nesta manhã (30/08), esteve no Fórum Desembargador Pedro Barreto de Andrade, no conjunto Marcos Freire II, em Nossa Senhora do Socorro e foi recepcionada por diversas apresentações folclóricas, culturais e exposições. A ação fez parte do projeto Arte no Cejusc, desenvolvido pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos e Cidadania (Nupemec), do Tribunal de Justiça de Sergipe.

De acordo com o Juiz Salvador Melo Gonzalez, Titular do 1º Juizado Especial Cível e Criminal de Socorro e Diretor do Fórum, o projeto Arte no Cejusc é uma oportunidade do Judiciário se aproximar da sociedade, uma vez que o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania promove a garantia de direito com a disseminação de cultura para promover diálogos não violentos. Para a Juíza Tatiany Chagas, Titular da 3ª Vara Cível de Socorro, a ação traz mais humanização ao ambiente do Fórum. "Esse movimento é uma das portas de acesso da comunidade à Justiça, porque desfaz a impressão daquela justiça tão distante das pessoas. Assim, tornamos o ambiente do Fórum mais agradável, mais humano; deixamos de ser apenas máquinas de julgamento e acolhemos a comunidade, suas expressões culturais e suas necessidades", avaliou a magistrada.

No mês em que se comemora o Folclore, o Projeto Arte no Cejusc contou com diversas manifestações culturais, literárias e artísticas desenvolvidas pela própria comunidade da cidade de Nossa Senhora do Socorro. As atividades tiveram início com a apresentação do maestro Adelmo Oliveira, do Boi do Reisado, de Samba de Roda com as sambadeiras do Instituto Mangaliza e do grupo de capoeira Sete Quedas e Maculelê, do mestre Edson Coragem.

A senhora Ivete Aragão, moradora do Marco Freire II, participa há cinco anos do Grupo Guerreiras da Melhor Idade, organizado pelo Instituto Mangaliza. Além de se apresentar no Samba de Roda e no Maculelê, dona Ivete recitou um cordel de sua autoria. "Achei tão interessante essa inclusão. A gente que já tem uma idade mais avançada acha que não pode fazer nada. Nossos professores fizeram a gente abrir a cabeça e se sentir igual a todos e, olha, a gente está aqui dançando, brincando no Fórum, algo que eu nunca pensei ser possível. Quando eu soube que viria ao Fórum, eu pensei vai ter juiz lá e se ele estiver assistindo eu vou pedir uma bênção de Deus para o juiz", disse dona Ivete, que fez exatamente esse pedido no cordel por ela escrito.

A programação contou também com a exposição de bonecos do folclore brasileiro feitos com material reciclável, do artista plástico Adelson Santos, a qual permanecerá durante alguns meses na unidade da justiça. "Meu objetivo aqui são dois: o meio ambiente e o folclore brasileiro com a mensagem de conscientização e proteção. Estar neste Fórum com outros artistas, escritores, capoeiristas é muito interessante, mostra que este local é a casa do povo também e valoriza os trabalhos desenvolvidos pela população socorrense", salientou Adelson.

"Este é o primeiro Arte no Cejusc de Nossa Senhora do Socorro, um projeto que teve início em Aracaju, mas no Fórum do Marcos Freire superou todas as nossas expectativas. Está de parabéns o colega Salvador, que é o Juiz Coordenador do Cejusc local, Anaire Lapa, Supervisora, enfim, todos que fazem o Cejusc porque o trabalho está lindíssimo com várias apresentações da comunidade local. O Arte no Cejusc tem esta finalidade de tornar o ambiente do Fórum mais acolhedor para que as pessoas estejam mais dispostas a conciliar e, assim, promovermos a pacificação social", ressaltou a Juíza Coordenadora do Cejusc Aracaju, Maria Luiza Mendonça, membro do Nupemec.

Ainda houve exposição de livros de autores da Academia Socorrense de Letras, com o presidente Edvaldo Félix e com o escritor Luís Bacelar, autor do livro "Como Vencer através da Força da Superação"; de literatura de cordel do cordelista Jaci Farias, do grupo Visão Cultural; e de trabalhos artesanais da artesã Cíntia Cajé.

Confira o texto do cordel:

Fazer versos meus amigos
É ter muita paciência
E aconteceu comigo
Com minhas experiências
E hoje eu já não consigo
Faz parte da minha vivência

Peguei caneta e papel
E comecei a pensar
Eu vou escrever cordel
E da minha vida falar
Eu sou pessoa fiel
No cordel eu vou comentar

O Instituto Mangaliza
Nós encontramos verdade
Abertura para a vida
Apesar da nossa idade
São idosas felicíssimas
Sambadeiras de Verdade

Hoje a comunidade
Sente falta da união
O casal com sua arte
Trabalha com perfeição
Para o bem da humanidade
E da próxima geração

Olha onde nós estamos!
Queremos agradecer
A esses seres humanos
Que nos fez transparecer
O nosso samba de roda
E temos o maculelê

Através do instituto
Esse grupo é bem feliz
Nós vestimos essa camisa
Hoje o grupo todo diz
Muito obrigada por tudo
E Deus abençoe o Juiz

(Ivete de Azevedo Aragão)

Informações adicionais

  • Fotografias: Raphael Faria - Dicom TJSE

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